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Em 1971, o
Brasil foi palco de uma forte onda ufológica que
atingiu alguns estados brasileiros, destacando-se o
Estado do Rio de Janeiro, com o foco principal de
relatos originados na cidade de Itaperuna, e o
Estado do Rio Grande do Sul, onde avistamentos foram
reportados em pelo menos 60 cidades diferentes. Além
destes estados brasileiros houveram numerosos
registros em Argentina, Uruguai e Chile, dentro de
uma área delimitada geograficamente.
O Boletim da
Sociedade Brasileira de Estudos de Discos Voadores,
em sua edição 85/89, de 1972, apresentou ampla
cobertura dos fatos ocorridos em território
brasileiro, apresentando algumas relações com casos
ocorridos em outros países. Depois desta publicação
não houve uma retomada na investigação desta onda, o
que faremos agora, de posse de informações mais
amplas, não disponíveis na ocasião.
Características da onda
Em geral os
casos narrados ocorreram no começo da noite. Não
houveram casos ao amanhecer nem durante o dia. A
maioria dos casos aconteceu entre 19 e 21 de
dezembro, sendo que a maioria dos relatos ocorreu no dia 19. Foram descritos variados tipos de
objetos. Alguns relatos descrevem objetos
circulares, com uma parte interna transparente e
envolto em nebulosidade ou fumaça branca. Houveram
alguns relatos de objetos de grande tamanho que
recolheram objetos menores antes de partir do local
onde eram observados. Alguns relatos referem-se à
luzes estranhas, semelhantes à uma estrela, em geral
estática no céu e com um brilho constante que vai
descendo em direção ao solo, desaparecendo um pouco
antes de chegar ao solo. Na época em que estes casos
ocorreram estes últimos foram incluídos como
avistamentos não explicados e incluídos nas
estatísticas ufológicas. Em nossa investigação,
porém, contatamos que este ultimo objeto era na
verdade o Planeta Venus erroneamente confundido com
discos voadores que vinham se manifestando em alguns
locais.
Entre as testemunhas existem
representantes das mais variadas formações. Desde
simples agricultores, comerciantes, até professores, médicos
e militares. Os detalhes narrados foram geralmente
coincidentes entre si, mesmo entre pessoas
desconhecidas. Houveram episódios em que grande
número de pessoas testemunhou simultaneamente uma
mesma aparição.
Os casos de
Itaperuna, Rio de Janeiro
No Estado do
Rio de Janeiro,o foco das aparições deu-se na cidade
de Itaperuna, ao norte do Estado do Rio de Janeiro,
com alguns casos esparsos em outras cidades, mais ou
menos na mesma época.
Os primeiros casos ocorreram em setembro, e até
dezembro ocorreram esporadicamente. A partir de 19
de dezembro se tornaram mais intensos. Vejamos então
os mais significativos:
Caso nº1 [Paulo
Caetano]:
- Em 23 de
setembro de 1971,
Paulo Caetano Silveira, técnico de máquinas de
escritório, casado, morador de Itaperuna (RJ),
passou pela primeira de uma série de alegadas
experiências de abdução (que serão tema de uma
investigação mais detalhada futuramente). Ele
regressava de Carangola, onde tinha ido a trabalho.
Por volta das 19h45m, a uns 3 km da cidade de
Tombos, notou pelo espelho retrovisor, que era
seguido por um corpo luminoso. A distância entre
eles foi encurtando até se reduzir a 3 metros.
Então, o objeto ficou evoluindo em volta da vemaguet,
a meio metro do chão.
Era um aparelho vermelho, de forma elíptica, com uns
3 metros de altura por 2,50 de largura. Depois tomou
uma coloração branca, de brilho azulado. Nesse
momento, o carro começou a perder velocidade até
parar. O estranho objeto continuou girando em torno
do veículo por uns 3 ou 4 minutos sem nenhum ruído ,
subindo depois. Paulo notou que o automóvel devia
estar engrenado com o motor funcionando pois,
repentinamente deu um avanço para frente e o motor
morreu em seguida.
Paulo conseguiu
acionar o motor novamente e seguiu até a localidade
de Tombos onde registrou um boletim de ocorrência na
Delegacia local. Após isso seguiu viagem.
Faltando 13 quilômetros para chegar a Itaperuna, na
localidade de Bananeiras, notou o corpo luminoso
mais uma vez, a uns 500 metros de altura. A 3 Km a
frente, em Serraria, que fica no Km-4 da rodovia
RJ-100, viu um vulto escuro que pensou ser um
animal. Quando se aproximou até ficar a uns 10
metros, a coisa se iluminou toda de luz vermelha e,
ao mesmo, seu veículo desligou, seguindo para o
acostamento, como por magia, e parou. Então enquanto
a cor do aparelho mudava do vermelho para o branco.
Paulo tentou desesperadamente sair do local, mas o
carro não se moveu. Ouviu um assobio agudo vindo do
objeto, uma porta se abriu e, de dentro, foi
projetado um facho de luz, que o atingiu. Na
sequencia ele foi retirado do carro por 3 pequenos
seres que o levaram para bordo do objeto onde foi
examinado.
Mais tarde foi
deixado perto do carro onde ficou deitado por alguns
instantes, tomado de intensa fraqueza. Mais tarde
conseguiu chegar na cidade onde registrou novo
Boletim de Ocorrência, sendo posteriormente atendido
pelo Dr. Bussad. O Caso de Paulo Caetano é longo e
complexo, envolvendo casos ocorridos em várias
ocasiões nas semanas e meses seguintes e será objeto
de investigação futura aqui no Portal Fenomenum.
Caso nº2 [Benedito
Miranda]:
Dois dias
depois, em 25 de setembro, ocorreu um novo caso,
possivelmente de abdução, nos arredores de Itaperuna.
Desta vez, o protagonista foi Benedito Miranda, que
viajava pela rodovia BR-040. Na altura da ponte de
Carangola ele se deparou com um objeto arredondado,
que estava posicionado no meio da estrada impedindo
a passagem. Benedito se aproximou do objeto e
percebeu dois pequenos seres nas proximidades do
objeto. Um deles apontou-se um objeto, semelhante à
uma lanterna de onde saiu um facho de luz que
atingiu Benedito suspendendo-o no ar. Pouco depois
Benedito foi recolocado em seu carro. O protagonista
dirigiu até a cidade e registrou um Boletim de
Ocorrência relatando o acontecido. No dia seguinte,
Benedito esqueceu-se de alguns fatos ocorridos
naquela noite, inclusive o próprio momento em que
registrou o B.O., só relembrando alguns detalhes
posteriormente com o auxílio de hipnose regressiva.
Em outubro e
novembro, os casos relatados envolveram o já citado
Paulo Caetano. Alguns destes acontecimentos tiveram
testemunhas secundárias ou indiretas que puderam
confirmar alguns detalhes narrados por Paulo. Em
dezembro, os casos aumentaram drasticamente
configurando uma onda ufológica na região, nos dias
19, 20 e 21.
Caso nº3
[Rua
Tiradentes]
-
horário: 19:30 hs
:
Segundo o Boletim da SBEDV (85/89), no dia 19 de
dezembro de 1971, três jovens, que estavam em frente
ao número 45 da Rua Tiradentes, observaram do outro
lado do rio Muriaé, a uma distância estimada por
eles em 1 Km, uma luz, semelhante à uma estrela, que
ora acendia, ora apagava. Uma hora e 45 minutos mais
tarde, a uns 70 metros daquele local, os três jovens
perceberam na esquina, próximo à uma árvore, a uns 7
metros do solo, um objeto preto, um pouco maior que
um Volks, e que era realçado por uma nuvem branca.
Esse objeto pôde ser observado por cerca de 3
minutos, quando atravessou a rua e, tomando a
direção do centro da cidade foi subindo.
Caso nº4
[RJ-100,
Km 2]
- horário desconhecido:
Ainda no dia 19, na RJ-100, na altura do Km 2, um
casal que retornava a Itaperuna, passou por uma
experiência de avistamento nas proximidades de
Serraria. Nesse local eles observaram um "circulo de
fumaça". Logo em seguida eles notaram que havia um
anel circular, luminoso, que se deslocava
rapidamente alterando a espessura do anel
circundante sem alterar o diâmetro do anel. O casal
parou o carro para observar o fenômeno. Um motorista
de caminhão fez o mesmo e todos observaram o
fenômeno por alguns minutos. Todos descreveram o
objeto como sendo escuro e transparente, podendo-se
observar as estrelas através do objeto.
Caso nº5
[local
não informado em Itaperuna]
-
21:10 hs:
O médico radiologista Dr. Walter Anderson observou
um disco voador redondo, fosforescente com diâmetro
aproximado de 1 metro, a uma altura de 200 a 800
metros, sobrevoando as casas da cidade. O Disco
voador atravessou a cidade com um movimento em
zig-zag, à uma velocidade estimada de 60 km/h.
Aparentemente vinha da região de Serraria. Também
foi descrito como sendo transparente, permitindo
observar-se estrelas através dele.
Caso nº6
[Rua
Assis Ribeiro, Itaperuna]
-
20:30 hs:
O Sr. Aquiles Ernesto Andrade, professor de
geometria descritiva na escola de Itaperuna, seus
familiares e cerca de 80 pessoas da vizinhança
observaram durante 3 dias consecutivos (19, 20 e 21)
por volta das 20:30 hs, um objeto luminoso
arredondado. Por estimativa ele calculou o objeto
como tendo 2 metros de diâmetro, a uma altura
estimada de 100 metros de distância e a 300 metros
acima do horizonte. Segundo as testemunhas deste
caso, o objeto era transparente e por ele era
possível observar as estrelas. O objeto teria
desaparecido lentamente, durante 15 minutos, até
desaparecer num angulo de 60º acima do horizonte.
Caso nº7
[Buarque
de Nazareth, Itaperuna]
-
20:00 hs:
Em 20 de dezembro, cerca de 60 pessoas observaram um
objeto branco, luminoso, redondo, num angulo de 45º
acima do horizonte, do outro lado do rio Muriaé.
Segundo os depoentes, ele tinha estrias douradas e
foi descendo lentamente em intervalos aproximados de
5 em 5 minutos, até se tornar invisível (sic) atrás
das moradias.
Caso nº8
[Hotel
Meirelles, Itaperuna]
-
20:45 hs:
Em 21 de dezembro, o proprietário do hotel e sua
mulher avistaram um OVNI que segundo eles sobrevoava
lentamente os morros situados à margem do rio Muriaé,
do outro lado do rio em relação ao Hotel.
Estes casos
acima citados e acontecidos, todos em Itaperuna, estão
diretamente relacionados aos ocorridos na noite de
19 de dezembro, no Rio Grande do Sul. Os detalhes
narrados são semelhantes na maioria dos casos.
No Estado do
Rio
Grande do Sul
No Rio Grande
do Sul houveram registros em aproximadamente 60
cidades diferentes, e quase na mesma hora (entre
20:30 hs e 21:30 hs).
Continuaremos citando-os na listagem a gerada a
partir dos casos ocorridos em Itaperuna.
Os casos gaúchos tiveram início por volta das 20:30
hs, com avistamentos em Passo Novo, Arroio do Meio e
Cachoeirinha. Dez minutos depois, às 20:40 hs, os
avistamentos ocorriam também em Tramandaí, no
litoral. Quinze minutos depois, em 20:55 hs, foi a
vez de São Vicente do Sul e Bom Jesus. Às 21 horas
ocorreram avistamentos em Nova Palma, Gravataí,
Cinquentenário, Tuparendi, Porto Alegre, Canoas,
Alegrete e Guaíba. Neste mesmo horário ocorria um
avistamento em Itapeva, São Paulo. Às 21:10 hs era a
vez das cidades de Alto União e Ijuí. Uruguaiana
registrou avistamentos por volta das 21:15 hs e às
21:30 hs foi a vez de Carazinho e Canela no Rio
Grande do Sul, e Criciúma, em Santa Catarina e
Ipiabas, no Rio de Janeiro.
Estes horários foram repassados pelas testemunhas
aos pesquisadores e jornalistas que investigaram os
casos. Eles podem ser imprecisos ou aproximados.
Houveram ainda outras cidades gaúchas sobrevoadas mais ou
menos no mesmo horário; São Leopoldo, Viamão, Santo
Ângelo, Santa Maria, Estrada Pinhal e Novo Hamburgo
registraram casos. Em 70% dos casos os objetos foram
descritos como vindos do sul e seguindo em direção
ao norte. Cerca de 20% foram descritos como vindos
do sudoeste para o nordeste e em 10% dos casos como
tendo desaparecido na vertical. Vejamos os mais
significativos:
Caso nº9
[Gravataí
(RS)]
-
21:00 hs:
Um objeto luminoso posicionado no alto do céu foi
observado em Gravataí (RS). Ele tinha um tamanho
aparente superior ao da Lua Cheia, e assemelhava-se
à um anel circular com centro escuro e transparente.
Ele era cercado por uma nebulosidade esbranquiçada.
Ele aparentemente vinha do sudoeste e dirigia-se
para o nordeste. Dois aviões T-6, da Base Aérea de
Canoas aproximaram-se do objeto. Seus pilotos
descreveram-no como um objeto de natureza metálica,
no centro de um anel nebuloso.
Caso nº10
[General
Vargas
e Ijuí (RS)]
-
Horário
desconhecido:
Em duas
cidades, General Vargas e Ijuí foram observados 4
objetos, sendo três pequenos e um grande. Segundo as
testemunhas estes três objetos aproximaram-se do
objeto maior, dois vindo pelo sul e um pelo leste, e
entraram no objeto maior que vinha do sul e seguiu
ao norte.
Caso nº11
[Alegrete
(RS)]
-
21:00 hs:
A congregação da Igreja Adventista do
7º Dia, reunida em oração, foi interrompida para ver
a passagem de estranhos objetos sobre a cidade.
Traçando padrões
Quando existem ondas
ufológicas, os pesquisadores podem encontrar padrões
característicos a partir dos relatos, que podem
facilitar a exclusão de casos originados em fraudes
ou erros de interpretação. Em alguns casos, uma
simples onda ufológica pode ser explicada a partir
de um evento natural apenas através destes padrões
identificáveis. Uma das causas naturais mais comuns
para ondas ufológicas ocorre à um engano comum a
partir de corpos celestes luminosos, envolvendo principalmente
os planetas Vênus e Júpiter, que em determinadas
épocas são muito brilhantes no céu. Vênus tem um diferencial
que o torna ainda mais associado à falsos casos
ufológicos. Sua órbita mais próxima ao Sol produz um
deslocamento mais acelerado pelo céu, que torna-se
perceptível após alguns dias de observação. Então,
para uma pessoa que não está acostumada a olhar os
céus todos os dias no mesmo horário pode ser
surpreendido "por uma estrela que não estava lá
semana passada".
Esta onda ufológica,
em específico, foi influenciada por erros de
interpretação de algumas pessoas. Isso acontece em
parte pela falta de conhecimentos na área de
astronomia e também pela influência de outros casos
que vão ocorrendo pela região. É como um princípio
de histeria, onde uma testemunha ouve várias pessoas
relatando um caso ou vários casos na mesma região,
se impressiona e torna-se mais susceptível à
informações deste tipo. Além disso temos o fator atmosfera que pode
produzir efeitos interessantes que em geral passam
desapercebidos em situações normais. Vamos analisar
os casos padrão citados aqui ao longo do texto e
entender o que pode ter acontecido naquelas noites
de dezembro de 1971.
Caso nº1 [Paulo
Caetano]
O Caso Paulo Caetano pode ter sido o
estopim de alguns casos da região de Itaperuna.
Independente de o caso ter ocorrido de fato ou não,
pessoas podem ter sido influenciadas pelo relato de
Paulo. Em cidades pacatas do interior, onde todos se
conhecem, fatos como o relatados pelo protagonista
chamam a atenção das pessoas que passam a olhar mais
para o céu. Com uma observação constante do céu, as
chances de alguém ver um fenômeno raro ou mesmo um
disco voador legítimo tornam-se muito maiores. É nesse
contexto que a onda ufológica em Itaperuna ocorreu.
O primeiro caso narrado por Paulo ocorreu em
23 de
setembro e logo tornou-se notícia. O Caso de
Benedito Miranda ocorreu dois dias depois, alertando a
população para o Fenômeno OVNI. Em 10 de outubro um
ônibus que seguia para Itaperuna foi acompanhado por
um objeto luminoso que o acompanhou durante 55 minutos.
Este fato ganhou destaque no Jornal O Dia, do Rio de
Janeiro, em 21 de outubro de 1971, sendo
possivelmente muito comentado na cidade. No dia
seguinte à ocorrência deste caso, Paulo Caetano foi
protagonista de um segundo contado com tripulantes
de OVNIs. Todos estes eventos reforçam ainda mais o
estado de atenção da população frente à eventos
celestes desconhecidos.
Tal situação continuou
em novembro face às novas narrativas de Paulo
Caetano, nos dias 15 e 16 com alegadas fotografias
de discos voadores, e no dia 17 com um novo relato
de contato com os tripulantes destes objetos. Em 5 de
dezembro teria ocorrido o quarto contato direto com
os humanóides, apenas quatorze dias antes da onda
ufológica que se abateu sobre o município.
Em 19, 20 e 21 de
dezembro centenas de pessoas relataram terem visto
OVNIs na cidade e arredores. O próprio Paulo Caetano
narrou uma experiência onde teria sido levitado por
um facho de luz emitido por um aparelho, nas
proximidades de morros que cercam Itaperuna. Esse
episódio teria ocorrido no mesmo momento em que
vários moradores da cidade avistavam um objeto
luminoso sobre o morro.
O Caso nº 3, ocorreu
às 19:30 hs, na Rua Tiradentes, na altura do nº 45,
e podemos dividi-lo em duas fases. A primeira
trata-se da observação de uma luz do outro lado do
rio Muriaé e a segunda, de um objeto pouco acima de
uma arvore. No programa Stellarium (programa que
fornece mapas celestes de qualquer região do planeta
em qualquer data e horário), inserimos a data e hora
do ocorrido, bem como sua localização e comparamos
com o ambiente através de mapas da região obtidos
através do Google Earth e Google Maps. O resultado
de tal análise nos permite afirmar que muitos dos
avistamentos relatados naquelas noites foram
originadas, de fato, em um erro de interpretação
embalados numa leve histeria coletiva. O objeto
erroneamente interpretado foi de fato o Planeta
Venus, que se encontrava a Oeste, após o pôr-do-Sol.
Ele permaneceria visível até 21:30 hs em condições
ideais de observação. Nas imagens seguintes
apresentamos a carta celeste do dia e horário em que
o avistamento ocorreu e fazemos a relação com o mapa
da região.
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Carta celeste de Itaperuna para
19 de
dezembro de 1971 [19:30 hs], olhando
oeste. Clique na imagem para
ampliar.
Em 19 de dezembro de 1971, às 19:30
hs, Vênus estava 25º acima do
horizonte, neste horário, e pouco
mais de 15º à direita do ponto
cardeal Oeste. Embora na carta acima
tenhamos a indicação da posição da
Lua ela estava saindo da fase Nova e
era muito pouco nítida na data da
observação. |
.
Na imagem acima temos
uma vista aérea de Itaperuna, Rio de
Janeiro. Cortando a cidade temos o Rio
Muriaé. Em geral, as testemunham
encontravam-se na margem à direita, na
fotografia. Na imagem acima temos a
localização da
rua Tiradentes, que está orientada de
Sudeste à Nordeste. As testemunhas
do caso nº3 encontravam-se no começo da rua, em sua
região afastada do rio. Esse posicionamento
faria com que Venus estivesse, aparentemente,
acima do Morro, circundado pela Rua Darcy
Vargas, no lado esquerdo da imagem, do outro
lado do rio. Sendo assim, a primeira parte
do Caso nº 3 explica-se perfeitamente. Já a
segunda parte do caso, ocorrido por volta
das 21:15 hs, não pode ser explicada desta
forma, pois o objeto estava acima de uma
arvore e apresentou deslocamento próprio.
Além disso, os detalhes descritos coincidem
perfeitamente com outros avistamentos
relatados na mesma cidade naquela época e
com os casos gaúchos.
O Caso nº 7
também parece ter sido originado em um erro
de interpretação. Ele teria ocorrido na rua
Buarque de Nazareth (paralela à Rua
Tiradentes), em 20 de dezembro de 1971. Por
volta das 20 horas, 60 pessoas observaram um
objeto branco, luminoso, redondo, num angulo
estimado de 45º acima do horizonte, do outro
lado do Rio Muriaé. Segundo os depoentes ele
tinha
estrias
douradas e foi descendo lentamente em
intervalos aproximados de 5 em 5 minutos,
até se tornar invisível (sic) atrás das
moradias. Observamos aqui os mesmos efeitos
verificados no dia anterior com os três
jovens que confundiram o planeta Vênus, mas
que acabaram testemunhando um objeto
bastante próximo pouco depois. Neste caso
do dia 20, temos ainda, o clássico efeito
observado em corpos celestes de brilho
intenso, em que são formadas as estrias
luminosas. O relato de descida do objeto, em
direção ao solo, é outro efeito
característico de corpos celestes próximos
ao horizonte oeste. Através da carta celeste
do dia podemos ter uma melhor noção de como
isso ocorreu.
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Carta Celeste de Itaperuna para
20 de
dezembro de 1971 - horário 20:00 hs, olhando
oeste
Na carta celeste temos
o Planeta Venus com pouca variação em
relação ao dia anterior. Embora na carta
acima tenhamos a indicação da posição da Lua
ela estava saindo da fase Nova e era muito
pouco nítida na data da observação. |
No dia
seguinte, em 21 de dezembro, ocorreu o caso
nº 8, em que os proprietários de um Hotel
observaram o Planeta Venus, posicionado
acima dos morros do outro lado do rio Muriaé.
Como nos outros casos eles estavam nas
proximidades da Rua Tiradentes, com ampla
visão para os morros da região.
Mas porque
num curto período de tempo?
Uma dúvida
que permeia a mente de muitos, neste momento
deve ser: Se era o Planeta Venus, porque
estes casos não ocorreram dias, semanas,
meses antes?
Aqui
voltamos ao já citado fator "atenção". Antes
dos relatos de Paulo Caetano e Benedito
Miranda, as pessoas não tinham sua atenção
despertada para mistérios celestes. Após a
seqüência de eventos é que eles passaram a
prestar atenção. Além disso, até o dia 30,
Vênus não estava bem visível naquele período
e naquela posição. Conforme a posição de
Vênus e da Terra, em relação ao Sol, em
determinadas épocas ele aparece no amanhecer
ou no por do sol. Durante estes períodos
está numa fase de transição onde passa à
frente ou atrás do sol, impedindo a
visualização a partir da Terra. Depois do
dia 30 de dezembro, Venus completou a
transição e dia após dia foi surgindo cada
vez mais tarde. O auge foi no dia 18 de
janeiro, quando estava mais alto no céu, mas
ainda a oeste, e mais luminoso. Não temos
dados sobre as condições climáticas daqueles
dias, mas períodos de chuva, em que por vários
dias o céu permanece encoberto poderia
esconder a evolução do planeta. Assim,
quando finalmente o céu limpa, teríamos um
objeto muito brilhante que não estava lá até
alguns dias atrás.
Caso legítimos
Dentro da
onda de Itaperuna, permaneceriam
inexplicados além dos
casos de Benedito Miranda e Paulo Caetano,
os casos nº 3 (segunda parte), 4 (Km 2, da
RJ-100), 5 (Dr. Walter Anderson), e 6 (da
rua Assis Ribeiro).
No caso
nº3, temos o relato de um objeto, do tamanho
de um Volks, escuro, que era realçado por um
névoa branca. No caso nº 4 temos um objeto
em forma de anel, com seu interior
transparente e também envolto em névoa ou
fumaça branca. No caso nº 5, também temos um
objeto com o interior transparente. Desta
vez temos a clássica descrição do movimento
em zig-zag. No caso nº 6, temos 80
testemunhas diretas de um objeto luminoso
arredondado, também com interior
transparente. Este objeto, embora redondo e
luminoso não se enquadraria em erro de
interpretação devido ao óbvio deslocamento,
inclusive desaparecendo a 60º acima do
horizonte (Vênus, no momento da observação
estava a pouco mais de 10º em relação ao
horizonte).
Tão
misteriosamente como iniciou, a onda de
Itaperuna terminou. Depois dessa época
ocorreram casos esporádicos de avistamentos
a média e longa distância, mas nada
significativo como tivemos no final de 1971.
Os casos
gaúchos
Na noite de
19 de dezembro, houveram numerosos
avistamentos em pelo menos 60 cidades do Rio
Grande do Sul. O caso nº 9, ocorrido às 21
horas, em Gravataí, não poderia ser
explicado como erro de interpretação, pois
o
objeto luminoso inicialmente estava posicionado no alto
do céu, e não à oeste, em relação ao
observador. Ele tinha um tamanho aparente
superior ao da Lua Cheia, e também
assemelhava-se à um anel circular com centro
escuro e transparente. E igualmente foi
descrito como cercado por uma nebulosidade
esbranquiçada. Seu deslocamento ocorreu de
sudoeste à nordeste. Dois aviões da Base
Aérea de Canoas aproximaram-se do objeto e
seus pilotos descreveram-no como metálico,
com um centro nebuloso.
Os casos nº 10 e 11, também não podem ser
explicado como sendo originados a partir de
observações do Planeta Venus. Nos relatos
também
temos descrição de deslocamento, e quase
sempre de mais de um objeto.
No Boletim da
SBEDV, já mencionado, encontra-se uma tabela
de casos ocorridos naquela noite dentro do
estado, a qual reproduzimos aqui para melhor
entendimento:
|
Rel. nº |
Local |
Hora |
Tempo de Observação |
Direção (rota) |
|
1 |
Canela |
21:30 |
- |
- |
|
2 |
Alto
União, Ijuí |
21:10 |
10 min |
sul/norte (40º) |
|
3 |
Ijuí |
21:30 |
- |
Sul/norte |
|
4 |
Nova
Palma |
21:00 |
- |
Sul/norte |
|
5 |
Carazinho |
21:30 |
4/5 min |
sul/norte (40º) |
|
6 |
São
Leopoldo |
21:00 |
- |
- |
|
7 |
Viamão |
21:00 |
- |
- |
|
8 |
Santo
Angelo |
21:00 |
15 min |
- |
|
9 |
Gravataí |
21:00 |
- |
- |
|
10 |
Santa
Maria |
21:00 |
- |
- |
|
11 |
Guaíba |
21:00 |
- |
- |
|
12 |
Estrada
Pinhal |
21:00 |
- |
- |
|
13 |
Novo
Hamburgo |
21:00 |
- |
- |
A Tabela 2
refere-se à casos ocorridos em Porto Alegre
e região:
|
Rel. nº |
Local |
Hora |
Tempo de Observação |
Direção (rota) |
|
14 |
Rua
João B. Reus |
21:15 |
5 a 10
seg. |
Nordeste/Sudoeste |
|
15 |
Rua
Tiradentes |
21:30 |
minutos |
Sudoeste/Nordeste |
|
16 |
Chácara
das Pedras |
21:00 |
5 min |
Sul/norte |
|
17 |
Vila
Santa Catarina |
21:30 |
- |
Sudeste/Noroeste |
|
18 |
Assunção |
- |
- |
Emergiu
do Rio Guaíba |
|
19 |
Alvorada |
- |
- |
- |
|
20 |
Ipanema |
- |
- |
- |
|
21 |
Mor.
Santo Antonio |
- |
- |
- |
|
22 |
Vila
IAPI |
- |
- |
- |
|
23 |
Ipanema |
21:00 |
minutos |
Emergiu
do Rio Guaíba |
Concluindo
A pesquisa
desta importante onda ufológica continua.
Nosso trabalho de coleta de dados continua a
partir dos próximos Boletins da SBEDV onde
novos dados são disponibilizados. Concluindo
esta etapa temos livros de pesquisadores
envolvidos e documentos da Força Aérea
Brasileira que trazem informações adicionais
e que serão devidamente analisadas por nossa
equipe, resultando em novas atualizações
para este estudo.
Novos casos
serão acrescentados e ao final poderemos
realizar uma estatística apropriada desta
curta, mas intensa onda ufológica do ano de
1971. Ao final deste artigo disponibilizamos
outras cartas celestes, tanto da região de
Itaperuna como de cidades gaúchas, com
outros detalhes, horários, e grades métricas
para quem quiser se aprofundar na análises
dos casos.
|