Abdução em Niterói

Por: Fenomenum Comentários: 0

Um interessantíssimo caso de abdução, ocorrido em 1956, em Niterói, antes mesmo do Caso Antônio Villas Boas, mas que só foi investigado em 1975.

Neste artigo:

Introdução

 

A – Dados:

Testemunha: Clélia T.R., dona de casa, mãe de duas filhas, e que contava à época do episódio, 22 anos de idade.

Local: Praia do Saco de São Francisco (prolongamento das praias de Icaraí e do Canto do Rio, situadas na cidade de Niterói, Estado do Rio de Janeiro), antigamente, era um local ermo, mas hoje é muito procurado, em virtude do belo panorama que ali se descortina da Baía de Guanabara, emoldurada pelas montanhas da vizinha cidade do Rio de Janeiro.

Data e hora do episódio: No dia 10 (ou 11) de setembro de 1956 e que perdurou das 11 hrs às 16 e 3 hs, aproximadamente.

Pesquisa realizadas: Em 17 de novembro de 1975, no início de 1976 e em 5 de maio do mesmo ano.

Resumo do episódio: Declarou a testemunha que encontrava-se sentada À beira da praia, às 11 hs, aguardando a condução que deveria levá-la de volta à sua residência, em Niterói, quando teve a sua atenção despertada para um objeto voador que, com estridente ruído, aproximou-se da praia e ficou pairando sobre o mar, próximo à arrebentação das ondas, fato que causou pânico aos banhistas ali presentes.

Informou que a sua memória sofreu, a seguir, um colapso, pois não se recorda da maneira pela qual foi transportada para o interior do objeto, onde se encontravam vários tripulantes. Um deles, dirigindo-se a ela em português, submeteu-se a exames, através de um aparelho. No Disco Voador, ela notou, também, a presença de uma das pessoas que se encontrava na praia, mas que pareceu achar-se inconsciente.

Ocorreu, em seguida, um segundo lapso da memória da testemunha, que não sabe explicar como encontrou-se novamente sentado à beira da praia, à espera do ônibus que a levaria a casa. Quando este chegou, nele também viajaram as pessoas que ela havia visto na praia pela manhã, quatro ou cinco horas antes, inclusive a personagem que, ao seu ver, encontrava-se inconsciente no interior do disco.

 

B – Relato do Episódio

Relato dos fatos que precederam o episódio:

A testemunha, do dia assinalado (10 ou 11 de setembro de 1956), havia deixado a sua residência, no bairro do Cubango, em Niterói, com o objetiv de ver uma pequena casa que se encontrava à venda no bairro do Saco de São Francisco (hoje chamado simplesmente São Francisco), onde chegou após uma viagem de ônibus de, aproximadamente 1 hora e trinta minutos. Depois de visitar o imóvel, do qual se agradou, e de conversar com a proprietária, retornou à margem da estrada a fim de aguardar o retorno do ônibus, que a levaria a sua casa. O horário do veículo obedecia a intervalos de 60 min. Fazia muito calor naquele dia e a testemunha, sentando-se num monte de pedras próximo à praia, distraia-se observando o movimento dos banhistas, que avaliou em torno de 15 a 20 pessoas, umas dentro e outras fora d’água.

Eram cerca de 11 horas, e ela preocupou-se ao pensar que ainda tinha que preparar o almoço das filhas, uma de um ano e meio e a outra de 3 anos. Nisso, a sua atenção foi atraída para um leve ruído, vindo do mar, o que ela relacionou a um ponto luminoso, e que descia sobre o mar. O ruído aumentava enormemente, a tal ponto que ela levou as mãos aos ouvidos, para protegê-los. O mesmo gesto ela notou num rapaz, que estava sentado na praia. Os banhistas, que antes se encontravam no mar, haviam-no abandonado, com receio do ruidoso objeto que se aproximava e, temerosos, se reuniam em pequenos grupos.

 

Dentro do disco

A ultima lembrança que a testemunha guardou, foi a de um objeto de grandes proporções, redondo e muito luminoso, a ponto de ofuscar a vista, e que estacionara a uns 25 metros da praia e a 5 metros da quebração das ondas e que baixara até a superfície da água, sem que esta, contudo, sofresse qualquer alteração. O ruído, entretanto, permanecia o mesmo: estridente, lacerante.

Segundo a testemunha, deve ter havido um lapso na sua memória, porquanto ela recorda-se a seguir, de achar-se estendida sobre um estrado, na penumbra, em um corredor curvo, sem saber a maneira pela qual fora transportada para ali. Em outro estrado, imóvel, encontrava-se o rapaz que, momentos antes, ela havia visto na praia, protegendo, na ocasião também, os ouvidos contra o ruído, como foi mencionado acima. Naquele recinto, o ruído continuava insuportável.

Percebeu, em seguida, a aproximação de duas personagens que caminhavam a passos lentos, mas de maneira natural, e cujas feições não pode distinguir, pois embora usassem capacetes translúcidos, estavam os mesmos embaçados. Eram mais altos do que ela (que em 1, 52 m), aparentando 1,75 m de altura. Usavam macacão de material que se assemelhava a lâmina de alumínio, com cintos do mesmo material, o qual cobria também as mãos e os pés, como se fossem luvas e sapatos. Sem nada dizer, eles tomaram Clélia e o rapaz nos braços e os transportaram, através de uma porta no corredor, para uma sala circular, de uns 20 metros de diâmetro, e os colocavam, novamente cada um em um estrado. Clélia supõe haver estado uns 20 minutos no referido corredor.

 

No interior da sala circular

Na sala onde fora instalada, Clélia continuava a perceber o ruído que tanto a incomodava. E súbito, aproximou-se dela um homem sem capacete, com os cabelos grisalhos, penteados para trás, e que se dirigiu a ela num português perfeito e melodioso. Ela queixou-se, então, do ruído que começava a deixá-la louca. Dizia-lhe isso, enquanto vedava o orifício externo dos ouvidos com os dedos. A personagem assegurou-lhe que, em breve, corrigira o som, mas que ela não devia vedar os ouvidos com os dedos, para não se prejudicar. O seu interlocutor aparentava 1,70 m ou 1,75m de altura, usava vestimenta igual a dos outros dois, mas tinha o olhos cheio. Os olhos eram escuros e penetrantes. Clélia não conseguiu ver-lhe os dentes, pois a boca se entreabria pouco, quando ele sorria. Caminhava mais depressa do que os outros dois, porém com movimentos suaves e seguros.

A personagem explicou-lhe, a seguir, que ela havia sido trazida a bordo do engenho para ser examinada. À uma interpelação de Clélia, referente ao banhista trazido, igualmente, para aquela sala, foi-lhe explicado que ele havia sido deixado inconsciente, porquanto não tinha condições de enfrentar a realidade sem medo e pânico como ela vinha fazendo, e que aquela fora a razão pela qual ela havia sido conduzida a bordo do disco voador, a fim de ser submetida a exames.

O homem tomou, Clélia nos braços e colocou-a sobre uma maca, que se encontrava próximo a uma parede, na qual estava fixado um aparelho de forma quadrada, e que era movimentado em todos os sentidos por uma espécie de sanfona. O aparelho foi, então, conduzido ao longo de todo o seu corpo e também lateralmente. Durante os exames, dele se projetava uma luz roxa. O ruído havia diminuído de intensidade e era agora perfeitamente suportável.

Pareceu a Clélia que o exame pelo aparelho de luz roxa havia durado uns cinco minutos, ao fim dos quais a personagem deu por encerrada aquela fase e disse que queria conversar com ela. Clélia retrucou que lamentava não ter, no momento, uma máquina fotográfica para poder documentar com retrato o inacreditável momento que estava vivendo.

Foi-lhe, então, indagado o que significava a palavra retrato, ao que Clélia respondeu exibindo uma carteira que trazia sua foto. A personagem retrucou-lhe que, no próximo encontro com ela, seria dado um jeito para que tal acontecesse. Ponderou Clélia que um próximo encontro seria difícil, pois ele ignorava o seu atual endereço e que o mesmo seria mudado em breve. Achá-la em qualquer lugar não seria problema para nós”, foi a resposta, porquanto pelo registro feito havia pouco pela máquina, ela seria localizada em qualquer ponto onde se encontrasse. A personagem acrescentou, entretanto, que, para um encontro, era preferível um ambiente ao ar livre, com vegetação ou água, pois recintos fechados não eram propícios a contato com eles. Nas suas abordagens e aproximações na Terra, eles usavam de muita cautela e sigilo, pois os terrestres podiam ser tentados a atacá-los, que levaria os mesmos a uma derrocada, o que devia ser evitado. Eles atuavam aqui pesquisando, e não eram inimigos, ao contrário, ajudavam.

Perguntou, ainda, à Clélia a razão de uma cicatriz que havia no seu baixo ventre, como podia ter ele notado aquela lesão na pele, que resultara de uma intervenção cirúrgica (cesariana), que ela submetera no ano anterior. A isso, ele respondeu que a nossa medicina era ainda, bastante atrasada, ao deixar cicatrizes tão feias, e que, por outro lado, para a máquina com que ela fora examinada não havia segredo, pois ela desvendava, mesmo através do vestuário.

Ainda com relação ao rapaz que permanecia inconsciente, ele explicou à Clélia que, posteriormente, a deixaria também, com amnésia parcial, ligada a determinados fatos que ela presenciara e sobre os quais haviam conversado, porque não convinha que ela falasse ao seu marido sobre os mesmos, pois caso ele não lhe desse crédito, poderia interná-la como doente mental, numa Casa de Saúde. Se, no presente, acrescentou ele, viessem a lhe faltar palavras ou ideias para relatar aquilo de que havia participado ou visto, para o futuro isso não aconteceria, pois, na hora certa, ela teria capacidade suficiente para descrever exatamente o que ora lhe estava acontecendo, a bordo do Disco Voador.

Foi-lhe, ainda mostrada a sala do comando, separada da sala circular. Nela havia uma parede, aparentemente de um vidro espesso, brilhante, através da qual podia distinguir-se o exterior, mas como se fora envolto numa neblina. Pelos cálculos de Clélia, ela teria permanecido cerca de três horas nas salas circulas e de comando.

 

A volta ao nosso mundo

Deve ter ocorrido outro lapso de memória, pois Clélia não sabe explicar como encontrou-se, novamente, sentada nas pedras, a beira da estrada, à espera de condução. Quando o ônibus chegou, juntamente com ela embarcaram outras pessoas, entre as quais os banhistas que ela havia visto na praia, inclusive o rapaz que, momentos antes, encontrava-se em estado de inconsciência, no interior do disco voador, próximo a ela.

Observou que durante a viagem os passageiros mantinham-se calados, mas recorda-se de que alguém perguntou que horas eram, ao que lhe fora respondido que eram 16:30 hs. Clélia notou, então, que o seu relógio havia prado nas 12:05 hs. Havia, assim, transcorrido 4 a 5 horas desde que chegou à praia.

Ao entrar em casa, perguntou-lhe o marido, com insistência, qual o problema que ela tivera naquelas horas em que estivera ausente. Ela de nada se lembrava e esqueceu-se mesmo de falar a ele sobre a casa que fora ver naquela manhã, motivo de sua ida ao bairro do Saco de São Francisco. Pareceu à Clélia que ela própria não queria lembrar daquele fato, que estava ligado ao ruído ensurdecedor que se gravara na sua memória, ameaçando-a levá-la à loucura.

Para o marido, ela argumentos que a casa não a interessava, pois o comercio local era muito precário. O relógio de Clélia que deixara de funcionar por ocasião dos acontecimentos acima expostos, não pode mais ser reparado, não obstante houver sido examinado por três relojoeiros.

Clélia relatou, ainda, que uma semana após a sua estranha experiência, teve a oportunidade de ler, em jornais, reportagens referentes a discos voadores que haviam sido avistados na cidade de Magé (estado do Rio de Janeiro). Nessa ocasião, o episódio que vivera ressurgiu, inteiramente na sua memória. Entretanto, somente cinco meses antes da nossa entrevista havia ela relatado, pela primeira vez a sua aventura no disco voador, e o fez à sua filha mais nova, então com 21 anos.

Quem trouxe Clélia à nossa presença foi o nosso amigo, ufólogo Carlos Arctur Ribeiro Rocha (Carlinhos Sideral para os amigos) e que, juntamente, com o engenheiro Altino Silva Nunes, interessado em Ufologia e promotor da conferência de Hynek, no clube de Engenharia, em setembro de 1975, procurou reconstituir fases do episódio ocorrido no Saco de São Francisco. Para isso, tentaram localizar a casa que Clélia visitara 20 anos antes. Todavia, em razão do grande desenvolvimento do bairro, agora com inúmeras construções novas, e que se constituiria em local muito procurado por aqueles que procuravam fugir à poluição dos logradouros industriais de Niterói não foi possível à Clélia encontrá-la. Possivelmente, já havia sido demolida para dar lugar à uma construção mais moderna.

O Dr. Altino foi, então, de parecer que o episódio relatado por Clélia não devia passar de um sonho ou de um período de ausência, pelo que ela devia esforçar-se para esquecê-lo inteiramente.

 

C – Esclarecimentos adicionais e comentários finais

Regressão ao episódio, em sono hipnótico.

Seis meses após o relato acima e 20 anos após a ocorrência do episódio focalizado, foi a testemunha submetida a uma hipnose regressiva, em 5 de maio de 1976, pelo médico e parapsicólogo Prof. Sylvio Lago, na residência deste, em Niterói.

O Dr. Lago, pela regressões, em estado hipnótico que provocou em testemunhas de UFOs, como os Srs. Benedito Miranda e Onilson Pátero, dispensa apresentação aos leitores deste boletim. No caso em apreço demonstrou abordagem cautelosa e manipulação segura da técnica de “indução para estado hipnótico profundo”.

A testemunha, Clélia, falava muito baixo, o que dificultou, posteriormente, a captação e a compreensão das suas palavras na fita gravada durante a regressão em hipnose. Em alguns trechos a fita apresenta também, defeitos, mas que não prejudicaram o resultado global. Durante a regressão, a testemunha confirmou, em linhas gerais, tudo o que havia relatado em estado consciente. A gravação ainda demonstrou o sentimento de viva apreensão da testemunha nos trechos referentes à aproximação do ruidoso veículo extraterrestre. Esta e outras coincidências do relato de Clélia, em hipnose e quando em estado de vigília, falam a favor de sua sinceridade.

Pelas manobras comprobatórias específicas, durante a regressão, foi confirmado o seu estado hipnótico (profundo).

Trechos da Regressão Hipnótica

Dr. Silvio Lago – Como está se sentido, minha jovem? Muito bem, está sentindo um soninho gostoso tudo… Quando estiver mais profundo ainda, verá que este sono é altamente repousante. Ele repousa bastante… Ele vai repousar você demais… Vá chegando até àquele 1º de Janeiro, o dia em que você saiu para ver aquela casa que pretendia comprar… Vá descrevendo aquele dia, como se você estivesse exatamente lá… Está bom ? Não chegou ainda aquele dia, 1º de janeiro? Você tem que aceitá-lo e progredir em seu arquivo (mental) até chegar exatamente em aquele dia em que você saiu para ver aquela casa que pretendia comprar… Vá descrevendo aquele dia, como se você estivesse nele… Você está. Você está naquele dia de setembro de 1956? De sua experiência! Agora, já está diferente. Você está vivendo exatamente como se fosse aquele dia, certo? Vá descrevendo como é que você acordou naquele dia. Com calma, vá me dizendo. Com calma, calma como você acordou? Aquele dia.. Você acordando… o que você pretende fazer ?

Clélia – A minha casa… A minha casa de (incompreensível).

Dr. Silvio Lago – Sim, prossiga.. Veja a roupa com que você está!

Clélia – Estou vestindo um vestido fino… Branco e (incompreensível) branca.

Dr. Silvio Lago – Como está o tempo, o dia?

Clélia – Limpo, bonito.

Dr. Silvio Lago – Sol?

Clélia – Acabou a visibilidade do tempo.

Dr. Silvio Lago – Você está bem de saúde?

Clélia – Estou… nem muito.

Dr. Silvio Lago – Então, você emagreceu não é?

Clélia – Em……………………… disse para mim, este é o mesmo ônibus que você deve visitar… aqui é a casa e depois é o ponto…………… porque você……… as duas casas…… ali é o jardim……… velho jardim ……… a praia…… o……… outubro. Numa rua escura. Eu não vejo nada. Só a praia. E estou confusa, estou tonta.

Dr. Silvio Lago – Está gostando? Já localizou a casa?

Clélia – Já. A senhora com este aventalzinho brabranco…… Perto, tem um lugar vago. Mandou me descansar… sentar… casa… um horário incorreto … a luz… as coisas… um momento muito bonito. Chegou perto, perto, (intervalo) bonito, muito bonito… eu não posso demorar muito, não posso demorar muito. Eu tenho que ir embora, eu tenho que ir embora.

Dr. Silvio Lago – Onde você esta?

Clélia – Portãozinho, portãozinho de madeira (fala sonolenta). Ainda acredito que qualquer menino possa pular (o portãozinho). Rio, de tão pequeno que ele é.

Dr. Silvio Lago – Você tem vontade de pular então?

Clélia – Eu não tenho. Mas (o portão) é pequeno, bem baixinho e tem… o sol está quente.

Dr. Silvio Lago – O sol está o que?

Clélia – Está quente e eu tenho que ficar no sol, esperando, aguardando ônibus chegar. A moça é muito boa. Eu vou levar……… não tem comércio nenhum aqui.

Dr. Silvio Lago – Então você já foi para casa?

Clélia – Não sei ainda. Falta subir. É muito longe. Tão bonitinha (a casa) é tão bonitinha. Mas, é longe do comércio, longe de tudo. Eu estou sentindo um calor… está tão quente, tão quente. Se ao menos tivesse um guarda-chuva uma coisa qualquer.

Dr. Silvio Lago – Você não?

Clélia – Só tem uma saída: me aproximar um pouquinho da praia. O ônibus vai demorar muito, muito mesmo. Oh, meu Deus! O que vou fazer aqui? Eu estou cansada de estar em pé… sol quente, está ficando tarde, muito tarde. Oh, já são 11h. Daqui (até) que chega em casa para dar almoço aos meninos,vai!… o pior este sol quente, cada vez mais quente. Estou com sede. Ai, minha boca seca… vontade de tomar um pouco d’ água. Aí, as pedras… eu vou procurar me sentar um pouco, que, ficando daqui, eu vejo ônibus chegar… agora, eu tiro mais um pouco sapato também, para descansar no pé um pouco. Aí eu vou embora……… está bem perto…… deles vindo… enquanto o uns esperam no sol, os outros se sentam na maior alegria. Mas o ônibus demora, demora tanto. Eu estou louca para ir. Doida para ir embora para casa. Eu vou me levantar um pouquinho, vou ficar um pouco em pé. Que sono… (pausa). (geme) Ai! Que barulho, que barulho!

Dr. Silvio Lago – Tenha calma!

Clélia – Não aumenta mais! Que barulho no meu ouvido!

Dr. Silvio Lago – Ele vai diminuir.

Clélia – Não, por favo! Ai! não agüento! Barulho , barulho! Ai! Ai! Ai! Está se aproximando cada vez mais! (……… Muito agitada).

Dr. Silvio Lago – O quê?

Clélia – Sim, muito barulho. Está descendo. É um ponto luminoso. Ai!

Dr. Silvio Lago – Preste atenção no ponto. Ele está…….. mas, veja o ponto. Como é que ele vai?

Clélia – Em cima, um ponto pequeno. Faz um ruído forte, cada vez mais! Oh! (muito agitada). Sol que estou sentindo bem perto, está todo mundo. Eu já não posso sair daqui, não posso andar! Meus pés estão colados no chão” Ai, esta se aproximando mais ainda, mais, mais! Vai descer, vai descer… está descendo! Ai, o que é que vai acontecer? Agora, não sei. Está descendo, está descendo…

Dr. Silvio Lago – O que disse?

Clélia – (Muito agitada) Aquela coisa! Ai, aquela coisa luminosa está descendo, está descendo mais! Está descendo de uma maneira suave, bem suave, bem suave.

Dr. Silvio Lago – E como é? Qual a forma dele?

Clélia – É de uma forma redonda, muito grande e todo iluminado.

Dr. Silvio Lago – De que cor?

Clélia – É uma cor estranha. É muito estranha, muito estranha. Uma espécie de nuvem ou fumaça, não sei bem explicar. Eu não entendo, existe um tipo de iluminação muito estranha, muito estranha, muito estranha.

Dr. Silvio Lago – De que tamanho é a pessoa? É um objeto? O que é que você acha que é isto?

Clélia – Está na superfície…

Dr. Silvio Lago – Hein?

Clélia – Está na superfície. Está parado na superfície da água.

Dr. Silvio Lago – Ah, na água.De que tamanho você acha que tem?

Clélia – Não dá para distinguir o tamanho exatamente. Mas eu sei que a grande.

Dr. Silvio Lago – Tem alguém? Você está vendo alguma coisa lá dentro?

Clélia – Não, não. As pessoas estavam tomando banho sair de dentro da água. Estão todas umas aconchegadas nas outras… feito pânico.

Dr. Silvio Lago – Veja bem. Veja bem objeto agora e repare bem, com toda a atenção. Você só dá atenção basicamente ao objeto que está vendo, dá detalhes.

Clélia – Está parado.

Dr. Silvio Lago – Veja bem.

Clélia – Comprido. E tem um tipo de iluminação.

Dr. Silvio Lago – Veja bem.

Clélia – ……… iluminação estranha, esquisita.

Dr. Silvio Lago – Descreva a iluminação que está vendo e de mais detalhes. Ele está se deslocando ou está quieto, parado?

Clélia – Quieto, quieto, porque, porque… o que é aquilo? Não sei… meu Deus, não estou sentindo medo! Eu estou sentindo dores fortes no ouvido, de ficar neste sol!

Dr. Silvio Lago – A dor vai melhorar agora, não se preocupe. Não vá prestar atenção agora no barulho. Preste atenção ao que você está vendo. O objeto é…. Tem a luz, modificou? Alguma novidade?

Clélia – Não.

Dr. Silvio Lago – Qual é a cor ?

Clélia – Continua tudo na mesma. (falando baixinho)

Dr. Silvio Lago – Mais alto!

Clélia – Continua tudo a mesma coisa.

Dr. Silvio Lago – Vá descreveu. E agora? Que está acontecendo?

Clélia – Agora, estou sentindo, estou sentindo uma coisa diferente…

Dr. Silvio Lago – Como?

Clélia – Eu estou sentindo que alguém está me carregar pelos braços.

Dr. Silvio Lago – Quem é? De que maneira?

Clélia – Os meus pés não estão tocando…

Dr. Silvio Lago – Como essa pessoa? Veja bem, veja. Agora você pode ver bem.

Clélia – Eu não posso ver porque meus ouvidos estão doendo e mesmos estão seguras.

Dr. Silvio Lago – Olha, faça um esforço. Não preste atenção agora aos seus ouvidos. Você está prestando atenção à pessoa que está lhe………. Veja bem como é a sua roupa, como é o tamanho, o seu tipo, veja bem parece um homem? (pausa) veja bem, presta atenção. Não dê atenção a seus ouvidos.

Clélia – Estranho!

Dr. Silvio Lago – Estranho? De detalhes, agora! Estranho como?

Clélia – Não sei explicar. O rosto, não consigo ver…

Dr. Silvio Lago – Com que tecido ? é um tecido igual nosso? Assim? Como é?

Clélia – Parece um tipo de tecido diferente. Mas não amassa, não amarrota.

Dr. Silvio Lago – De que cor? Branca?

Clélia – É!

Dr. Silvio Lago – Tem brilho?

Clélia – Um pouquinho de brilho.

Dr. Silvio Lago – É fechada? Tem botões?

Clélia – ……… Fechada.

Dr. Silvio Lago – Descreva bem agora. Só presta atenção a esses detalhes.

Clélia – Eles tem braços firmes, bem firmes.

Dr. Silvio Lago – Eles está segurando você?

Clélia – Estão sim.

Dr. Silvio Lago – De que modo eles estão segurando?

Clélia – Pelos braços.

Dr. Silvio Lago – Pelas axilas?

Clélia – Sim.

Dr. Silvio Lago – E você está com medo? Está sentindo o que?

Clélia – Não, eu não estou com medo não tenho medo.

Dr. Silvio Lago – Falar alguma coisa você? Você viu alguma coisa?

Clélia – Disseram uma coisa só.

Dr. Silvio Lago – O que foi?

Clélia – Disseram para eu ter calma, calma.

Dr. Silvio Lago – Falaram com voz natural?

Clélia – Não. É como se estivesse escutando: “Calma! Calma!…”

Dr. Silvio Lago – Dentro da cabeça?

Clélia – A dor vai passar. A dor vai passar. E falaram me carregando, carregando… agora, eu estou dentro de uma coisa esquisita.

Dr. Silvio Lago – Presta atenção. Eu quero que você me diga tudo o que está vendo agora, com todos os detalhes! Presta atenção. A coisa que você está vendo, como é? De que tamanho? Qual o mobiliário. Qual é o tipo de luz? Tem gente ou não tem? Que estão fazendo? Veja se distinguem bem tudo isso gravado com o? Agora, veja bem, que não escapa a sua observação!

Clélia – Eu estou numa (incompreensível).

Dr. Silvio Lago – Fala mais alto, mais alto!

Clélia – Eu estou numa coisa que acho seja uma plataforma, com um as janelas seguindo o mesmo feitio do objeto. É todo branco, de um material que nunca vi. Tudo muito limpo, um brilho estranho, mas é um tipo de iluminação; não é forte, é fraca, mas iluminado bem.

Dr. Silvio Lago – De onde é que vem essa luz?

Clélia – De cima, da parte de cima.

Dr. Silvio Lago – Você vê algum foco de luz?

Clélia – De cima, vem de cima.

Dr. Silvio Lago – Mais ver a cor dela………

Clélia – O que?

Dr. Silvio Lago – Sim. Mas ela tem um foco, tem uma lâmpada, um negócio assim?

Clélia – Não dá para distinguir.

Dr. Silvio Lago – Ela é (indistinto)

Clélia – Não. É uma cor só, mas é fraca.

Dr. Silvio Lago – E agora? O que estão fazendo?

Clélia – Agora, estão deitando um rapaz num banquinho próximo. A meu ver, parece que está morto, esquisito.

Dr. Silvio Lago – O que é?

Clélia – Não sei quem é.

Dr. Silvio Lago – Mas é uma figura humana?

Clélia – É. Estava na praia.

Dr. Silvio Lago – Ah, estava na praia?

Clélia – Eu não sei…

Dr. Silvio Lago – Como ele está?

Clélia – Não sei se ( ininteligível)

Dr. Silvio Lago – De que maneira está?

Clélia – Está de blusão.

Dr. Silvio Lago – Como é ?

Clélia – Está de blusão.

Dr. Silvio Lago – Veja bem!

Clélia – Ele não chora. Ele não grita. Parece que ele não sente as mesmas dores que sinto. Está se aproximando de mim. O que será que eles querem?

Dr. Silvio Lago – São iguais, os dois?

Clélia – São.

Dr. Silvio Lago – São tipos que você conheça parecidos? humanos?

Clélia – Eles caminham com passos humanos, mas, não se vestem como pessoas humanas.

Dr. Silvio Lago – Como é que você (incompreensível)

Clélia – Estão muito protegidos. Tipo de roupa protege bem, muito bem, seu corpo e sua cabeça.

Dr. Silvio Lago – Que fazem agora ?

Clélia – Agora, eles se aproximam de mim, me pegam como num passe de mágica. A porta está se abrindo. Nunca vi uma porta se abrindo assim.

Dr. Silvio Lago – O que mais?

Clélia – É… está ficando maluco. Não é possível!

Dr. Silvio Lago – Por que?

Clélia – Que é que eu estou fazendo aqui, nesta a coisa que não conheço? Não sei o que é? Pior é meu ouvido; dói, dói muito. Tudo isto para mim é estranho, é estranho. Eles estão me deitado numa mesa. (Clélia, cansada e agitada) Ah! Ah! Estão me deitando tão livremente. Não me amarram, não fizeram nada,… ser para eu descansar então desta agonia que estou sentindo, desta dor, deste ruído que não passa e esta mesa, esta mesa estranha… também acho que me saiu o ruído esquisito. Eu estou ouvindo. Não sei o que é que, mas, eu estou ouvindo, eu estou sentindo. Se esta dor pudesse parar, para eu poder prestar atenção a tudo, a tudo… (chora).

Dr. Silvio Lago – Isso passa, não há dor. A dor não interessa…

Clélia – Eles, agora, botaram o rapaz numa mesa igualzinha à que eu me de deito.

Dr. Silvio Lago – (incompreensível)

Clélia – O mesmo que fizeram comigo. Apenas ficaram parados alguns instantes.

Dr. Silvio Lago – Não fizeram nada? Não colocaram o aparelho?

Clélia – Não! Não! Não! Agora posso ver… um tipo de luz, nunca estive…… pode-se olhar como seu tivesse tirado raio-x e a mesa também.

Dr. Silvio Lago – Veja bem.

Clélia – A mesa…… uns ruídos diferentes, como se estivessem registrando alguma coisa.

Dr. Silvio Lago – Veja bem! Veja tudo, não perca nada!

Clélia – Agora, eles estão se afastando cada vez mais. A sala não é muito grande.

Dr. Silvio Lago – Veja o que você observa nesta sala.

Clélia – Eu só vejo, nesta sala, estas mesas. Escuto estes ruídos. Este tipo de luz parece que está… eu não sei, não entendo bem, mas, parece uma máquina, um troço assim como se estivesse me fotografando o corpo todo. E não sei, eu não sei, não entendo.

Dr. Silvio Lago – Como é o aparelho? Uma máquina? Uma máquina fotográfica?

Clélia – É um tipo de iluminação estranha. Ela desce um pouco do teto do objeto emite um som suave se afasta pouco.

Dr. Silvio Lago – De mais um pouquinho de detalhes.

Clélia – Eu vou contar tudo o que sei. Eu vou voltar ao mesmo local onde está coisa…… agora, eles foram embora. Vou novamente (sendo levada) pelos braços dos outros. Vê, aquele rapaz! Está morto! Não foi atacada por astronautas?

Dr. Silvio Lago – O que eles respondem?

Clélia – (É) porque aquele rapaz é fraco! (está desmaiado). Ele não vai sair dali (para outra sala) porque a idéia (dele) é pouca. (ele) tem a idéia fraca. O rapaz poderia ficar perturbado, não iria nunca entender o que está se passando.

Dr. Silvio Lago – O que você perguntou?

Clélia – As pessoas que estão fazendo isso não são as mesmas, pois, só desejo paz, paz e amor. Eles respondem que é justamente porão não entender que estou ali. Eles pedem que o me levantei vá para outra sala. Estamos na outra sala.

Dr. Silvio Lago – Onde você estava?

Clélia – Próximo dali mesmo. Mas (inaudível) bem pequenininha.

Dr. Silvio Lago – Qual o tamanho da sala em que você estava?

Clélia – Uma sala triangular. Nunca vi uma sala assim… eles me disseram para eu área “me agüentar”, que meu ouvido vai passar.

Dr. Silvio Lago – E você ficou lá?

Clélia – Fiquei sim. Um objeto saindo da parede e chegando bem próximo do meu ouvido…

Dr. Silvio Lago – Qual o aspecto da parede da sala?

Clélia – Está saindo da parede um tubo assim, parecido com uma sanfona… Ele se desloca e tem um tipo feito uma sanfona…

Dr. Silvio Lago – Você perguntou a eles para que serve o aparelho?

Clélia – Não, não perguntei. Porque meu ouvido já parou de doer. Então, me viraram do outro lado. Sai dali uma luz roxa, uma luz roxinha. Agora, o objeto está se afastando de mim, está sumindo na parede. Agora, meu ouvido não dói mais.

Dr. Silvio Lago – Veja tudo quanto é importante. Não deixe escapar detalhe algum. Veja tudo.

Clélia – Ele me levantou da cama, me sentou e pergunta: “agora, está sentindo mais alguma coisa?”. Eu disse: “Não, não estou sentindo mais nada”. “Acredito que estamos aqui não é para prejudicar ninguém!”. Eu respondi que sim, que acreditava.

Dr. Silvio Lago – Qual é a sua noção?

Clélia – Eu acho estranho, porque aquela dor passou. E ponho a mão no ouvido ele responde que não, que não, que vou ficar com uma marquinha agora; que eu não devia ter botado a mão, que aquilo era uma cirurgia. Eu não sabia que era uma cirurgia.

Dr. Silvio Lago – Para que, a cirurgia?

Clélia – Porque tinham me arrebentado os tímpanos. A dor era tão forte.

Dr. Silvio Lago – E ele deu pontos?

Clélia – A impressão que tive é que haviam me arrebentado os tímpanos, entende? Quando ele falou em cirurgia, eu… ele falou em cirurgia e disse… por que cirurgia, isso, não é uma cirurgia que você fez.

Dr. Silvio Lago – Será que ele não sabia que aquele barulho poderia estourar seus tímpanos? Eles, eles rebentaram?

Clélia – não sei.

Dr. Silvio Lago – Não verificaram não?

Clélia – Agora, que você já está bem, dormindo, o que se passou mais? Faça um bom resumo daquilo que for importante.

Dr. Silvio Lago – Você conversou com ele?

Clélia – Conversei.

Dr. Silvio Lago – O que você conversou?

Clélia – Ele disse: “Agora, você tem confiança na gente”. Disse: “Tenho”. Ele disse: “Agora, que você não está sentindo dor alguma, você pode conversar direitinho”. Eu disse: “Não tenho problema algum de dor”.

Dr. Silvio Lago – Qual foi a conversa?

Clélia – Ele disse que: “eu quero lhe fazer algumas perguntas”. Eu disse: “Está bem, pode fazer”. Ele respondeu: “Mas, primeiro você vai visitar minha sala”. Eu disse: “Que sala?”. Ele disse: “Minha sala de comando, a minha sala de comando. Sou eu quem comanda esta nave. Isto é uma nave espacial eu vou mostrar tudo à você”. Respondi: “Mas e não entendo nada disso”. Ele disse: “É por você não entender, que você vai ver. E tranque minha porta”. A sala é bonita e engraçada e tem vidro grosso, da mesma largura do objeto, a mas não dá para distinguir o mar, nem o céu e, nem a Terra, que tem uma brumazinha luminosa, também envolvendo. Ele disse: “Observe isto. Isto tudo é para controle nosso. Eles têm vários aparelhos. Todos eles tem também várias peças e servem para locomover uma coisa ou outra. É difícil você entender tudo isso que você está vendo, mas, tenho uma pergunta para lhe fazer”. Eu disse que sim. Ele disse que podia responder a todas as perguntas (feitas por ele ), porque eu era diferente do rapaz. Eu disse: “Diferente em que?”. Ele respondeu: “O rapaz, o corpo dele é perfeito. O seu não. Que marca é esta que você tem?”. Eu disse: “Mas, eu ainda continuo vestida, minha roupa não foi tirada! Como é que o senhor sabe que eu tenho uma cicatriz?”. Ele disse: “Todo o seu registro foi feito, assim como o do rapaz também, certo? Por isto, que eu sei que você tem uma cicatriz. Eu quero saber o que é isso”. Então, eu disse para ele que eu tinha feito uma cesariana, foi uma operação, havia seis meses. Ele me perguntou por que é que fiz a cesariana. Expliquei tudo direitinho a ele. Ele estranhou ter ficado aquela marca e disse que a cirurgia (terrestre) está muito atrasada.

Dr. Silvio Lago – O que não falou como teria feito a cirurgia, lá por eles?

Clélia – Entre ele disse que teria, se tivesse que fazer uma cirurgia, não ficaria marca alguma.

Dr. Silvio Lago – Muito bem. você não explicou como foi levada lá para dentro se foi pelas mãos deles ou se foi…

Clélia – Eu perguntei a eles como foi que me levaram para dentro; e a segunda vez que falei, eles se aproximaram de mim… tudo direitinho, bonitinho…. Ele explicou.

Dr. Silvio Lago – O que ele explicou?

Clélia – “Você veio para aqui da mesma forma que eu entrei”. Eu sairei de lá.

Dr. Silvio Lago – Mas você não explicou…

Clélia – Expliquei.

Dr. Silvio Lago – Como?

Clélia – As pessoas que ficaram na praia, ficaram sem movimento algum, elas não viram a transporte meu, nem do rapaz, nem na ida, nem na volta.

Dr. Silvio Lago – E como foi o transporte na ida e na volta?

Clélia – Fui primeiro. Eles tiram das pessoas que fica na praia, tiraram tudo… entendeu?

Dr. Silvio Lago – Perfeitamente.

Clélia – Daí, ele se aproximaram de mim. Depois, do rapaz, da mesma forma…

Dr. Silvio Lago – Pela mão?

Clélia – Não, não foi pela mão. Eles carregaram pelos braços, com as mãos molhadas.

Dr. Silvio Lago – Com as mãos molhadas?

Clélia – Sim. Do objeto até o local onde nós estávamos.

Dr. Silvio Lago – Qual era exatamente a seção?

Clélia – Não dá para ver. Não dá para ver direito, porque o material é compacto (opaco?), a mesma matéria que invadem o objeto envolve os tripulantes.

Dr. Silvio Lago – Aquela neblina?

Clélia – Aquela neblina.

Dr. Silvio Lago – Era uma pessoa ou eram duas, as que levaram vocês?

Clélia – Duas.

Dr. Silvio Lago – Uma de cada lado?

Clélia – Uma de cada lado.

Dr. Silvio Lago – A ponte dava passagem para três pessoas?

Clélia – Não dá para entender.

Dr. Silvio Lago – E na entrada do aparelho? Você via porta?

Clélia – Quando chegamos perto, uma porta se abriu. Uma, não. A porta se dividia, como se fosse uma porta mágica.

Dr. Silvio Lago – Uma para cada lado?

Clélia – Uma para cada lado. Depois ela fechava.

Dr. Silvio Lago – Depois abriu outra?

Clélia – Depois, tinha outra, antes da passarela.

Dr. Silvio Lago – Era o corredor circular?

Clélia – Era da mesma forma do objeto.

Dr. Silvio Lago – Você passou por mais duas portas?

Clélia – Passei. Passei a primeira, depois, a segunda.

Dr. Silvio Lago – Antes de sair, vocês passaram outra vez pelas mesmas portas na saída?

Clélia – Sim.

Dr. Silvio Lago – O que a pessoa falou? Falou nome dela?

Clélia – Não.

Dr. Silvio Lago – Falou o seu nome?

Clélia – Falou que sabia como (por quem) tinha processado (pela máquina) (muito baixo).

Dr. Silvio Lago – Fizeram uma combinação para mais tarde?

Clélia – Foi o que ele falou.

Dr. Silvio Lago – E como é que é? Você dava uma nota especial, um número?

Clélia – Não. Ele disse que havia feito o registro.

Dr. Silvio Lago – E como é que vão chamar você?

Clélia – Ele falou para mim: “você vai saber seu registro”.

Dr. Silvio Lago – E você vai saber se o registro?

Clélia – Sim.

Dr. Silvio Lago – Qual é?

Clélia – 3. S R K O.

Dr. Silvio Lago – O que quer dizer isso?

Clélia – Isso é o que ficou lá, para o registro meu.

Dr. Silvio Lago – E quando vão chamar você?

Clélia – Eu não sei.

Dr. Silvio Lago – Agora, Clélia, você vai despertar daquela fase chamada a amnésia (esquecimento) e vai contar tudo aquilo que eles não permitiram. Quanto tempo você ficou dentro da nave?

Clélia – Umas 3h30.

Dr. Silvio Lago – Mas, estamos aqui com vocês há mais de uma hora. Você não acha que tem mais ( coisas), que você não teve oportunidade falar ainda? Agora, você está falando com a permissão deles. Agora você vai vencer e vai poder relatar, pois você só está porque eles a permitiram, não é verdade? Já não há razão para conservar essa amnésia.

Clélia – Não há tempo para viver naquela sala. A sala que eles falaram que era fala de comando do que me fez várias perguntas sobre nós.

Dr. Silvio Lago – Você está naquela sala, naquela data, vivendo com realismo total, sem perder detalhes.

Clélia – Ele perguntou como era que nós vivíamos.

Dr. Silvio Lago – Mas, você não deu detalhes sobre como era a vida dele. Você não perguntou também não?

Clélia – Perguntas foram só feitas a mim.

Dr. Silvio Lago – Você não fez nem uma pergunta à ele?

Clélia – Não me foi permitido fazer perguntas.

Dr. Silvio Lago – Como foram as perguntas deles?

Clélia – Perguntaram como era nossa vida de um modo geral. Eu perguntei por quê. Porque o homem é muito agressivo, porque ele está sempre assim, de modo geral… uma pessoa que só pensa em guerra, só pensa em ferir. Eles disseram que este era o motivo primordial para entrar em contato com as terrestres… e que, através de mim, eles iriam colher muita coisa sobre o homem, sobre a maneira que a gente vive aqui, na Terra. Eles disseram que não poderiam, sob hipótese, alguma descer em qualquer lugar, (mas, sim) água, onde houvesse grama e mar. Mas que haveria sempre um meio de comunicação. E eu perguntei a eles se, um dia, ele poderia comunicar-se comigo, porque eu estava louca, doidinha, para levar alguma coisa dali de dentro, que era para provar a todo mundo que eu tinha estado ali. Ele disse que não, que não era o momento certo, que eu tivesse paciência, porque, quando esse dia chegasse, eles iam ver sim, mas não apenas um objeto e sim um documentário, um documentário para eu levar a quem quisessem que eu o levasse. A quem posso levar, se não conheço ninguém? ele me respondeu: “Mas você conhece. E vai saber a pessoa certa para entregar. É por este motivo que você vai passar por uma amnésia”.

Dr. Silvio Lago – Mas ficou certo que vocês você se encontrar outra vez?

Clélia – Eu acredito que sim.

Dr. Silvio Lago – Por que?

Clélia – Porque eu já encontrei a pessoa.

Dr. Silvio Lago – Já encontrou ?

Clélia – Já.

Dr. Silvio Lago – Como foi isso?

Clélia – (calada).

Dr. Silvio Lago – Quem é a pessoa? É daqui da Terra?

Clélia – É daqui da terra…

Dr. Silvio Lago – Você já teve contato com ele, não?

Clélia – O que ele vai me dar tenho que entregar uma pessoa.

Dr. Silvio Lago – Um objeto, qualquer coisa ?

Clélia – Eu tinha que entregar a uma pessoa. Eu disse que não conhecia ninguém.

Dr. Silvio Lago – Um momentinho. Espere aí, deixe… ajeitar aí a fita (da gravação), para ver todas as coisas que constituíram aquela fase de amnésia. Você vai relembrar, vai reviver de novo, vai viver de novo. Oh, Clélia, veja bem, vá falando tudo o que aconteceu de importante naquela fase do amnésia.

Clélia – Foi nessa sala que achava bonita e interessante. Tinha vontade de carregar, uma vontade imensa…

Dr. Silvio Lago – O que você queria mais carregar de lá?

Clélia – Qualquer coisa, qualquer coisa.

Dr. Silvio Lago – Que objeto era?

Clélia – Qualquer coisa.

Dr. Silvio Lago – Qualquer coisa… que objeto você estava vendo?

Clélia – Qualquer coisa.

Dr. Silvio Lago – O que era que tinha ido mais importante?

Clélia – Tinha uma coisa que eu achava que era adorno. Tinha uma parede, eu dizia assim para mim que esse material não existe na Terra, vocês não têm esse material. Eu tocava em tudo o que achava bonito e pedia. Ele dizia que: “Não pode. Não deve carregar nada, porque não vão acreditar em você. Ainda não é chegado o tempo certo para você ter alguma coisa. Vai ter uma coisa de grande base, um documentário para entregar a alguém”. Eu disse: “Mas eu não conheço ninguém”. “Mas não vai conhecer e vai entregar à pessoa certa, certinha. Você vai passar por uma fase de amnésia. Durante essa fase de amnésia, você vai passar por muitas sortes e sua vida. Sua vida vai se modificar e você vai sentir tudo isso. Você vai receber o seu código, vai receber instruções, receber ordens para vir a determinados lugares, para ter o que você precisa ter. Muitas coisas vão acontecer.

Dr. Silvio Lago – Mais alto.

Clélia – (repete) “E muitas coisas vão acontecer”.

Dr. Silvio Lago – A mais? Já se passaram vinte anos. Agora você pode falar todos as coisas?

Clélia – Posso falar sobre qualquer coisa?

Dr. Silvio Lago – Falou tudo o que tinha que falar ou tem alguma coisa que você não falou ainda?

Clélia – Foram feitas perguntas sobre nós, nossos procedimentos aqui na Terra, sobre o movimento aqui nosso. Que o aspecto era tão ruim… era a guerra, maldade… necessidades. Esse é o ponto primordial. Ele se agarram demais nisso. Por que acham que não podem, de maneira alguma, se aproximar do homem enquanto esse pensamento existir, de agressão. Porque eles têm uma força muito grande para destruir o homem.

Dr. Silvio Lago – Que tipo de força? Vocês sabe? Ele falou alguma coisa, de uma idéia de que força é essa?

Clélia – Deu sim.

Dr. Silvio Lago – Como é que você está? que tipo de energia? eletromagnética?

Clélia – Ele deixou transparecer uma coisa… é mental, a força mental que eles têm é grandiosa.

Dr. Silvio Lago – Não falo mais sobre uma possível ocupação de outro, outro espaço que não o nosso?

Clélia – Falou que eles são de outro planeta.

Dr. Silvio Lago – Mas, do mesmo espaço? No mesmo universo?

Clélia – Do mesmo universo.

Dr. Silvio Lago – Não pessoal?

Clélia – Não perguntei.

Dr. Silvio Lago – E a época agora é mais favorável?

Clélia – Sim, é mais favorável.

Dr. Silvio Lago – O homem está melhor?

Clélia – Está mais acessível, já aceita o ponto de vista sobre os discos voadores.

Dr. Silvio Lago – Vários, para todo mundo ver?

Clélia – eles já estão descendo, vários.

Dr. Silvio Lago – Fazendo o que? Permanecendo aqui na Terra, fazendo o que?

Clélia – Estão fazendo estudos sobre a Terra.

Dr. Silvio Lago – Como é que você sabe disso tudo?

Clélia – Como eu sei?

Dr. Silvio Lago – Sim.

Clélia – Porque…

Dr. Silvio Lago – Por que eles não conversam com os cientistas, que podem dar informações mais precisas? Conversam com pessoas, assim, inteligentes, mas que não tem um preparo técnico. Como você, por exemplo. Se ele perguntar qual a constituição do seu sangue, você não sabe dizer. Se eles conversassem com médicos, por exemplo, teriam informações melhores. Entendeu isso?

Clélia – Entendi.

Dr. Silvio Lago – Se ele conversa com um químico, com físico… quais são as forças que tem aqui, (sobre) matemáticas usadas, sobre outros espaços, outras coisas…

Clélia – É ambições desenfreadas. Porque esssa pessoa que o senhor está falando seria de uma ambição desenfreada, querendo tirar proveito disso. Porque não há número de pessoas que se dedicam de uma largura (base moral) toda científica.

Dr. Silvio Lago – Você disse que falou com um deles mais uma vez, ou não entendi bem. Falou com ele mais uma vez?

Clélia – Falei só naquela época. Na outra vez, eu tive a impressão de que estivesse sonhando.

Dr. Silvio Lago – Qual é a diferença? Qual a diferença do sonho e essa experiência que você viveu?

Clélia – A experiência, a experiência da praia foi ruim. Eu sentia dores e, na outra, não.

Dr. Silvio Lago – Qual foi a outra?

Clélia – A outra, estava em casa, deitada. Procurei ficar bem calma, sem ruído nenhum, não tinha ninguém em casa. Então, fiz todo o possível para entrar em contato.

Dr. Silvio Lago – Assim foi depois o terceiro ultimo dia, não foi? Então, conta lá o que aconteceu.

Clélia – Então, senti uma paz, uma coisa muito boa. Mas eu não dormi, eu não dormi. Eu estava com as pálpebras cerradas e vi aquele rosto na minha imaginação… exatamente igual…

Dr. Silvio Lago – Na sua imaginação, você disse? Como é que você pode fazer a diferença entre a sua imaginação e tudo isso que você relatou, que viveu? Qual é a diferença entre a sua imaginação e a coisa real, vivida?

Clélia – Qual é a diferença?

Dr. Silvio Lago – É!

Clélia – A diferença é que saí para ver uma casa e me assustei na rua. Em casa, eu estava calma, eu estava “buscando aquilo!…” Eu mesma estava desejando. A diferença é esta.

Dr. Silvio Lago – Você acha então que tivesse desmaiado por qualquer motivo, inclusive após ter ficado no sol muito tempo e tivesse sonhado com isso tudo? É possível?

Clélia – Não, não. Eu não desmaiei.

Dr. Silvio Lago – O sol não a fez desmaiar?

Clélia – Não.

Dr. Silvio Lago – Não desmaiava nem depois?

Clélia – Não.

Dr. Silvio Lago – Só poderia ser um sonho se você houvesse desmaiado e sonhado nesse período. Mas isso não aconteceu, não é verdade?

Clélia – É.

Dr. Silvio Lago – Você tem vontade de um contato, então, maior com ele?

Clélia – Tenho.

Dr. Silvio Lago – Então, venha cá, vamos fazer o seguinte, estar numa condição, num estado… Agora, você vai repousar uns minutos mais e você vai esperar, nesses minutos. Mas, vamos pedir a nossos amigos se eles querem aproveitar você num estado de receptividade, se eles querem dar alguma comunicação, fazer crítica ao trabalho que nós estamos fazendo. Sugerir outras coisas e complementar tudo isso sobre você. Coloque-se como um canal passivo, autêntico, para receber qualquer mensagem, porque você está num estado ideal, justamente para isso. Porque seu consciente não está atrapalhando você. Vai repousar bastante agora uns minutos mais. Quando você me ouvir falar novamente, você estará em condições. Acompanhando este trabalho que você já falou até agora, é sinal de que eles estão de acordo, que dão permissão. E então aconteceria isso e depois que falasse, você serviria de canal. Se eles quiserem dar uma mensagem, eles poderiam fazer agora, quando você voltar a falar. Então, descanse um bocado.

– Foi intercalada uma pausa de meia hora

Dr. Silvio Lago – Então você está exatamente em condições melhores para servir de canal. A qualquer interferência de nossos amigos que querem manter contato ou criticar, ou acrescentar, ou dar sugestões, enfim, em suma, estamos aqui, inteiramente a serviço deles, à disposição. Demos tempo para que você fizesse canal de comunicação, de você com aqueles mesmos seres que, por ventura, queiram aproveitar seu estado favorável para canal. Qualquer um pode se aproveitar de seus lábios, para conversar conosco, seu aparelho vocal.

Clélia – Não acredita, não acredita não…

Dr. Silvio Lago – Ah! Tem que ser fora, não será nas condições em que você está agora?

Clélia – Não!

Dr. Silvio Lago – Por que essas condições não favorecem o contato? Nós estamos aqui bem, com a melhor intenção, ajudando você… isto não serve, não facilita a comunicação?

Clélia – Facilita. Mas, para vocês não vai ser considerado válido. Eles querem uma coisa maior, prova material não existente aqui na Terra.

Dr. Silvio Lago – É importante para nós, mas, se eles tivesse uma mensagem que der uma substância… que continuem… Isto já seria uma excelente… Se eles dissessem: “Tal dia, tal hora, em tal lugar, vocês terão aí um avistamento da nossa nave”. É possível fazer isso?

Clélia – Eles acham que isso não é necessário porque eles já tem feito isso várias vezes, em vários lugares e está ficando de maneira mais acentuada cada vez mais.

Dr. Silvio Lago – Muito bem. Então vamos esperar que eles encontrem uma solução para isso. Como é que está agora? Dorme?

Clélia – Durmo.

Dr. Silvio Lago – Em estado de hipnose ou está acordada?

Clélia – Durmo em estado de hipnose.

Clélia T. R., abduzida na região do Saco de São Francisco.
Desenho de Clélia para o aparelho examinador.
Croquis em planta baixa do ambiente interno do disco voador, segundo Clélia.
Croquis em planta baixa do ambiente interno do disco voador, segundo Clélia.
Saco de São Francisco, local onde ocorreu a abdução de Clélia.

Referências:


  1. Boletim da Sociedade Brasileira de Estudos de Discos Voadores – Edição 129-131

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