Caso Barney e Betty Hill

Por: Fenomenum Comentários: Um comentário

O Caso Barney e Betty Hill é um divisor de águas para a Ufologia Mundial, pois representou uma mudança radical na característica dos contatos entre humanos e os tripulantes dos misteriosos OVNIs.

Neste artigo:

Por Jackson Luiz Camargo – ufojack@yahoo.com

 

Introdução

O Caso Barney e Betty Hill é o primeiro caso de abdução da Ufologia Norte Americana, e o primeiro caso a ser divulgado a nível mundial. O episódio teve como protagonistas o casal Barney e Betty Hill que viajam de Niagara Falls, onde tinham passado a sua lua de mel, para Portsmouth, no estado de New Hampshire.

 

Os Protagonistas

Barney e Betty são protagonistas do primeiro caso de abdução estudado e divulgado nos Estados Unidos, e o primeiro a ser divulgado a nível mundial. Muito se fala sobre o caso, mas pouco se fala sobre os personagens principais desta história, sobre como encararam os fatos por eles narrados, sobre seus conceitos pessoais ou mesmo sua formação e cultura.

Barney Hill nasceu em 20 de julho de 1922, em Newport New, Virgínia, tornando-se um ávido ativista social. Barney deixou a escola para trabalhar como estoquista de loja na Philadelphia, onde trabalhou pouco tempo. Ao completar 18 anos alistou-se no exército, alguns meses antes da entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial. Durante o serviço militar ele conheceu sua primeira esposa, Ruby com a qual teve um filho. Com a entrada do Estados Unidos na Guerra, ele serviu como atirador e motorista. Ele foi ferido por uma granada, perdendo vários dentes. Foi evacuado e precisou usar dentaduras a partir deste momento. Ele foi dispensado do serviço militar em julho de 1944, quando então passou a trabalhar no U. S. Post Office. Quatro anos depois nasceu seu segundo filho. Por todos era tido como um pai dedicado e exemplar. Participou do movimento escotista na Piladelphia, onde morava.

Betty Hill nasceu em 28 de junho de 1919, em Newton, New Hampshire, Estados Unidos. Eunice Elizabeth Barret, seu nome original, era a mais velha entre os cinco irmãos. Graduou-se na Sanborn Seminary, em 1937, e trabalhou na Universidade de New Hampshire (UNH), em Durham, por dois anos. Ela deixou os estudos para casar com Robert Stewart, em 7 de junho de 1941. O casamento durou 14 anos. Depois do divórcio, Betty retomou seus estudos na UNH, formando-se em 1958 em serviço social, exercendo a função por vários anos.

Barney Hill e Betty Barret eram ativistas sociais atuantes e conheceram-se na casa de amigos em comum. Sua amizade fortaleceu-se e transformou-se em um romance, resultando em um casamento realizado em 12 de maio de 1960. Na ocasião, Barney morava em Philadelphia, trabalhando como motorista do U.S. Post Office, e Betty Hill em Portsmouth. Barney aguardava uma transferência de seu emprego, o que obrigou o casal a permanecer em cidades diferentes. A transferência de Barney saiu, e então ele mudou-se para Boston, ficando mais perto de sua esposa. A Lua de mel do casou somente realizou-se em setembro de 1961 com uma viagem à Niagara Falls, na fronteira com o Canadá, ocasião em que se deu a abdução do casal.

Antes da abdução Barney Hill era absolutamente cético a respeito dos OVNIs. Do contato, as lembranças iniciais eram de uma simples observação inicialmente a longa distância, depois à curta distância, seguido estranhos sons ao redor de seu veículo, e finalmente uma espécie de despertar, em outro local, com o carro em movimento e um estranho lapso de tempo. Barney não soube explicar o que havia acontecido e preferia não comentar o episódio com ninguém. Foi pela insistência de Betty que o caso chegou ao conhecimento dos ufólogos e a pesquisa do caso teve início com a concordância, embora ainda tenha permanecido um tanto hesitante em comentar o assunto.

 

 

Barney e Betty Hill, na época do caso.

 

Barney e Betty Hill, segurando jornal com reportagem sobre o caso

 

A Abdução

A noite de 19 de setembro de 1961 estava muito calma, limpa e estrelada. O casal Barney e Betty Hill trafegava pela U. S. Interestate Higway 93, seguindo para Portsmouth, com chegada prevista para as 3 horas da manhã. A bordo do veículo estavam Barney, na direção, Betty, ao lado no banco do passageiro e a cadelinha Delsey, da raça Dachshund. Betty olhava para o céu estrelado quando viu um pequeno objeto luminoso, algo semelhante à estrela, que cruzava o céu rapidamente, em sentido descendente, a sudoeste. A princípio ela pensou tratar-se de um satélite, que na época eram muito mais raros de se ver do que hoje em dia. Repentinamente, tal objeto alterou seu curso, nas proximidades da Lua, deixando Betty intrigada. Ela comentou o fato com Barney e pediu que ele encostasse o veículo no acostamento para que ele também pudesse dar uma olhada. Ao parar no acostamento, ambos puderam observar o estranho objeto através de binóculos, confirmando que o mesmo mudava constantemente de curso e altitude.

Barney, cético, tentou explicar o avistamento como sendo o de uma aeronave comercial em rota para o Canadá. Eles seguiram viagem, mas Betty continuava perplexa com o avistamento. O estranho objeto luminoso ainda continuava com seus estranhos movimentos, e até mesmo Barney ficou intrigado, pois o objeto aparentemente acompanhava a trajetória do veículo. De tempos em tempos, Barney reduzia ou parava o veículo para confirmar estas impressões. Pouco depois, ao passar por Indian Head, o casal surpreendeu-se com a aproximação do objeto, que posicionou-se a 30 metros do solo, flutuando silenciosamente.

Barney saiu do veículo com o binóculo na mão para dar uma olhada no aparelho que subitamente desloca-se e posiciona-se sobre alguns pinheiros. Ele sacou uma pequena pistola de propriedade de Betty e caminhou em direção ao aparelho. Foi então que ele percebeu a existência de uma dupla fileira de janelas retangulares através do objeto. Nas laterais havia algo como que protuberâncias, uma de cada lado, com uma luz avermelhada na ponta. Com o auxílio de binóculo ele percebeu a presença de tripulantes no aparelho, que ele descreveu posteriormente como tendo a rigidez e disciplina de alemães. O aparelho inclinou-se na direção de Barney e lentamente começou a aproximar-se do assustado motorista. Um dos tripulantes olhou fixamente para Barney, que sentiu que seria levado a bordo do aparelho. Ele correu, em pânico, para o carro, gritando para Betty que eles teriam que sair rapidamente dali ou seriam levados pelos tripulantes do objeto.

Ele arrancou com o veículo em direção à rodovia, numa tentativa de escapar do local. Foi então que começaram a surgir estranhos ruídos ao redor do veículo, acompanhados de uma sensação de vibração penetrante. Eles dirigiram pela estrada durante algum tempo até ouvirem novamente outra série de ruídos acompanhado da mesma vibração penetrante. O que aconteceu a seguir foi um pouco confuso. Ambos tinham lembranças de algum tipo de luz alaranjada, de formato circular, além de algum tipo de obstáculo na rodovia, além de uma certa preocupação com um contato futuro. Pouco depois, eles procuraram por algum restaurante aberto para fazer algum lanche, mas não encontraram nenhum. Todos já estavam fechados. Eles seguiram então até a localidade de Concord, próximo à Rota 4 e em seguida seguiram para Portsmouth, com chegada prevista para as 3 horas da manhã. Ao chegar a Portsmouth ambos ficaram surpresos ao constatar que já amanhecia. A viajem havia demorado horas a mais do que o previsto e nenhum deles sabia explicar o motivo de tanto atraso. “Nós entramos em nossa casa, acendemos as luzes, e fomos para a janela e olhamos para o céu”, declarou Betty Hill, em seus escritos.

Naquela manhã, após chegar de viagem Barney sentia-se pegajoso e foi tomar um banho. Depois dele, foi a vez de Betty. Enquanto ela estava no chuveiro, Barney foi até o veículo, um Chevy Bel Air, modelo 1957, retirar a bagagem do porta malas. Em seguida o casal foi descansar. Mais tarde acordaram e resolveram comparar as lembranças. Cada um faria desenhos do que viu, em salas separadas e depois comparando-as para traçar similaridades. Barney sugeriu que o episódio deveria ficar apenas entre eles e que ninguém mais deveria tomar conhecimento do fato. Betty discordou. Até este momento, o casal sentia-se intrigado, mas calmo, quando rememoravam os fatos vivenciados na noite anterior. Ainda na tarde daquele dia, a tranqüilidade de Betty deu lugar à uma inquietação. Ela telefonou para Janet Miller, sua irmã, que era no momento a única pessoa com quem poderia conversar sobre o caso.

Janet Miller ouviu atentamente o relato de Betty e fez algumas sugestões. Ela sugeriu que Barney e Betty relatassem o incidente à Base Aérea de Pease e que realizasse um simples teste com bússola ao redor e na superfície metálica do veículo.

“Eu peguei a bússola e fui até o carro. Barney se recusou a ir, dizendo que ele estava tentando esquecer o que aconteceu. Ainda estava chovendo, mas eu podia ver meu carro claramente sob a luz da rua em frente da minha casa. Eu andei ao redor dele, segurando a bússola e não sabia o que eu estava procurando. Quando eu passei por ele, vi muitos pontos altamente polidos, do tamanho de um meio dólar, ou dólar de prata. O carro estava molhado da chuva, mas estas marcas eram perfeitamente visíveis. Eu me perguntava o que seriam. Coloquei a Bússola sobre eles e começou a girar e girar. Eu pensei que devia ser devido à forma como eu estava balançando a bússola, então eu coloquei-o no carro e tirei a minha mão. A bússola estava realmente girando e continuou a girar. Como eu estava vendo isso eu fui acometida de um terror profundo. Eu estava ali, em pé na chuva, sob a luz da rua, dizendo para mim mesma: ‘Não grite, mantenha a calma e não tenha medo, está tudo certo’.”

Barney e vizinhos próximos ao casal refizeram o teste da bússola pouco depois obtendo os mesmos resultados. Espantados com o fato, eles resolveram contatar a Base Aérea de Pease para relatar o fato. Naquele ocasião formava-se sobre a costa americana a tempestade tropical Esther, que afetou toda a costa de New Hampshire e do estado vizinho Maine. Após a passagem da tempestade, a irmã de Betty veio visitá-la e ver com seus próprios olhos as estranhas marcas com propriedades magnéticas presentes no carro do casal. Ao chegar ela estranhou o fato da mudança de humor em Barney que antes era brincalhão, fazendo truques mágicos, promovendo jogos e contando piadas. Agora era uma pessoa calada, introspectiva.

Janet Miller e outros familiares testemunharam o teste do compasso e constataram o giro descontrolado da bússola ao se aproximar das estranhas marcas. Nesse momento surgiu a suspeita de que tais marcas fossem radioativas, o que levou a todos a se afastar do veículo e a voltar para dentro da casa. Estes não foram os únicos detalhes estranhos. Os dois relógios de pulso do casal estavam parados e com o visor quebrado. O vestido que Betty usava na noite do avistamento estava danificado na parte superior. A barra da calça de Barney tinha restos de plantas na parte inferior e seu sapato estava raspado na parte superior. A correia do binóculos estava partida e havia ainda um estranho ferimento nas costas de Barney.

Tal conjunto de fatos anômalos foi um dos motivos principais para que os Hills buscassem ajuda externa na tentativa de explicar os mistérios associados à viagem. Inicialmente eles relataram a experiência para a Força Aérea Americana (USAF), na Base Aérea de Pease. Foi a partir daí que a investigação formal teve início.

Mapa com o trajeto da viagem de Barney e Betty Hill, na noite de 19 de setembro de 1961: nº 1 – Local onde o objeto foi inicialmente observado; nº 2 – Local onde Barney desceu do carro para observar melhor o objeto com o auxílio de binóculos; nº 3 – Local onde o casal foi surpreendido pela aproximação do objeto nº 4 – Local onde ocorreu a abdução.

 

Vista Aérea do local onde ocorreu a abdução (créditos Kathleen Marden)

 

Os Pesadelos de Betty Hill

Um dos detalhes mais interessantes do Caso Hill refere-se aos pesadelos de Betty que começaram pouco tempo após a experiência. Durante estas noites, Betty sonhava com o episódio em que viam o estranho objeto voador luminoso que os acompanhou durante a viagem. Não apenas isso, mas também cenas em que ela e seu marido eram capturados por estranhos homens que os levavam para dentro do objeto onde eram submetidos à exames físicos. Os sonhos eram repetitivos e demonstravam ser peças de um mesmo quebra-cabeças, estando muitas vezes relacionados entre eles.

Devido à intensidade e frequencia com que aconteciam, e à realidade que transmitiam, Betty começou a anotar seus sonhos em uma caderneta pessoal. Mais tarde, com a hipnose regressiva, confirmou-se que os pesadelos de Betty eram lembranças afloradas de forma involuntária por Betty. O conteúdo das sessões de hipnose com o casal é quase sempre concordante e complementar ao conteúdo dos sonhos de Betty. Em alguns casos, o sonho revela detalhe adicionais aos descritos pela hipnose. Em outros, a descrição é menos detalhada, mais ainda assim correspondente. A seguir transcrevemos alguns trechos dos diários de Betty Hill, escritos em datas diversas, mas condensados de uma forma aparentemente cronológica.

“No início, eu não contei à ninguém sobre isso, eles eram tão estranhos. Eu sonho que Barney e eu estávamos em algum lugar que não era a nossa casa, mas estávamos de férias ou algo assim. Eu podia olhar para fora da janela e haviam ondas e ondas de OVNIs aproximando-se; não apenas um. O céu podia estar todo iluminado com eles. Eu dizia: “Oh Barney, venha, vamos sair. Eles voltaram. Vamos sair e vê-los”. Então eles começavam a fazer alguma coisa. Eu não sei se eles estavam lançando bombas, ou o que, mas o mundo inteiro parecia estar em chamas. Estava tudo em chamas, como um atentado a bomba, eu suponho, nunca tinha visto um. E então, eu fico muito assustada e ele disse que eles queriam nos destruir ou nos capturar, algo assim.

Estávamos andando juntos e eu pude ver esse objeto atravessando o céu com luzes nele e eu estava toda excitada. Eu disse ao Barney: “Eles estão aí”. Você sabe, Nós estávamos finalmente indo encontrá-los. Eles pousaram e nós vimos eles pousando e nós estávamos excitados quanto a isso. E então eu os vi na estrada. Antes disso, eu não tinha medo. Eu estou olhando para ver que povo era aquele. Mas no momento eu vi eles na estrada e eu estou gritando no meu sono, dizendo para mim mesma: “Oh meu Deus, Eles não são o que eu esperava”. Eles não parecem com nada do que eu esperava. Eles parecem pessoas, mas eles são algo grotesco. Eu fico assustada.

Nos chegamos a uma pequena clareira na floresta. Diante de nós estava um disco quase tão grande como a minha casa. Estava escuro, mas parecia ser metálico. Nenhuma luz ou janela era visível e eu tive a impressão de que estávamos nos aproximando por trás daquilo. Nós andamos um ou dois passos na rampa que nos levou à uma porta. Neste ponto, eu fiquei assustada novamente e me recusei a andar. O líder falou com firmeza, mas de uma forma gentil, ressaltando que eu não tinha razão para ter medo. Mas quanto mais atrazo eu causasse mais longe eu estaria do carro. Eu dei de ombros e concordeu que poderia acabar com isso, mas eu percebi que não havia muita escolha nessa situação.

Estou lutando para acordar, eu estou no fundo de um poço profundo e eu preciso sair. Tudo é escuro. Estou lutando para ficar consciente. Lenta e gradualmente comecei a ficar consciente. Luto para abrir meus olhos por um momento e depois fecho novamente. Eu continuo lutando. Estou confusa e não tenho muitas sensações. Então eu venço a batalha e meus olhos estão abertos! Fico surpresa.

Eu sugeri que era necessário uma prova absoluta de que isso tivesse acontecido, talvez ele poderia me dar alguma coisa para levar de volta comigo. Ele concordou e perguntou o que eu gostaria. Olhei ao redor do quarto e encontrei um grande livro. perguntei se eu poderia levar isso comigo e ele concordou. Eu estava tão feliz e lhe agradeci. Abri o livro e encontrei simbolos descritos em colunas estreitas. Perguntou brincando se eu achava que eu pudesse lê-lo e eu disse que isso era impossível pois eu nunca tinha visto algo assim. Eu não estava lavando isso para fins de leitura, mas esta foi minha prova absoluta da experiência e eu poderia lembrar por muito tempo o que eu vivi. Depois eu perguntei de onde ele era e ele me perguntou se eu sabia tudo sobre o Universo. Eu disse não, mas gostaria de aprender. Ele foi para a parede e puxou um mapa”.

O tipo de pesadelo que aflingiu Betty Hill segue o mesmo padrão verificado em veteranos de guerra e testemunhas de grandes desastres. De um modo geral estes tipos de pesadelo surgem quando existem traumas ou experiências demasiadamente impressionantes ou assustadoras e se repetem continuamente se não houver um tratamento psicológico ou psiquiátrico adequado.

 

A Investigação

Em 21 de setembro de 1961, Betty telefonou para o 100° Esquadrão de Bombardeiros, da Base Aérea de Pease, em Newington, New Hampshire. Eles responderam todas as perguntas do oficial, mas Barney omitiu a fato de ter visto os tripulantes no aparelho. Naquele mesmo dia, o Major Paul W. Henderson telefonou ao casal e os interrogou novamente de forma extensiva. Betty notou que ele ficou muito interessado nos detalhes das estruturas laterais observadas no objeto. Novos contatos telefônicos entre o oficial e o casal ocorreram nos dias seguintes. Estas ligações foram gravadas com o consentimento do casal.

Naquela época, a Força Aérea Americana investigava oficialmente o fenômeno OVNI através do projeto Blue Book. O avistamento do casal Hill foi registrado no formulário 112, N° 100-1-61. No minucioso formulário, constam variados detalhes reportados pelo casal. Ali consta também uma informação que passa desapercebida da grande maioria das abordagens do caso. Na mesa noite em que ocorreu o avistamento e posterior abdução do casal, dois militares, o Major Gardiner D. Reynolds e o Capitão Robert O’ Daughaday, ambos da Base Aérea de Pease, avistaram um OVNI na mesma região relatada pelo casal. Além de avistarem o objeto, houve captação por radar. As descrições dos militares coincidem com o relato efetuado pelo casal Hill.

Apesar do conteúdo do formulário estar de acordo com o relato do casal Hill, a pesquisa da Força Aérea Americana foi inconsistente e procurou atribuir uma hipotética inversão climática aos avistamentos. Antes do resultado das investigações do Blue Book serem divulgadas, Betty procurou informações na literatura especializada em Ufologia. No dia 23 de setembro ela foi até a biblioteca da cidade de Portsmouth onde ela encontrou o livro do major Donald Keyhoe, The Flying Saucer Conspiracy, que foi o seu primeiro contato com o tema até então. No livro havia endereço para contato com a National Investigations Committee on Aerial Phenomena (NICAP), uma das mais conceituadas instituições de pesquisa ufológica nos Estados Unidos. Ela escreveu à NICAP contando suas experiências, incluindo o avistamento de Barney a respeito dos tripulantes do objeto.

Poucos dias depois começaram os pesadelos de Betty Hill. Geralmente eles apresentavam uma cena diferente do que ela lembrava conscientemente. No sonho, após a primeira sequencia de sons, o casal é capturado pelos tripulantes do objeto e levado a bordo do aparelho. Os sonhos são tão vívidos e estarrecedores que Betty acordava e escrevia avidamente para aliviar a pressão. Os sonhos repetiram-se continuamente nas semanas seguintes. Em novembro, ela comparou diversas anotações e percebeu que havia uma sequencia lógica neles.

A 17 de outubro, o casal recebeu uma carta da NICAP acusando recebimento do relato e informando que o pesquisador Walter Webb investigaria o caso. Dias depois, em 21 de outubro, Walter Webb esteve na residência Hill onde entrevistou o casal por aproximadamente 6 horas. Webb coletou todos os detalhes recordados do avistamento do casal, mas as investigações não pararam por aí. Com a crescente divulgação do caso outros investigadores apareceram.

Robert Hofmann e C. D. Jackson, na época funcionários da empresa IBM, escreveram ao casal Hill, em 3 de novembro de 1961, se apresentando e solicitando uma entrevista pessoal. De início eles estavam interessados em identificar a origem do estranho aparelho. A entrevista ocorreu a 25 de novembro na residência dos Hills que, a princípio, imaginaram estar diante de representantes do governo que teriam respostas para os pontos obscuros do caso. Tal entrevista resultou em mais dúvidas do que respostas. Betty Hill escreveu em seu diário: “Eles nos questionaram em áreas específicas. Quantas milhas de distância de Colebrook para Portsmouth? Qual a duração estimada da viagem? Por que nós viajamos entre 25 a 30 milhas por hora em uma noite límpida sem tráfego numa rodovia de alta velocidade? O que aconteceu durante as duas séries de beeps? Algum de nossos pertences estava sumido? Como Delsey, a cadelinha, se comportou durante o episódio? Ocorreram eventos estranhos depois disso? Foi descoberto traços de nitratos no carro? Eles estimularam nossas mentes e fomos capazes de vislumbrar áreas específicas em determinados momentos”.

Essa entrevista despertou o interesse do casal em descobrir maiores detalhes a respeito do aparente “missing time”, tempo perdido, decorrido entre as duas séries de beeps, ocorridos durante o avistamento. Nos dias seguintes eles procuraram reconstituir a sequencia de eventos decorridos entre o início do avistamento e a chegada em Portsmouth. Entretanto, apesar dos esforços, um período de aproximadamente 2 horas ainda permanecia em mistério. Soma-se à isso a misteriosa doença que se abateu sobre a cadela Delsey dias após o contato. Ela desenvolveu uma infecção epidérmica que foi tratada por um veterinário. Além da infecção ela apresentou problemas respiratórios logo após o contato. Delsey estava com o casal apenas a 6 meses e infelizmente não existia um histórico de saúde prévio para comparação. Betty também notou uma alteração no comportamento do animal após a noite de 19 para 20 de setembro de 1961. Após aquela noite, Delsey choramingava, agitava a perna e movimentava a perna como se estivesse correndo, durante o sono.

Estes detalhes, grandes e pequenos, motivaram ainda mais a busca por respostas. Barney e Betty, com muita frequencia, refizeram o trajeto de Indian Head para Portsmouth, procurando identificar locais específicos do avistamento, procurando reorganizar ou relembrar detalhes do avistamento. Curiosamente, algumas situações vividas durante estas viagens resultaram em situações de muito medo, sem motivo aparente. Nas primeiras horas da manhã de 17 de janeiro de 1962, o casal trafegava próximo ao South Postal Anex, em Boston, quando viu um grande objeto arredondado de coloração avermelhada, cruzando lentamente o céu. Em outra ocasião, Barney, sozinho, seguia pela estrada, já a caminho de casa, durante à noite, quando encontrou a rodovia paralisada para obras. Na ocasião ele sentiu um medo paralisante ao ver os operários trabalhando na rodovia. Em outra ocasião, repentinamente, o carro foi rodeado por adolescentes às margens da rodovia. Diante dessa situação, Betty entrou em pânico e tentou fugir do carro a todo custo. Esta reações de pânico, aliados aos sonhos assustadores repetitivos, levaram o casal à buscar ajuda psiquiátrica.

Em 12 de março de 1962, eles escreveram ao psiquiatra Patrick Quirk, de Georgetown, Massachussetts, solicitando uma consulta para o sábado pela manhã. Eles tinham intenção de submeter-se à hipnose regressiva para recuperar suas lembranças e obter detalhes que possibilitassem um estudo científico do caso, de maneira discreta, evitando exposição. Dr. Patrick decidiu não utilizar hipnose e sugeriu que os Hill procurassem buscar recuperar suas lembranças de forma natural.

Seguindo a recomendação, o casal procurou recuperar suas lembranças através das viagens regulares aos locais dos fatos, ordenando os detalhes numa seqüência lógica e conversando com alguns ufólogos que acompanhavam seu caso. Entretanto, este processo era lento e gerava ainda mais ansiedade ao casal. Somente no final de dezembro de 1963, o casal pôde explorar de forma satisfatória suas experiências e recuperar as lembranças da noite de 19 de setembro de 1961.

Em 14 de dezembro de 1963, o casal realizou a primeira consulta com o psiquiatra Benjamin Simon. Inicialmente cético com relação aos OVNIs e uma possível manifestação extraterrestre em nosso planeta, o Dr. Simon aceitou ajudar o casal com o intuito de reduzir os problemas de natureza psicológica e ansiedade que surgiram após a experiência pelas quais o casal passou. A área de atuação deste psiquiatra era justamente tratar traumas emocionais adquiridos em situações extremas, como desastres naturais e combates, tendo atendido numerosos veteranos da Segunda Guerra Mundial.

Betty Hill no local onde ocorreu a abdução.
Barney Hill aponta para os pais de Betty o local de pouso do objeto, no início da abdução do casal.
Betty Hill no local onde ocorreu a abdução

 

As Hipnoses Regressivas

Em 14 de dezembro de 1963, na primeira consulta de Barney e Betty Hill com o Dr. Simon, este explicou o que era a hipnose, ressaltando que ela não era uma ferramenta mágica para recuperação de lembranças, nem passo indispensável para se obter a verdade, mas que se tratava de uma ferramenta útil no processo. Ele realizou uma demonstração inicial para o casal que interessou-se pela possibilidade de enfim recuperar as lembranças perdidas. As três semanas seguintes, o Dr. Simon realizou um procedimento de condicionamento com o casal, visando facilitar a entrada em estágios de transe profundo no futuro. Nenhum meio químico foi utilizado durante os procedimentos.

Nos meses seguintes foram realizadas as sessões de hipnose regressiva com foco na experiência de setembro de 1961. O Dr. Simon hipnotizou cada um separadamente, ordenando que esquecessem novamente o conteúdo recuperado sob hipnose. Essa técnica tinha dois objetivos. Primeiro servir como uma blindagem emocional para que o casal pudesse suportar o peso das informações recuperadas. Em segundo lugar, impedir que o casal trocasse informações sobre suas lembranças, possibilitando aferição às informações. Cada uma da sessões foi registrada em áudio para controle. Após concluída as sessões de hipnose regressiva, o Dr. Simon apresentou o conteúdo das fitas para o casal e permitiu que eles relembrassem os fatos ocorridos durante a abdução em setembro, reconstruindo a seqüência de eventos daquela noite.

Ao longo destas sessões, a própria visão do Dr. Simon, a respeito do caso, alterou-se em face das informações recuperadas. No início do tratamento, o psiquiatra testou continuamente sua hipótese de que Barney havia absorvido o conteúdo dos sonhos de Betty, tendo produzido novas fantasias para preencher aquele período de tempo perdido. Ele, de fato, usou sugestão e persuasão para tentar convencer o casal de que suas lembranças não eram necessariamente reais. Mesmo ao término da série de sessões, o casal permaneceu inabalável em suas lembranças.

 

A Hipnose em Barney Hill

Barney relatou sob hipnose detalhes da viagem de ida à Montreal e à Niagara Falls, e o começo da viagem de volta até proximidades de Lancaster, onde houve a primeira observação do estranho objeto voador. Pouco tempo depois do começo da observação, Barney começou a ficar preocupado com a presença do estranho objeto.

Eu estou começando a me sentir alarmado e espero encontrar algum tráfego… algum carro… ou ver a Polícia Estadual chegando e dizer: “olhe aquilo… está nos seguindo”. Mas ninguém se aproximou e eu me senti muito desconfortável“.

Barney descreveu detalhadamente os movimentos realizados pelo objeto e a seqüência de paradas realizadas durante esta fase da experiência. Seis milhas ao sul de Cannon Mountain, Barney parou novamente seu veículo para observar o objeto, constatando que as árvores no local bloqueariam qualquer observação. Seguiu mais 13 milhas para o sul, chegando próximo à Indian Head. Esta região era familiar à Barney e oferecia um otimo campo de visão. Barney inicialmente relata a presença da nave e solicita ao Dr. Simon permissão para acordar e sair do transe hipnótico. O psiquiatra nega autorização e pede que ele continue o relato assegurando que não haverá problemas em continuar. Barney então descreve, em tom nervoso:

Ele está sobre a minha direita. Deus, o que é isso? Eu tento manter o controle, mas não posso dizer para Betty que eu estou assustado. Deus, eu estou assustado“.

Novamente o Dr. Simon tenta aliviar a tensão de Barney assegurando-o de que recuperar estas memórias não será prejudicial à ele. Barney interrompeu o psiquiatra aos gritos, em um evidente descontrole emocional. Até este momento, Barney apresentava-se muito calmo, e preocupado apenas em encontrar algum lugar para passar a noite. Um lugar que não o rejeitasse por ele ser negro e que aceitasse receber também Delsey, a cadelinha de estimação do casal. Como não encontraram nada disponível seguiram viagem. Mais tarde, a preocupação de Barney, já durante a observação do OVNI, era estar em local movimentado, pois isso lhe dava sensação de segurança. Agora, em evidente descontrole emocional, Barney relatava a ultima fase do avistamento recordada pelo casal. O que viria a ser lembrado a seguir seria inteiramente novo para todos.

Esta ultima fase corresponde ao momento em que Barney aproxima-se do aparelho, observa os tripulantes através das janelas e assustado tenta fugir do local. Na sequencia vieram os estranhos bip-bips, a sensação de topor e um novo bip-bip.

Isto é ridículo! Oh, isso é grande” Oh meu Deus. Oh meu Deus. Eu posso vê-lo. Ele está ali. E tem luzes! Oh Jesus, Eu não acredito nisso! Eu não acredito nisso! Eu não acredito nisso! É grande e tem pessoas lá e eles estão olhando para mim. Oh meu Deus, ajude-me! se existe um Deus, ajude-me! Chegando perto, Eu estou chegando perto. Tem um homem lá encima e ele não vai me deixar ir embora!

Oh! Oh! Isto é grande… 80 pés. Olhe para isso! Oh, olhe para isso… duas luzes vermelhas. Elas estão nos lados disso. Isso parece como uma panqueca… Isso parece… Eu não vou dizer isso. Eu não acredito que discos voadores são… [reais]. Eu não vou dizer isso. Eu nunca mais vou querer dizer isso de novo“.

Barney, em seguida, descreveu como fugiu apressadamente para o carro e em seguida saindo pela rodovia para encontrar o objeto novamente pouco depois. Antes da hipnose, o casal lembrava-se de ter passado pelo o Clarks Trading Post e pouco depois ter começado os estranhos sons no veículo seguido de uma ligeira perda de consciência por parte dos dois protagonistas. Depois disso, suas lembranças eram meio vagas. Houve um novo bip-bip, alguns pontos de referência que foram lembrados pelo casal e após isso a consciência voltando ao normal. Betty procurou avistar novamente o OVNI que desta vez se afastava. Com a hipnose, eles perceberam que a experiência era muito mais profunda e assustadora do que esperavam.

Sob hipnose, ambos lembraram que após o primeiro bip-bip e a perda de consciência subsequente, Barney saiu da rodovia 3 e entrou em uma estrada lateral até chegar à uma ponte ferroviária onde havia o que parecia ser um bloqueio na estrada. Num campo nas proximidades havia o que parecia ser uma lua cheia avermelhada, pousada no solo. Algumas pessoas sinalizavam para que parassem o veículo e descessem do carro. Tais seres, que tinham o aspecto baixo, porém forma humanóide (semelhante à humana), se aproximaram do carro do casal. Dr. Simon, inicialmente cético. Eles se dividiram em dois grupos e aproximaram-se do veículo do casal que ficaram assustados.

Barney descreveu que dois seres ajudaram-no a sair do carro. Ele sentiu dois olhos aproximaram-se dos seus e em seguida sua mente ficou em branco. Ele não conseguiu reagir e dois seres o ampararam para que não caísse. Eles foram escoltados para dentro do aparelho pousado no campo. Barney tentou reagir contra seus captores, mas parou em seguida devido à algum tipo de controle externo, ao qual não pôde resistir.

Eu estou fora do carro e eu estou saindo da rodovia e entrando no bosque. Existe um brilho alaranjado. Existe alguma coisa lá… Oh! Oh! Se apenas eu tivesse minha arma. O que eles querem? Esses olhos malucos estão em mim. Eles estão comigo. Nós subimos a rampa. Meus pés apenas tocam e eu estou em um corredor. Eu não quero ir e não sei onde Betty está. Os olhos estão me dizendo para ficar calmo. Eu irei me acalmar. Eu irei me acalmar. Se eu não for prejudicado eu não irei atacá-los, mas se me prejudicarem de alguma forma eu atacarei. Estou entorpecido. Estou entorpecido. Eu não estou sentindo meus dedos. Minhas pernas estão entorpecidas.

Eles estavam do meu lado e eu tive um sentimento engraçado porque eu sabia que eles estavam me segurando, mas eu não conseguia senti-los. Senti-me flutuar… suspenso. Eu só percebi que eu não conseguia sentí-los quanto estávamos indo para cima em um plano inclinado e, em seguida, senti que eu não poderia sentí-los. Contudo, meus braços estavam apoiados. Meus cotovelos estava para fora e eu estava em movimento, mas eu não estava andando“.

Barney foi levado à sala onde foi examinado pelos tripulantes do aparelho.

Eu fui levado para uma sala e eu fui colocado em uma mesa e eu estava com medo, mas de alguma forma não o suficiente para correr. Eu achei que poderia acabar logo se eles não me fizerem mal. Parecia com uma mesa de operações… ou de exames médicos. Eu não sei. Eu apenas sei que ela me suporta inteiramente e que é muito limpa… nada elaborado… apenas que eu posso ficar nela, e meus pés ficam para fora, na parte inferior dela.

Eu sinto meus sapatos serem removidos e minhas calças serem abertas. E eu posso ouvir um ruído do que eles podem estar fazendo. Eles puxam minhas calças através das minhas pernas. Eu pude sentir eles me virando e inserindo algo no meu reto. Era um tubo. Não foi doloroso. Eu pensei que era apenas um pouco maior que um lápis. Eu sinto isso entrando com facilidade e também quando é retirado. Eles olharam minhas costas e pude senti-los tocando com os dedos meu corpo como se estivessem contando a minha coluna vertebral. Senti algo tocando-me na base da espinha, como um dedo pressionando. Um único dedo. Eu só podia ouvir isto: mum… mum… mum… mum, mum, mum. Depois fui virado novamente. Minha boca foi aberta e pude sentir dois dedos puxando para trás. Então eu pude ouvir o som de mais homens chegando e eu pude ouvir eles sussurrando entre eles do lado esquerdo da mesa onde eu estava e, alguma coisa ferindo meu braço, algo como uma vareta. E estes homens saíram e eu fiquei com os três homens… Os dois que me trouxeram e outro que parecia acompanhá-los. Eu posso dizer que havia mais de uma pessoa na sala. Mas um só homem parecia estar movimentando-se em torno do meu corpo o tempo todo“.

Barney acrescentou ao longo das hipnoses que houve um exame em suas orelhas e que eles tinham um grande interesse em sua estrutura óssea. Em seguida houve um exame em seus órgãos genitais. Barney declarou que algum tipo de solução foi colocado sobre seu pênis e em seguida ele sentiu algo como um puxão, ou algum tipo de pressão, mas sem qualquer sensação de ereção ou ejaculação, ou mesmo de prazer associado ao processo. Embora não houvesse uma certeza da parte da Barney, ele acredita que nesse momento foram coletadas amostras de semem.

Os depoimentos de Barney e Betty Hill são absolutamente coincidentes, divergindo apenas na descrição do tratamento recebido por parte dos abdutores. Betty Hill teve um tratamento até certo ponto amigável e hospitaleiro por parte dos tripulantes, havendo inclusive conversação, enquanto que Barney, na maioria das vezes esteve subjugado, sendo apenas analisado biologicamente. Possivelmente esse tratamento se deve pela postura adotada por cada um nos momentos iniciais da abdução. Betty foi mais colaborativa, enquanto Barney procurou reagir à captura. Em função disso, em alguns momentos, Barney estava inconsciente e mesmo sob hipnose, não foi possível recuperar lembranças destes momentos.

A Hipnose em Betty Hill

A Hipnose em Betty ocorreu de maneira similar à de Barney. Ela relatou os eventos anteriores à abdução, de forma clara e objetiva. Ela descreveu, a partir do seu ponto de vista os momentos iniciais do avistamento, até o momento em que ouviu o estranho bip-bip, seguido pela sonolência e letargia, recordados naturalmente. Ela descreveu o momento em que Barney saiu do carro, penetrou na escuridão para observar o estranho objeto, o momento em que voltou, visivelmente apavorado e o momento em que o carro entrou na rodovia lateral até o local onde a abdução ocorreu.

Eu estou pensando que estou dormindo e tenho que acordar. Eu tenho que acordar. Eu não quero dormir. Eu continuo tentando. Eu tenho que despertar. Eu não quero dormir. Eu tento e volto novamente. Eu continuo tentando. Eu fico tentando acordar“.

Neste trecho da hipnose, Betty altera seu tom de voz:

Então eu consigo! Eu abro os olhos e eu estou andando por entre as árvores. Apenas abri rapidamente os olhos e então fecheio-os novamente. Mesmo que eu esteja dormindo, nós estamos andando“.

Na sequencia desta sessão, ela relata como foi escoltada por entre as árvores, até uma nave pousada no campo. Haviam dois homens a sua frente e um terceiro logo atrás dela. Em dado momento ela olha para trás e vê seu marido, Barney, ser amparado por dois dos tripulantes em direção ao objeto. Barney aparentemente estava inconsciênte, pois seus olhos estavam fechados. Nesse momento ela ficou irritada com o tratamento dado ao marido e tentou falar com ele, em vão:

Barney, acorde!

Um dos seres que vinha logo atrás exclamou em inglês:

Oh – o nome dele é Barney?

Betty, furiosa apenas falou:

Isso não é da sua conta!

Diante da reação de Betty ele falou para que ela não tinha motivos para ter medo, pois eles apenas queriam fazer alguns testes, e assim que eles terminassem o casal seria levado de volta ao veículo.

Nós continuamos pela floresta… para a nave no solo. Era de metal, oval ou algo assim. Você sabe, não era brilhante. Era noite de muito luar. Não era tão claro quanto o dia, mas eu podia ver. Ele estava no solo… Havia uma rampa que descia. Era grande. Havia uma clareira na floresta com árvores ao redor… Eu pensei que iria fazer um inferno lá fora se pudesse. Eu não conseguia. Este homem estava ao meu lado. Tudo o que eu podia dizer era ‘Barney! Barney!, Acorda!’.”

Betty Hill também foi submetida à exames médicos a bordo da nave.

Nós subimos a rampa e entramos e havia um corredor. E havia uma porta e havia uma luz lá dentro… e havia uma sala, e havia uma luz dentro desta sala. Era uma luz azulada. E eu queria que eles colocassem Barney e eu na mesma sala. Quando eu subia a rampa e entrei no corredor, Barney estava atrás de mim, e eu comecei a entrar na sala… e eu apenas comecei… e eles levaram Barney. Havia dois homens… os primeiros dois, e então, havia dois homens na minha frente e dois de cada lado da porta. O homem que estava ao meu lado mostrou-me a porta e eu passei, e ele veio atrás de mim e os outros homem ficaram com Barney.

Nós entramos nessa sala e alguns dos homens vieram junto com esse homem que falava em inglês pararam por um minuto. Eu não sei quem eles eram. Eu acho que eles eram tripulantes, mas apenas ficaram pouco tempo. O homem que falava inglês estava lá e outro homem aproximou-se e eu não o tinha visto antes. Eu acho que ele era um doutor. Existe um banco… branco… é branco? Eu não sei se é branco ou cromado. Existe um banco e eles me colocam no banco. Existe um pequeno suporte. Minha cabeça está apoiada no suporte.

Eu tinha um vestido azul e eles levantam a manga do meu vestido e eles olham para o meu braço aqui, e eles olham para o meu braço. eles viram me braço e olham para ele. Eles têm uma máquina. Eu não sei o que é. Eles trazem a máquina e colocam isso. Eu não que tipo de máquina é. É algo como um microscópio, apenas como um microscópio com lentes grandes. E puseram em… eu não sei. Eu tenho a idéia de que eles estavam obtendo fotografias da minha pele. E eles olharam através desta máquina aqui e aqui, e então eles falam. Eu não sei… eu não conseguia entender o que eles estavam dizendo. Então eles pegam algo como um abridor de cartas, mas não era. Eles rasparam meu braço aqui…Eles rasparam e viram algo parecido com pele… você sabe, como quando sua pele fica seca e escamosa, às vezes, com pequenos pedaços de pele? Eles colocaram algo como um pequeno pedaço de celofane plástico. Algo parecido. E eles colocaram o que saiu no plástico. O examinador abriu meus olhos e examinou-os com uma luz. E ele abriu minha boca e olhou minha garganta e meus dentes e ele olhou minhas orelhas. E depois ele colocou algo como um cotonete e colocou na minha orelha esquerda. Ele colocou isso em outro pedaço de material. O líder pega isso, enrola e coloca-o em uma gaveta. Ah, então ele sente meus cabelos e depois a parte detrás do meu pescoço. Eles tiram fios de cabelos, puxnado-os para fora e o entregam para o chefe que os envolve e coloca na primeira gaveta. Então, ele pega algo como que parecia uma tesoura. Eu não sei o que é e em seguida cortam um pedaço do meu cabelo aqui. Eles cortam um pedaço dele e o entregam a ele. E então ele sente meu pescoço e através dos meus ombros ao redor da minha clavícula. E então tiram os sapatos e eles olham para os meus pés e minhas mãos. Eles olham para minhas mãos e ele traz… Ah… a luz é muito brilhante e de alguma forma… eu não sei… meus olhos não estão abertos. Eu ainda estou um pouco assustada, demais. Eu não estou particularmente interessada em olhar para eles. Assim, eu tento manter meus olhos fechados e, em seguida, eu os abro… você sabe, não a toda hora. Fico um pouco aliviada ao não olhar para eles. Fechei os olhos e ele pega alguma coisa e passa por debaixo da minha unha. E então ele pega alguma coisa… eu não sei, provavelmente uma tesoura de manicure, ou algo assim e ele corta um pedaço da minha unha. Eles olham para os meus pés todo. Eu não acho que eles significam qualquer coisa para eles. Eles apenas sentes os dedos dos pés e tudo mais”.

Esta foi a primeira fase de testes à que Betty foi submetida. Aparentemente, esse teste inicial tinha por objetivo mapear as diferenças entre os sistemas nervosos de Barney e Betty. Finalizado essa etapa os abdutores pediram que Betty tirasse seu vestido. Antes mesmo que ela pudesse fazer isso, um dos tripulantes puxou o guia do zíper do vestido e o puxou para baixo da cintura. Nesse momento ela ficou apenas de sutiã e calcinha. O examinador ordenou que ela deitasse em uma mesa de exame. Ela deitou-se de costas e o examinador aproximou-se com um conjunto de agulhas. Em cada uma destas agulhas havia um dispositivo fino. Com estas agulhas, o examinador tocou ao longo da coluna vertebral de Betty, logo atrás das orelhas, em diversas áreas da sua cabeça, braços, pernas, abdômen e axilas. Esse exame era totalmente indolor. Em seguida, o examinador inseriu uma agulha no umbigo de Betty, num aparente exame de laparoscopia, técnica que não existia à época do caso. Durante o momento em que Betty revivia essa situação sob hipnose, ela demonstrou grande agitação. O Dr. Simon decidiu então encerrar a seção de hipnose e tirá-la do transe hipnótico.

Era uma agulha longa. Eu poderia dizer que que a agulha tinha de 10 a 15 centímetros de comprimento, talvez mais. Havia um tubo anexado a ele que não o deixava muito longo“.

Betty declarou, posteriormente, que a dor sentida era muito mais intensa do que a produzida pela inserção de uma agulha. Parecia como se ela fosse esfaqueada com uma faca. Betty relata, ainda que diante de tanta dor, o Líder, que se fazia presente o tempo todo, passou a mão em sua testa e a dor simplesmente sumiu.

Após as análises médicas, o examinador saiu da sala e ele ficou em companhia do Líder, com o qual conversou, em inglês. Este explicou à Betty que apenas alguns tipos de exames poderiam ser realizados pois havia apenas um único fisiologista a bordo. Betty pediu ao Líder alguma coisa que servisse de prova para seu relato. O Líder disse para que se ela olhasse em volta talvez encontrasse algo que pudesse levar. Ela encontrou um livro escrito com caracteres estranhos e o Líder consentiu que ela o levasse consigo como prova de sua experiência. Pouco depois, Betty perguntou ao Líder de onde eles vinham:

E assim eu disse que… Eu perguntei de onde ele era. Eu sabia que ele não era da Terra e eu queria sabe como ele chegou aqui? Ele me perguntou se eu sabia alguma coisa sobre o Universo e eu disse-lhe que não, que não sei praticamente nada, mas quando eu estava na escola fomos ensinados de que o Sol era o centro do Universo e que existiam nove planetas. E depois, mais tarde, claro, nós fizemos avanços…“.

Após isso, o Líder atravessou a sala e puxou um mapa de uma abertura na parede e perguntou à Betty se ela já havia visto um mapa semelhante. Ela foi até o mapa e inclinou-se para observar melhor. Tratava-se um mapa alongado, com vários pontos, de tamanho variado, espalhados pela tela. Entre estes pontos haviam linhas retas e curvas unindo-os aqui e ali. Betty então perguntou onde estava seu lar. Em resposta o Líder perguntou à Betty onde estava seu lar no mapa. Betty riu e disse que não sabia. O Líder respondeu:

Se você não sabe onde você está, então não há motivo para dizer de onde eu sou!“.

Feito isso ele recolocou o mapa em sua posição original na parede. Em dado momento da conversa, o examinado e outros tripulantes do aparelho entraram na sala, em vívida excitação.

De repente, há um barulho no corredor e alguns dos homens entram e com eles está o examinador, todos parecendo muito animados. Então pergunto ao Líder: ‘Qual o problema? Aconteceu alguma coisa com Barney? O que é isso? É algo a ver com Barney?’ O examinador abre minha boca e começa a verificar os meus dentes e fica puxando eles para fora. Eu lhes pergunto: ‘O que estão tentando fazer?’ E o examinador disse [Betty rindo muito]… Ele disse que não conseguia entender porque os dentes de Barney saem para fora e os meus não“.

Betty, então, explicou que quando pessoas adquirem uma certa idade seus dentes são refeitos a partir de próteses e dentaduras, acrescentando que a dentadura de Barney fez-se necessária por ferimentos (adquiridos durante combates na Segunda Guerra Mundial). Ao falar sobre pessoas de idade avançada, Betty despertou a curiosidade dos tripulantes do objeto que a questinaram sobre o processo de envelhecimento e a contagem de tempo na Terra.

Líder: “O que é uma idade avançada?

Betty: “Bom isso varia, mas quando uma pessoa se torna velha ocorrem mudanças, principalmente físicas“.

Líder: “Bom, o que é a idade? O que se entende por idade?“.

Betty: “É o período de vida que a pessoa vive.”

Líder: “Quanto tempo é isso?

Betty: “Eu acho que o espaço de tempo pode ser de 100 anos, mas pessoas podem morrer antes disso, a maioria de doenças ou acidentes, este tipo de coisa. Assim, eu acho que a idade está próximo de 65 ou 70 anos.

Então o Líder explicou para Betty que ele não compreendia a contagem de tempo, ou o processo de envelhecimento. Betty explicou que o processo tinha algo a ver com a rotação da Terra, a posição dos planetas e as estações do ano, mas que não poderia fazê-lo entender.

A volta para o carro

Após o exame físico do casal e da rápida conversação de Betty com o Líder, eles foram levados de volta ao veículo. Antes de Betty ser levada ao veículo, um dos tripulantes tomou o livro que ela tinha intenção de trazer como prova de sua experiência. Tal fato a deixou furiosa. Ela então foi informada que suas memórias seriam apagadas. Betty furiosa declarou:

Você pode pegar o livro, mas você nunca, nunca, nunca pode me fazer esquecer isso, porque eu irei me lembrar disso mesmo que seja a ultima coisa que eu faça“.

Em resposta, o líder riu e declarou:

Talvez você lembre. Eu não sei. Eu espero que não, mas talvez você lembre. Mas não fará nenhum bem se você o fizer, porque Barney não quer. Barney não quer se lembrar de nada. E não é só isso, se ele lembrar de alguma coisa, ele vai lembrar de forma diferente de você, e tudo o que vocês declararam soará confuso e não saberão o que estará certo. Seria melhor esquecer isso“.

Após as ultimas conversações, os tripulantes do objeto escoltaram o casal de volta para o carro. Barney foi levado antes, sendo escoltado por vários tripulantes, ao passo que Betty foi escoltada apenas pelo Líder. Barney foi levado semi inconsciente até o carro. Lembra-se de ter sido amparado por dois tripulantes, caminhado algum tempo até o carro onde foi deixado. Pouco depois lembra-se de ter visto Betty aproximando-se do carro, em companhia do Líder.

Os tripulantes afastaram-se do veículo onde estava o casal e pouco depois observaram o aparelho decolando, emitindo intensa luz de cor alaranjada. Barney ligou o carro e dirigiu até a rodovia retomando a viagem e finalizando o período de amnésia recém restaurado.

Barney e Betty Hill se submeteram à hipnose regressiva com o Dr. Benjamin Simon.

 

Desenho de Barney Hill, do interior do OVNI, segundo as lembranças recuperadas via hipnose.

 

Desenho de Betty Hill representando estranhos caracteres observados por ela a bordo do objeto.

 

Mapa estelar de Betty Hill, desenhado sob hipnose.

 

As Evidências do Caso

O Caso Barney e Betty Hill é o primeiro caso de abdução a se divulgado a nível oficial. Trata-se de um caso repleto de comprovações e evidências diretas e indiretas atestando o relato do casal. Vejamos mais detalhadamente cada uma delas:

Marcas Lustrosas no Veículo

A primeira evidência relacionada ao caso refere-se às estranhas marcas encontradas no automóvel do casal. Tratam-se de marcas polidas, circulares, com poucos centímetros de diâmetro, dispostas na lataria do veículo. Em 20 de setembro, Betty telefonou para sua irmã, Janet, e relatou o fato acontecido na noite anterior. Janet sugeriu que o casal fizesse um simples teste com bússola no carro paa verificar alterações magnéticas no veículo. Betty fez o teste e descobriu numerosas marcas lustrosas ao longo da lataria do carro. Ao aproximar a bússola destas marcas ela girava descontroladamente. A irmã de Betty, Janet e alguns parentes visitaram Betty dias depois e todos refizeram os testes que foram testemunhados também, por vizinhos do casal. Para descartar a possibilidade de a bússola estar sendo induzida de alguma forma pelo casal e seus familiares, eles deixaram a bússola repousar sobre as marcas e mesmo assim ela girava descontroladamente.

“Eu peguei a bússola e fui até o carro. Barney se recusou a ir, dizendo que ele estava tentando esquecer o que aconteceu. Ainda estava chovendo, mas eu podia ver meu carro claramente sob a luz da rua em frente da minha casa. Eu andei ao redor dele, segurando a bússola e não sabia o que eu estava procurando. Quando eu passei por ele, vi muitos pontos altamente polidos, do tamanho de um meio dólar, ou dólar de prata. O carro estava molhado da chuva, mas estas marcas eram perfeitamente visíveis. Eu me perguntava o que seriam. Coloquei a Bússola sobre eles e começou a girar e girar. Eu pensei que devia ser devido à forma como eu estava balançando a bússola, então eu coloquei-o no carro e tirei a minha mão. A bússola estava realmente girando e continuou a girar. Como eu estava vendo isso eu fui acometida de um terror profundo. Eu estava ali, em pé na chuva, sob a luz da rua, dizendo para mim mesma: ‘Não grite, mantenha a calma e não tenha medo, está tudo certo’.”

Os sapatos de Barney Hill

A segunda evidência a favor do relato do casal refere-se ao sapato de Barney que, embora novo, apresentava-se arranhado no bico e na parte superior, tendo restos de plantas e terra, evidenciando que ele foi arrastado na posição vertical por uma área coberta de vegetação. As marcas verificadas no sapato condizem com o depoimento de Betty, de que Barney estava semi-inconsciente, sendo amparado por dois tripulantes tanto na parte inicial quanto na parte final da abdução. Também refere-se às amostras de plantas encontradas na barra da calça que Barney vestia na ocasião.

Relatório da Força Aérea Americana

Uma quarta evidência a favor do relato do casal origina-se em documentos da Força Aérea Americana. Nestes documentos encontram-se depoimentos de civis, militares e informações sobre um OVNI captado por radar. Todos na mesma região, dia e horário em que a abdução ocorreu.

Confira os documentos da USAF, referentes à noite de 19 para 20 de setembro de 1961:

Relógios

Uma quinta evidência refere-se aos relógios de Barney e Betty, que funcionavam perfeitamente bem e eram movidos a corda. Após a abdução, constatou-se que eles pararam no mesmo horário, justamento no momento em que a abdução ocorria, e apresentavam-se danificados. Eles jamais voltaram a funcionar depois disso.

Delsey

Uma sexta evidência a favor do caso refere-se à cadelinha de estimação do casal, que teve uma súbita mudança de comportamento e adoeceu logo após a abdução. Ela desenvolveu uma infecção epidérmica, um problema respiratório e muita agitação durante o sono.

Binóculos

Uma sétima evidência a favor do caso refere-se à correia do binóculo que Barney portava na ocasião. Antes do contato ela apresentava-se perfeita e já na manhã seguinte ela apresentava-se partida.

Pesadelos

Uma oitava evidência relacionada ao caso refere-se aos pesadelos de Betty que assemelham-se aos verificados em veteranos de guerra e outros traumas emocionais. Eles eram constantes, repetitivos, muito vívidos e tinham sequencia lógica. Maiores detalhes sobre os pesadelos de Betty podem ser encontrados aqui.

Efeitos físicos e fisiológicos em Barney

A nona evidência, na verdade é um conjunto delas, todas verificadas em Barney Hill após a abdução. São elas:

Um ferimento nas costas de Barney Hill, descobertas pela manhã, logo após a abdução e ao chegar em casa. À este ferimento não foi dada muita importância devido à amnésia implantada no casal que sequer desconfiava que a origem do ferimento estivesse relacionada à experiência.

Uma segunda evidência envolvendo Barney Hill é um conjunto de 21 verrugas dispostas em circulo, no preciso local onde Barney relata, sob hipnose, a colocação de um aparelho, presumivelmente para a coleta de esperma. Barney examinou a região onde elas surgiram já na manhã de 20 de setembro, pois se sentia contaminado. na ocasião ele não encontrou nada de anormal. Somente em fevereiro de 1962 é que as verrugas começaram a aparecer. Em 1964, por ocasião das sessões de hipnose regressiva, as verrugas cresceram e inflamaram, sendo necessário sua remoção cirúrgica. Foram feitos diversos testes para comprovar a opinião inicial de seu médico de que o problema seria de origem venérea. Os exames deram como negativo para esta possibilidade. O primeiro especialista procurado recusou-se a remove-las por nunca ter visto algo semelhante e o encaminhou para outro especialista que as removeu, mas sem identificar sua origem.

A terceira evidência envolvendo Barney Hill é uma ulcera nervosa decorrente de estresse que acometeu Barney nas semanas seguintes ao contato. A úlcera não foi decorrente apenas da experiência de abdução, mas foi determinante em seu surgimento.

Testemunhos Coincidentes

A décima evidência a favor do caso é a relação entre os testemunhos de Barney e Betty Hill, tanto antes, quanto durante ou mesmo depois da hipnose, onde não observam-se contradições em seus depoimentos. Cada um deles descreveu a experiência vivida a partir de seus sentidos sem a menor contradição entre os relatos, em qualquer período feito.

Mapa Estelar

Mas talvez a evidência mais importante e impressionante seja o mapa estelar visto por Betty Hill, e desenhado por hipnose que anos mais tarde comprovou-se verdadeiro por uma astrônoma americana. Uma análise detalhada referente ao Mapa Estelar pode ser encontrada aqui.

Tal conjunto de evidências, comprovações diretas e indiretas, bem como os estudos nelas realizadas, coloca este caso como um dos mais sólidos casos da Ufologia Mundial, sendo referência no estudo de outros casos de abdução.

O Vestido Azul

Por ocasião de sua abdução, em 19 de setembro de 1961, Betty Hill usava um vestido azul, de acetato, que foi usado pela primeira vez na viagem do casal e ainda não havia sido lavado. Ao chegar de viagem, Betty retirou o vestido, dobrou-o e guardou-o em seu armário, onde ficou por três anos. Ele apresentava-se rasgado e se Betty quisesse utilizá-lo novamente deveria mandar restaurá-lo. Entretanto, Betty esqueceu-se do vestido e só lembrou de verificá-lo em meados de abril de 1964, por ocasião das sessões de hipnose regressiva com o Dr. Simon.

Ao chegar em casa, ele pegou o vestido e resolveu jogá-lo fora. Felizmente pouco depois mudou de idéia e decidiu pendurá-lo no varal. Ao fazer isso constatou que o vestido estava muito manchado por uma substância rosa, especialmente ao longo da gola, em torno das mangas e na parte superior do corpete. Ao examinar melhor o vestido ela percebeu que a parte da costura da bainha estava rasgada, fazendo-a cair para vaixo e o forro do lado direito do vestido estava rasgado da cintura aos pés. A costura acima do ziper também foi seriamente danificada.

Em 1977, o pesquisador Leonard Stringfield, diretor de relações públicas da Dubois Chemicals, em Cincinnati, Ohio, se ofereceu para realizar análises no vestido de Betty, na Universidade de Cincinnati. A análise foi realizada sem que os técnicos soubessem a história envolvendo o vestido nem sua propriedade. A análise ficou pronta em meados de agosto do mesmo ano. Uma das análises, realizada a partir de raio-X fluorescente, revelou que no vestido havia traços de sódio, enxofre, cloretos e silício. As duas primeiras substâncias poderiam ser encontradas no vestido, mas cloritos e silício não deveriam ser encontrados na amostra. Outro teste realizado foi o de espetroscopia de emissão, que revelou que haviam grandes quantidades de sódio, alumpinio, ferro e magnésio presentes no tecido, além de pequenas quantidades de manganês, calcio e silício. A análise do misterioso pó rosado revelou que era composto por hidrocarbonetos orgânicos indeterminados.

Posteriormente outros testes adicionais foram realizados. Um novo texte de Raio-X fluorescente revelou que havia diferenças na composição elemental entre a parte da frente e a parte de trás do vestido. Uma outra análise retirou dois pedaços quadrados, de aproximadamente 6,5 cm, um da parte da frente e outro da parte de trás do vestido. Ambas foram colocadas em solução concentrada de ácido nítrico misturada com ácido sulfúrico onde dissolveram. Após isso, a solução resultante foi analisada por espetroscopia de emissão onde foram detectados traços de cobre, cálcio, silício, magnésio e ferro, em ambas as amotras.

Vários métodos foram testados e utilizados para tentar reproduzir a mancha encontrada no vestido. Foram utilizados a seco e a molhado, principalmente cloro, ácidos diversos, tratamento básico, à luz ultravioleta (com um dia de exposição) e lámpada solar (um dia de exposição). Nenhum dos métodos conseguiu reproduzir a mancha observada no vestido. O método que chegou mais perto foi o tratamento à base de ácido, mas ele ficou branco descorado, e não avermelhado.

Um outro cientista, que desejou permanecer anônimo, realizou análises no vestido e concluiu que o mesmo não tinha qualquer traço de pólen ou material microorgânico do tipo esporos, embora seja provável que a origem da mancha seja biológica.

A química-análitica Phillis Budinger, da BP-Amoco, também realizou análises no vestido. Na época ela tinha 35 anos de experiência na industria química e na análise quimica. Entre novembro de 2001 e outubro de 2003 ela realizou numerosos testes em amostras do vestido. Ela concluiu que as áreas manchadas foram revestidas com material biológico proveniente principalmente de proteínas e uma pequena quantidade de óleo natural. Esta proteina atacou as fibras e o corante nas amostras de tecido, resultando em descoloração e deixando a estrutura das fibras mais flexível. As análises indicaram que estas proteínas não tem origem em Betty Hill, tendo vindo concerteza de uma fonte externa. A análise de pH, revelou que a área manchada tinha um teor mais elevado de ácido do que áreas não manchadas. Na análise microscópica ela encontrou traços de poeira doméstica, pêlos de animais, fibras de outras roupas, entre outras coisas, indicando que o mesmo esteve guardado durante longo tempo.

A análise expectral infravermelha também indicou a presença de proteínas na área manchada, com maior ação na área externa do que interna, confirmando que as proteínas tiveram origem externa. As análises de extratos de hexano e de água revelaram que áreas manchadas produziram uma quantidade maior de material solúvel do que áreas não manchadas, além de uma certa quantidade de óleo natural. Os extratos de água foram particularmente interessantes. Eles tinham um baixo peso molecular e quando agitados produziam espuma, sugerindo a presença de substâncias com propriedades semelhantes ao do detergente. Isso não ocorria com amostras não manchadas. Outro detalhe curioso encontrado nestaa análise é um odor fétido encontrado em todos os extratos de água das amostras manchadas e que estavam ausentes em amostras de tecido não manchadas.

Com todos estes testes realizados, Budinger especulou sobre origem dos danos e das manchas verificadas no vestido. Durante sua abdução, Betty descreveu um odor desagradável a bordo do aparelho, ao qual ela não pode identificar. Budinger especula que a emissão respiratória dos tripulantes e suas eliminações oleosas acabaram por depositar-se no vestido de Betty. Além disso, as manchas nas mangas e no corpete encaixam-se perfeitamente com a descrição de Betty dos momentos iniciais da abdução, em que tentou reagir à abdução. Diante disso, dois tripulantes agarraram os braços de Betty com firmeza, um de cada lado. Precisamente onde estes seres seguraram Betty, existem manchas rosadas. Pouco depois, um dos seres puxa o vestido de Betty para baixo e justamente onde ele segurou o vestido existem manchas. Na manhã seguinte, outras áreas do vestido foram impregnadas e consequentemente manchadas quando Betty Hill dobrou o vestido para guardar no armário. Durante os testes realizadas por Budinger, foi constatado que existia umidade nas áreas manchadas e essa umidade poderia ter criado um ambiente para que as proteínas tenham se mantido vivas por um longo tempo, resultando posteriormente no resíduo de pó rosa e a mancha presentes no vestido.

Bundiger contou com a colaboração de um especialista em Bioquímica, que realizou análises de DNA nas amostras de tecido e no sangue de Betty Hill. Esta análise encontrou três depósitos de material com DNA. O primeiro, encontrado na parte de cima da manga esquerda e identificado como sendo de um alpha-proteobacterium; o segundo, encontrado na área da axila no vestido, identificado como sendo de Barney Hill e o terceiro, encontrado na parte da frente do vestido cuja origem é incerta, podendo ser de um ser humano, ou um animal terrestre, mas algo perfeitamente natural e seguindo padrão terrestre.

Um ultimo teste foi realizado no Pinelandia Biophysics Laboratory, em Michigan, para verificar se as substâncias encontradas na área manchada do vestido teriam propriedades germinativas. Para isso, as amostras foram encharcadas em água que depois foi aplicada à sementes de trigo colocadas em papel umedecido em Placas de Petri. Nesse estudo constatou-se as sementes irrigadas com água proveniente das amostras manchadas germinaram e cresceram com maior rapidez do que aquelas irrigadas com água provenientes das amostras não manchadas. Em sete dias estas plantas estavam significativamente maiores do que a amostra de controle. Os testes foram repetidos, desta vez comparando com amostras irrigadas com água convencional e os resultados se repetiram: as plantas irrigadas com água proveniente das amostras de tecido afetadas cresceram num ritmo muito rápido enquanto as outras amostras cresceram num ritmo convencional.

Os dados provenientes das análises envolvendo vestido azul de Betty são mais uma comprovação a favor do relato do casal Hill, que contra a sua vontade foram levados à bordo de um OVNI onde passaram por exames fisiológicos. Sua experiência ainda hoje surpreende e chama a atenção das mais variadas pessoas de todo o planeta.

Vestido de Betty Hill, tendo ao centro sua cor original, as mangas e nas laterais, uma coloração avermelhada produzida por um pó rosado.

 

Os Abdutores

Um dos ramos mais interessante da pesquisa ufológica refere-se ao estudo dos tripulantes dos diferentes aparelhos catalogados pela Ufologia. O Caso Barney e Betty Hill, neste aspecto, fornece detalhes importantes para montarmos o quebra-cabeças envolvendo este nebuloso aspecto do Fenômeno OVNI. As informações que Barney e Betty Hill nos oferecem foram obtidas através de hipnose regressiva, com excessão da lembrança consciente de Barney, quando este parou o carro e aproximou-se do objeto para observar melhor. Nesta ocasião ele pôde ver um dos tripulantes na janela, a bordo do objeto, olhando-o detidamente e um outro de costas, operando algum instrumento. Sua descrição inicial, sem hipnose, é influenciada por experiências anteriores que Barney teve ao longo de sua vida. Num primeiro momento ele compara os tripulantes observados conscientemente à irlandeses que o tratavam em geral de forma preconceituosa, por ele ser negro. Num segundo momento, ele compara os tripulante do aparelho com soldados nazistas, devido à sua experiência como soldado na Segunda Guerra Mundial e pela forma rígida e precisa com que os tripulantes se deslocavam. Mais tarde, sob efeito da hipnose, tanto Barney quanto Betty puderam descrever os seres de forma precisa, pois estiveram com ele por algumas horas, durante a abdução. Betty Hill pôde oferecer maiores detalhes pois ela manteve um contato cordial e mais amistoso para com seus abdutores. Barney, por sua vez, tentou resistir e foi dominado, ficando durante algum tempo em estado semi-consciente.

Algumas fontes, de linha cética, trazem detalhes anatômicos um pouco diferentes daquelas encontradas em outras fontes. Em geral elas descrevem os tripulantes do aparelho como tendo pouco mais de 1 metro e meio de altura, com peitos largos, nariz comprido, pele acinzentada, lábios azulados, cabelos e olhos pretos. Sua vestimenta é descrita como azul acinzentada. Esta descrição é baseada nos pesadelos de Betty Hill e não estão totalmente de acordo com as lembranças vívidas de Barney, nem com as descrições obtidas por meio de hipnose com o casal.

Assim, a descrição mais detalhada e aceita, obtida através de hipnose e lembranças residuais seria a seguinte:

Líder, Examinador e Demais Tripulantes O Observador Pequeno
Altura Estimada 1 metro e meio 1 metro
Cabeça Seu crânio tinha uma estrutura alargada Descrito como semelhante à bola de basquete
Rosto Eles tinham variedade de faces, com aparência frágil, com aspecto mongolóide Aparência frágil, com aspecto  mongolóide
Olhos Os abdutores tinham olhos inclinados e alargados, que prolongavam-se em torno dos lados do seu rosto, indicando visão periférica, lembrando olhos de um gato, ao invés de olhos orientais.  Embora sua íris pareça preencher a maior parte do olho destas criaturas, a área circundante, branca nos humanos, era de aspecto amarelado nestas criaturas. Seu piscar de olhos não era perceptível, sugerindo a possibilidade de existir uma membrana transparente isolando os olhos do ar e das impurezas. Olhos inclinados e alargados, que prolongavam-se em torno dos lados do seu rosto, indicando visão periférica, lembrando olhos de um gato, ao invés de olhos orientais.
Nariz Nariz era largo, plano e comprido Nariz era largo, plano e pequeno
Boca Não foi percebido muita mobilidade em sua boca. Barney descreveu um sorriso logo no começo de sua abdução, mas aparentemente estes seres não demonstravam alegria ou tristeza. Foi observada uma espécie de membrana na parte interna da boca quando esta se abria e durante comunicação entre eles, esta membrana vibrava produzindo um zumbido que era aparentemente uma linguagem natural deles. Com uma pequena e fina fenda, no lugar da boca
Orelhas Não foram vistas orelhas como no gênero humano. Apenas orifícios, aparentemente cobertos por uma membrana. Não foram vistas orelhas como no gênero humano. Apenas orifícios, aparentemente covertos por uam membrana
Mãos mãos com quatro dedos longos e delgados, e um polegar. Suas mãos tinham quatro dedos curtos, grossos e um polegar
Pilosidade Não foi observado cabelo, sobrancelhas ou cílios Não foi observado cabelo, sobrancelhas ou cílios
Aspectos da Pele Sua pele tinha um tom acinzentado Sua pele tinha um tom acinzentado
Tórax Com ombros larrgos Seu pescoço era grosso, com ombros largos e tórax arredondado
Pernas e Pés Suas pernas eram finas e seus peitos largos Suas pernas eram finas e seus peitos largos.
Comunicação
Vestimenta
Comportamento Cordial Hostil, autoritário, amedrontador, zangado

 

É curioso a forma como os detalhes completam o Caso Hill. A descrição precisa dos tripulantes do OVNI, sua curiosidade científica em relação à nós, as semelhanças, as diferenças e o desenvolvimento dos fatos levantam mais perguntas do que respostas. O que pudemos apurar disso tudo parece ser a ponta de um gigantesco iceberg.

Vejamos por exemplo, a caracteristica física destes seres, apresentada na tabela anterior. Observa-se uma clara similaridade entre o biotipo alienígena e o biotipo humano. Cabeça, com dois olhos, um nariz, uma boca, dois membros superiores, dois membros inferiores. Na verdade exatamente o que deveríamos esperar de um povo capaz de realizar uma viagem interestelar. Betty Hill, após as sessões de hipnose regressiva com o Dr. Simon, mergulhou de cabeça na pesquisa de casos de abdução que começaram a surgir nos anso que se seguiram. Ela acreditava na possibilidade de termos antepassados em comum com os alienígenas que nos visitam, ou então eles mesmos serem nossos antepassados. Ela acreditava ainda na possibilidade de que o mundo deles tivesse escassez de água, luz e alimentação, obrigando-os à pesquisar novos mundos numa busca para resolver seus problemas.

Essa busca os leva à planeta com condições diferentes daquelas de seu mundo de origem. Isso parece encontrar força em certos aspectos do depoimento do casal. Dois exemplos disso são encontrados logo no começo da abdução, onde os tripulantes do aparelho aproximam-se com um andar arrastado, como se eles tivessem dificuldades de locomoção no ambiente terrestre. Ainda do lado de fora, um dos tripulantes abriu a boca e puxou a respiração, como se sentisse falta de ar momentânea. A julgar pelos detalhes seu mundo possui uma gravidade ligeiramente menor que a terrestre, e com uma composição atmosférica diferente da nossa.

Outro ponto curioso a ser observado é a aparente hierarquia entre os tripulantes do objeto. Betty Hill os identificou como o examinador, o lider, e o pequeno homem, além dos outros tripulantes. O examinador, identificado pelo líder como sendo um fisiologista era o encarregado das análises biológicas no casal. Os outros tripulantes prestavam auxílios eventuais durante os procedimentos que se seguiram. O comportamento destes era de viva curiosidade e muitas vezes de surpresa, diante dos fatos e dados obtidos mediante a análise.

O líder era o intérprete e o único a manter longa comunicação com Betty. Foi ele quem apresentou o mapa à abduzida e questionou-a sobre aspectos da vida humana, sociedade, etc. Havia também o homem pequeno, que transmitiu insegurança, hostilidade e medo à Betty. Este ficava o tempo todo por perto, como que inspecionando o que era realizado, com uma aparente autoridade sobre tudo e todos.

“Ele continua me olhando, olhando. Quero chutá-lo por causa da maneira como está olhando para mim. Ele me faz sentir medo. Seu chuto, ele vai saber que eu não tenho medo dele”.

Este tripulante foi o mesmo que impediu que Betty Hill trouxesse um livro como prova de sua experiência de abdução. Quando fez isso, olhou para Betty com aparência zangada e com um comportamento autoritário. Betty suspeitou que aquele com a qual ela manteve conversação e chamou de líder era apenas um intérprete, e que talvez o verdadeiro líder seja este outro tripulante.

As comunicações entre os tripulantes e o casal também são interessantes. Barney descreve a vocalização de seus abdutores: “suas bocas se movem e eu posso vê-lo”. Quando suas bocas moveram emitiram sons que Barney descreveu como: “Oh-oh-oh-oh-oh. Eles abriram suas bocas mas eles não não estão falando comigo”. Barney descrevia que os seres comunicavam-se entre si nessa língua estranha e diferente.

Betty descreveu a vocalização de forma semelhante: “Oh, ele fez um som. Eu não consigo entender em inglês. A tripulação faz diferentes sons, como “Ah-ah-ah-ah-ah-ah”, murmurando. Na verdade eles não murmuravam como nós murmuramos. O Líder e o examinador não murmuravam como o resto da tripulação. Elas pareciam como palavras, como sons de palavras. Ela não conseguiu identificar o idioma que usavam, entendendo apenas quando o líder falava diretamente para ela. Ela também entendeu algumas poucas vezes coisas ditas pelo examinador.

Alguns anos após as sessões de hipnose regressiva, um artista do estado de New Hampshire, David Baker, fez o retrato falado dos tripulantes a partir da descrição de Barney, durante uma reunião na casa do artista. Várias pessoas estavam presentes na ocasião. Durante a confecção do trabalho apenas Barney Hill permaneceu na sala, fornecendo informações. Com o término do trabalho, o artista mostrou o retrato falado à Barney, que reagiu com visível emoção à figura. Pouco depois, o artista apresentou o retrato à Betty, que de início se afastou, dirigindo-se até o outro lado da sala, andando em círculos por algum tempo para em seguida parar sobre uma janela, visivelmente abalada.

 

Retrato falado do Examinador

 

Busto do “Líder” criado a partir das informações de Barney e Betty Hill, obtidos via hipnose

 

Retrato falado do examinador líder.

 

A postura e a autoridade do líder lembravam às de oficiais nazistas vistos por Barney Hill, durante a Segunda Guerra Mundial

 

O Mapa Estelar

O Mapa Estelar de Betty Hill é um dos detalhes mais famosos e conhecidos a respeito deste caso clássico da Ufologia Mundial. Entretanto, poucos sabem como ele chegou até nós e porque sua existência é tão importante. Em primeiro lugar, vamos relembrar como foi o momento em que o Líder mostrou à Betty o mapa estelar:

E assim eu disse que… Eu perguntei de onde ele era. Eu sabia que ele não era da Terra e eu queria sabe como ele chegou aqui? Ele me perguntou se eu sabia alguma coisa sobre o Universo e eu disse-lhe que não, que não sei praticamente nada, mas quando eu estava na escola fomos ensinados de que o Sol era o centro do Universo e que existiam nove planetas. E depois, mais tarde, claro, nós fizemos avanços…“.

Após isso, o Líder atravessou a sala e puxou um mapa de uma abertura na parede e perguntou à Betty se ela já havia visto um mapa semelhante. Ela foi até o mapa e inclinou-se para observar melhor. Tratava-se um mapa alongado, com vários pontos, de tamanho variado, espalhados pela tela. Entre estes pontos haviam linhas retas e curvas unindo-os aqui e ali. Betty então perguntou onde estava seu lar. Em resposta o Líder perguntou à Betty onde estava seu lar no map. Betty riu e disse que não sabia. O Líder respondeu:

Se você não sabe onde você está, então não há motivo para dizer de onde eu sou!“.

Feito isso ele recolocou o mapa em sua posição original na parede.

A abdução do casal se deu na noite de 19 de setembro de 1961, sendo que a investigação do caso começou já na manhã seguinte. As sessões de hipnose regressiva só tiveram início efetivo no começo do ano de 1964, ocasião em lembranças sobre o mapa estelar vieram à tona. Ao longo destes anos vários pesquisadores e cientistas atuantes se interessaram por aspectos específicos do caso.

Marjorie Fish, professora de uma escola elementar e astrônoma amadora, leu o livro A Viagem Interrompida, de John Fuller, que relatava o caso Barney e Betty Hill. De imediato ela ficou intrigada com o misterioso mapa estelar holográfico, de 90 cm x 60 cm, descrito por Betty em 1964. Dois anos se passaram antes de ela finalmente encontrar uma fonte adequada para construir um modelo. Durante este tempo, tudo referente à astronomia, exobiologia e hipnose foi avidamente devorado pela dedicada pesquisadora. Vários métodos para construção de modelos foram testados.

Assumindo que das quinze estrelas presentes no mapa uma delas deveria ser o nosso Sol, e que todo o mapa deveria se encaixar em estrelas próximas, ela começou a desenvolver um modelo em agosto de 1968. Todo o processo foi realizado sem o auxílio de computador. Ela copiou à mão, coordenadas de aproximadamente mil estrelas próximas, esperando encontrar sucessivas vezes o padrão desenhado por Betty. Todas as estrelas se encontravam em um raio de 55 anos luz do nosso Sol. Várias estrelas foram excluídas do modelo por serem impróprias para o desenvolvimento da vida. Além disso, sistemas com estrelas duplas, ou triplas, não teriam condições favoráveis ao desenvolvimento de um meio ambiente favorável à vida, sendo também descartadas. O estudo desenrolou-se nos anos seguintes, sem identificar positivamente um conjunto de estrelas que se adequasse ao mapa estelar de Betty Hill. Somente em 1972, com a publicação de uma atualização do Catalogo Estelar de Gliese é que um grupo de estrelas surgiu. Um único grupo de estrelas, que correspondia tanto no posicionamento das estrelas, quanto nas características e posição angular ao que Betty Hill havia desenhado. Estas estrelas se encaixavam também no modelo tridimensional desenvolvido por Fish a partir de critérios favoráveis ao desenvolvimento de vida. Tudo isso respaldado por dados científicos atualizados que não estavam disponíveis na época em que o mapa foi desenhado por Betty Hill.

Com a conclusão do trabalho foi possível indentificar as estrelas do mapa, bem como estabelecer as rotas, já previamente desenhadas por Betty Hill em seu mapa. A tabela abaixo lista as estrelas que compõem o mapa e alguns dados importantes.

Nº de Identificação no Catálogo Gliese Identificação Convencional Distância da Terra Tipo Espectral Idade  Estimada
1 136 Zeta  Reticuli 1 39,53 Anos Luz G2V 6 a 8 bilhões de anos
138 Zeta Reticuli 2 39,40 Anos Luz G1V 6 a 8 bilhões de anos
2 17 Zeta Tucanae 28,03 Anos Luz F9V 10 bilhões de anos
3 231 Alpha Mensae 33,10 Anos Luz G5V 4 a 6 bilhões de anos
4 Sol 8 Minutos Luz G5 4 a 6 bilhões de anos
5 139 82 Eridanu, e Eridani 19,76 Anos Luz G8V 10 bilhões de anos
6 71 Tau Ceti 11,90 Anos Luz G8V 4 a 6 bilhões de anos
7 68 107 Piscium 24,36 Anos Luz K1V 1 a 4 bilhões de anos
8 27 54 Piscium 36,23 Anos Luz K0V 4 a 6 bilhões de anos
9 67 HD 10307 38 Anos  Luz G2 1 a 4 bilhões de anos
10 86 HD 13445 37 Anos Luz K0 10 bilhões de anos
11 111 Tau 1 Eridanu 45,58 Anos Luz F5/F6V 4  a 6 bilhões de anos
12 59 HD 9540 53 Anos Luz G8 1 a 4 bilhões de anos
13 86.1 HD 13435 K2 10 bilhões de anos
14 95 HD  14412 G1 4 a 6 bilhões de anos
15 97 Kappa Fornacis 42 Anos Luz G1 4 a 6 bilhões de anos

 

Após a conclusão do estudo, vários astrônomos checaram o trabalho de Marjorie Fish e supreenderam-se pela precisão do mesmo. O Dr. David Sauders, do Planetártio Adler, Dr. George Mitchell, do departamento de astronomia da Universidade Estadual de Ohio, J. A. Hynek, Terence Dickinson do Strassenbug Planetarium são apenas alguns dos nomes de astrônomos que comentaram muito positivamente o trabalho de Fish. Em dezembro de 1974, Terence Dickinson publicou um artigo intitulado “The Zeta Reticuli Incident”, na conceituada revista científica Astronomy. Nas semanas e meses que se seguiram o editor da revista recebeu inúmeras correpondências, sendo algumas delas com ataques severos, notadamente oriundos do astrônomo Carl Sagan e de Steven Soter. Devido à repercussão do artigo, foi publicado um livreto, de 32 páginas, colorido, com o artigo e os comentários recebidos. Mais de 10 mil exemplares foram vendidos em um curto espaço de tempo. Todos aqueles que comentaram ou criticaram tiveram seus nomes citados, incluindo Sagan, que ameaçou processar a revista, que ainda vendeu mais 8 mil exemplares.

Mapa estelar desenhado por Betty Hill, sob hipnose.

 

Desenho de Marjorie Fish, baseado em suas investigações do desenho de Betty Hill.

 

Comparação entre o mapa de Betty, o de Fish e um final modelado por computador.

 

 

Representação computadorizada do desenho de Betty

 

Mapa final de Marjorie Fish, com a indicação das estrelas indicadas

 

Comparação entre fases diferentes do mapa.

 

Zeta Reticuli 1 (acima) e Zeta Reticuli 2 (Abaixo), que seriam o local de origem dos abdutores de Barney e Betty Hill.

 

Entrevista com Betty Hill

Pergunta: Se o Boston Herald não tivesse tornado pública a história de seu seqüestro, em 1965, você – ainda assim – teria cooperado na publicação de um livro referente ao incidente ou tornado-o público de alguma maneira?
BETTY: Não, eu acho que a história teria ficado comigo, Barney e o Dr. Simon. Mas claro, a história do Herald saiu fora de nosso controle e não foi feita com nossa permissão.

 

Pergunta: Depois de quanto tempo depois de seu seqüestro, vocês voltaram a estrada procurando OVNIs ou outra prova de sua experiência?
BETTY: Desde o principio, começamos a voltar àquela mesma estrada, procurando e tentando encontrar alguma explicação para o que tinha acontecido – o que nós estávamos omitindo.

 

Pergunta: Você mantêm um caderninho cheio de anotações de avistamentos de OVNIS de todos os tipos, entretanto, você está sempre só quando tais avistamentos acontecem ou você já levou observadores com você?
BETTY : Tenho levado todo o tipo de pessoas. Por exemplo, Jim Voutrot do canal 9 de Manchester (New Hampshire), veio uma noite e teve um excelente avistamento. Tanto que ele filmou o OVNI e mais tarde mostrou o filme na TV (N.T: Voutrot confirmou esta afirmação de Betty).

 

Pergunta: Você se sente de alguma forma privilegiada de ter visto OVNIS tantas vezes?
BETTY: De forma alguma. Há pessoas por todo o estado (New Hampshire) que tiveram avistamentos, mas eu só ponho mais tempo na coisa e sei o que procurar.Acho que a paciência é a chave de tudo. Vou a vários lugares numa média de 3 vezes por semana e usualmente gasto cerca de horas numa esticada dessas.

 

Pergunta: Como se explica que não haja relatos de OVNIS mais oficiais, de pilotos por exemplo?
BETTY : Se você se decide a contar que viu um OVNI você é levado a sentir-se extenuado só de pensar que você terá de passar por um monte de perguntas, entrevistas e preencher um montes de papéis, no seu próprio tempo. Ademais torna-se um caso impar e quem quer ser levado ao ridículo.

 

Pergunta: Você pensa que o governo sabe mais do que ele está deixando transparecer?
BETTY: Eu suponho que o governo sabe um bocado. Ninguém pode me convencer do contrário.

 

Pergunta: Na sua opinião, qual é a principal fonte de informação sobre OVNIS?
BETTY: Sem dúvida, a APRO (Aerial Phenomena Research Organization) em Tucson, Arizona. São totalmente profissionais e realmente sabem das coisas.

 

Pergunta: Recordando um pouco, há alguma coisa relacionada com o incidente de 1961 que, par uma razão ou outra, possa não ter sido registrada no livro?
BETTY : Depois de uma busca mais ou menos continua, finalmente encontramos o local de nossa captura, em Campton, cerca de 15 a 18 milhas (24 a 29 km) de Indiahead. Preenchia perfeitamente nossas recordação, até por ter um solo de areia fina, que é altamente incomum naquela área. Outra coisa que eu nunca mencionei no livro foi a história dos meus brincos. Cerca de vinte semanas depois do incidente (o seqüestro) voltei para casa com Barney e encontramos algumas folhas secas e um par de brincos meus sobre a mesa da cozinha. A casa estivera trancada e não tivemos idéia de como e porque eles haviam ido parar ali.

 

Pergunta: O que havia de significativo nisto?
BETTY: Depois de nosso tratamento com o Dr. Simon, eu me lembrava com clareza do líder alienígena dizendo – ou talvez comunicando – para mim: “se quisermos você saberemos onde encontrá-la.” Bem, esses brincos eram o mesmo par que eu usara na noite da captura e ali estavam, devolvidos para mim de alguma forma, com as folhas como lembrança do lugar onde a captura tivera lugar. Ao menos, essa é a minha interpretação, a qual cheguei depois das sessões de hipnose. Antes eu não tinha idéia do seu significado.

 

Pergunta: Quando Barney estava observando o OVNI, lá no campo, em Indianhead, por que ele sentiu que ia ser capturado?
BETTY: Barney simplesmente recebeu a mensagem (telepáticamente). Eu digo “recebeu a mensagem” querendo dizer que eles se comunicaram com ele de alguma maneira e disseram-lhe para ficar ali e ficar olhando. Quando a nave começou a descer é que ele tirou o binóculo dos olhos e correu de volta para o carro.

 

Pergunta: Qual a sua opinião sobre a serie de sonhos que você teve depois do encontro ?
BETTY: Acho que foi uma maneira natural de começar a lembrar do que o líder havia me instruído para esquecer. Isto é semelhante ao que aconteceu quando o Dr. Simon nos fazia esquecer cada sessão realizada, como dispositivo de segurança, para que não houvesse confabulação entre nós. Dr. Simon sentiu que ao redor da marca de dez dias (após cada consulta), começaríamos a nos lembrar de tudo, automaticamente. Então, ele insistia que o visitássemos cada sete dias e se não tivéssemos tempo para uma sessão completa, deveríamos ao menos ter um reforço na hipnose (N.T.: Betty se refere à sugestão pós-hipnótica de esquecer, a nível consciente, do conjunto de lembranças, obtidas sob hipnose em cada sessão). Uma coisa interessante é que, nos meus sonhos, eu usava objetos mais familiares para descrever o que estava acontecendo. Por exemplo: nos meus sonhos eu pensava que subira uma escada, mas – sob hipnose – lembrei-me de estar subindo uma rampa para entrar na nave.

 

Pergunta: Qual é sua opinião sobre o mapa estelar que você descreveu sob hipnose e depois desenhou?
BETTY: Acho que tanto quanto se possa imaginar, as duas estrelas grandes, conectadas por linhas grossas e múltiplas, no meu mapa, do Zeta Reticuli I e Zeta Reticuli II. Mas estas estrelas não podem ser vistas das Montanhas Brancas de New Hampshire. Na verdade, temos de estar ao Sul da Cidade do México para vê-las, então obviamente este mapa não foi feito por mim, olhando o céu e desenhando !

 

Pergunta: Sua experiência com o OVNI e sua tripulação mudou sua vida de alguma forma?
BETTY: A não ser pela publicidade estouvada da revista LOOK e tudo o mais, no começo e até dois anos atrás, quando me aposentei, diria que muito pouco. Continuei com meu trabalho como assistente social do estado e andei muito ocupada com isto. Mas agora, naturalmente, estou mais disponível para a imprensa e para receber relatos de OVNIS e há minha série de palestras. Vocês sabem, eu nunca recebi um tostão pelas conferências, antes. Mas agora que estou aposentada, achei que já era tempo de sobra para ser paga pelo meu trabalho ufológico.

 

Pergunta: Você tem um agente agora?
BETTY: Sim, sou representada pelo Program Corporation of America. A sede é em Hartsdale, estado de Nova Iorque e eles estão me mandando para lugares como Powell em Wyoming e Centralia, Washington, um montes de lugares. Até gravei um especial para a TV Australiana.

 

Pergunta: O que você sente sobre o filme “Contatos Imediatos de 30. Grau?
BETTY: É divertido, mas estritamente, Hollywood. Eu ache que o filme jogará muita gente fora dos trilhos se esperarem ver topos de montanha iluminados e tudo aquilo.

 

Pergunta: No filme, o herói, Roy Neary, entra num OVNI como voluntário. Mas e você? Se você tivesse a oportunidade de ver esses extraterrestres de novo e a chance de entrar na nave, você teria medo? O que você faria?
BETTY: Eu não faria nada disso e acho que ninguém com qualquer quantidade de juízo o faria também. Absolutamente, não!

 

Pergunta: Que tal a versão cinematográfica dos extraterrestres?
BETTY: A cabeça estava próxima da minha descrição mas os corpos pareciam frágeis e quanto aos dedos, bem, quem quer que desenhou as mãos deveria freqüentar um curso de anatomia. São um pouco ridículas

 

Pergunta: Finalmente o que você achou da “Nave Mãe” no fim do filme?
BETTY: Exagerada, iluminada e grande demais, somente uma invenção da imaginação de alguém. Simplesmente não acontece daquele jeito!

 

Pesquisas Posteriores

O Caso Barney e Betty Hill foi o primeiro caso de abdução divulgado a nível oficial. Embora outros tenham ocorrido e até mesmo sido investigado antes da ocorrência deste caso, este incidente é um divisor de águas na Ufologia Mundial. Devido ao seu caráter inédito, pelo menos àquela epoca, o caso sofreu pesadas críticas de diversos setores da sociedade, que sob os mais diversos pretextos, colocavam em dúvida a veracidade do caso e muitas vezes as comprovações à ele associados.

À primeira vista parece que nem mesmo os céticos se entendem em relação ao Caso, pois existem várias e várias explicações, ou tentativas de explicações de alguns detalhes do caso. No melhor modus operandi pseudo-científico, encontram uma explicação para alguns detalhes, ignoram o que não podem explicar e extrapolam isso para o caso inteiro e para os demais casos ufológicos. Stanton Friedman e Kahleen Marden resumem muito bem este método de ação em seu livro Captured!: The Betty and Barney Hill Ufo Experience [Ainda não publicado no Brasil]:

O que o público não sabe, eu não vou dizer a eles“.

Não me incomode com os fatos pois minha mente já está feita“.

Se alguém não pode atacar os fatos, ignore e ataque a pessoa“.

Faça uma pesquisa geral. Uma investigação profunda é muito problemática e a maioria dos jornalistas e cientistas jamais vai perceber a diferença“.

Em geral, críticas sobre OVNIs giram em torno da alegação de que não existem provas a favor para o fenômeno. Basta uma visita rápida à nossa seção comprovações, aqui no Portal Fenomenum, para perceber que o fenômeno é mais real do que eles pensam.

Em se tratando do Caso Hill, existem várias explicações levantadas pelos mais diferentes nomes do ceticismo internacional. Um dos primeiros a se manifestar em relação ao caso foi Phillip Klass, que em seu livro UFOs Identified, de 1966, afirma que o avistamento relatado pelo casal seria explicado como sendo um fenômeno natural, de natureza plasmática, gerada por raios bola. Esta hipótese, uma verdadeira afronta à inteligência de um ser racional pensante, desmorona quando levamos em conta as evidências físicas do contato [relógios danificados, doença da cadelinha Delsey, o ferimento nas costas de Barney e o conjunto de verrugas circulares na sua virilha, os vestígios no vestido, as marcas magnetizadas no veículo, etc]. Posteriormente, em seu livro UFO Abductions: A Dangerous Game, tenta consertar o estrago afirmando que o depoimento de Barney originou-se de fantasias geradas pelos sonhos de Betty, que por sua vez teria originado-se em leituras de jornais e revistas. Para apoiar sua tese ele afirma que em hipnose regressiva Barney demonstrava profundo terror por sua experiência enquanto Betty mostrava-se calma, como se estivesse descrevendo uma ida ao mercado. A bem da verdade, tanto Barney quanto Betty tiveram, durante a maior parte de sua experiência, momentos de pânico que, ocasionalmente, cediam lugar à calma e tranquilidade, em decorrência da influência dos tripulantes do aparelho. É um claro exemplo do: “O que o público não sabe, eu não vou dizer a eles.”

Em debates públicos sobre o caso, Phillip Klass procurou desacreditar o caso com táticas nada convencionais e até certo ponto questionáveis. Em certa ocasião, em debate com o ufólogo PhD Stanton Friedman, Klass levou uma folha de papel, com vários pontos desenhados nela, com a alegação de queria fazer um experimento científico para por em dúvidas a qualidade do mapa desenhado per Betty. Stanton Friedman recusou imediatamente afirmando que não se tratava de um teste científico e sim uma manobra proposital para atacar o caso. Ele justificou alegando os seguintes pontos:

Stanton Friedman não é Betty Hill, portanto, caracteristicas como percepção, memória e estilo de aprendizagem são diferentes

Betty estava condicionada por um hipnoterapeuta, formado em psiquiatria e reconhecido internacionalmente, que a preparou para desenhar o mapa se, e somente se, lembrasse claramente dele.

Betty descreveu o mapa como sendo uma espécie de holograma tridimensional, com profundidade e colorido, ao passo que o desenho de Klass eram pontos desenhados aleatóriamente com lápis em uma folha de papel, sem linhas ligando os diferentes pontos, como eram verificados no mapa desenhado sob indução hipnótica.

Outro cético que atacou levianamente o Caso Hill foi o mágico James Randi, da CSICOP. Randi declarou:

Parece evidente que a senhora Hill observou o planeta Jupiter, falou com seu marido para ele acreditar que era um OVNI, e depois imaginou que foi levada a bordo e feito esquecer suas experiências, que ela relembrou apenas depois de sonhar recorrentemente com o evento. Mas quando ela teve sua história aflorada, Betty Hill foi capaz de lembrar três anos após o evento, que ela tinha visto um mapa de navegação na sala de controle e o desenhou para a posterioridade. Este mapa é uma das várias afirmações que suportam o depoimento dos Hill“.

Esta declaração soa como imprecisa, falsa e enganosa a respeito do caso Hill. Primeiro pelo fato de que o objeto deslocava-se de forma errática, tinha formato nítido, com luzes piscantes ao longo da fuselagem. Em dado momento, o objeto estava sobre o carro, embora a um altitude considerável. Além disso, na época, a Lua, Jupiter e Saturno estavam bem próximos numa mesma região celeste, sendo vistos, por volta das 23 horas no céu, a sudoeste, a aproximadamente 45° acima do horizonte. Além disso, nos dias seguintes eles estariam ainda perfeitamente visíveis no céu e certamente teriam se assustado pensando que o objeto os perseguia todas as noites…

Outro ponto a se considerar é porque apenas na mesma região, na divisia de Lincon e Concord, em New Hampshire, houve relatos de avistamento, com a mesma descrição básica. Porque na Califórnia não houveram avistamentos do mesmo tipo? Porque na França, Itália e Brasil não houveram também? A resposta óbvia é que o objeto relatado na região de Lincon/Concord não era um corpo celeste e sim o que era realmente declarado pelo casal.

Em outra declaração, Randi errou de forma ainda mais grotesca ao comentar o trabalho de Marjorie Fish:

Ela como que reordenou o ponto de vista e retirou uma parte da constelação do Reticulum para facilitar a aceitação“.

Esta frase demonstrou o quanto Randi se aprofundou no caso e no trabalho de Marjorie Fish. Vários cientistas analisaram repetidas vezes o trabalho de Fish e ressaltaram a precisão e o nível de detalhes nele incluído. Randi ignorou o fato de que Fish montou 25 modelos precisos, em 3D da nossa vizinhança galática. Alguns modelos com até 250 estrelas. O modelo final realmente tinha estrelas da constelação citada, mas tinha também estrelas de outras constelações próximas e foi exatamente isso que Fish reproduziu: aquilo que era mostrado no mapa que ela viu a bordo do aparelho.

Um grupo de psiquiatras, certa vez, alegou que o relato de Barney e Betty Hill era fruto de alucinação gerado por estresse induzido pelo fato de formarem um casal interracial, sofrendo, portanto, preconceitos diversos. Se buscarmos confirmar esta hipótese veremos que ela não se sustenta, pois Barney e Betty, eram sim vítimas de preconceitos, mas nada que afetasse a vida do casal. Barney era muito querido pela família de sua esposa, em seu trabalho e em sua comunidade, recebendo menções honrosas por seu trabalho social. O próprio Dr. Simon, durante sua fase de investigação, constatou que alucinação estaria no fim da fila de possíveis explicações. Além disso, simples questionamentes já colocam esta hipótese em cheque:

Porque outros casais raciais não revelaram experiências idênticas?

Porque na África do Sul, onde a segregação racial e o preconceito atingiram níveis que beiram o absurdo não aconteceram casos semelhantes?

Um dos maiores críticos do caso foi o cético Martin Kottmeyer, do The Committee for Skeptical Inquiry. Em um artigo, de 1990 e intitulado Entirely Unpredisposed, Kottmeyer sugere que a memória de Barney revelada sob hipnose, teriam sido influenciadas pelo episódio Bellero Shield, da série The Outer Limits, que foi apresentado duas semanas antes da primeira sessão hipnótica de Barney Hill. ele declara:

Olhos oblíquos são uma raridade extrema em filmes de ficção científica. Conheço apenas um exemplo. Apareceu em um alienígena de um episódio de uma série de televisão antiga ‘The Outer Limits, intitulado “The Shield Bellero”. Uma pessoa familiarizada com o esboço de Barney em Uma Viagem Interrompida e o esboço feito em colaboração com o artista David Baker vai encontrar um frisson “dejavú”, subindo a espinha nesse episódio. A semelhança é muito estimulada pela ausência de orelhas, cabelo, e o nariz em ambos os aliens. Poderia ser por acaso? Conside que Barney descreveu e desenhou primeiro os olhos oblíquos durante a sessão de hipnose datada de 22 de fevereiro de 1964. “The Shield Bellero” foi transmitido pela primeira vez em 10 de fevereiro de 1964. Apenas 12 dias separam as duas instâncias. Se a identificação for admitida, a generalidade dos olhos oblíquos na literatura de abdução se deve à forças culturais“.

Olhando a primeira vista, parece fazer sentido a declaração de Kottemeyer. Mas fazendo uma comparação entre o desenho dos tripulantes e do alienígena representado em The Bellero Shield, a semelhança não é tão clara assim. Compare:

Representação de um dos tripulantes descritos no Caso Barney e Betty Hill.

 

Alienígena de The Bellero Shield

Mas ainda resta a velha pergunta que incomoda a quem tem medo da realidade: E as evidências e comprovações a favor do caso? Como fica? São perguntas para os quais Martin Kottmeyer não tem respostas. Aliás, Kottmeyer sequer conseguiu provar que Betty e principalmente Barney tenham visto o episódio. Na época em que o episódio foi ao ar, Barney trabalhava à noite, e quando não estava trabalhando, geralmente eles estavam envolvidos em atividades da NAACP.

Um ataque mais recente foi realizado pela psicóloga, PhD, Dra. Susan Clancy, da Universidade de Harvard. Em sua crítica em relação ao Caso Hill, ela ignorou detalhes importantes do caso. Jamais mencionou o mapa estelar ou qualquer outra evidência envolvendo o caso. Ou se refuta em todos os detalhes um caso, ou não se refuta nada. “Betty tinha visto uma estrela brilhante que parecia estar perseguindo-lhes. Nervosos, eles saíram da estrada principal e entraram em estradas secundárias da região, chegando em casa duas horas mais tarde do que o esperado”, declarou Susan. Ela comete o mesmo erro do mágico Randi, afirmando que o objeto avistado era uma estrela. Ignorou os movimentos descritos pelo casal e pelas testemunhas adicionais, ignorou o registro de radar, obtido na ocasião, ignorou que o objeto foi observado de binóculos e as evidências adicionais.

Outras alegações da Dra. Susan envolvem filmes de ficção científica e livros sobre Ufologia que Betty havia lido antes da hipnose. Mas ainda assim ignora as evidências já mencionadas e o fato de que os depoimentos do casal são bem diferentes do que vemos no cinema ou literatura ufológica da época. Uma simples visita aos seus colegas cientistas que já haviam investigado o caso seria suficiente para que ela pudesse fazer uma pesquisa mais apurada e correta em relação ao caso.

Seja qual for a explicação utilizada, as hipóteses explicativas aceitas no meio cético deixam grandes lacunas. Detalhes importantes são muitas vezes ignorados em nome de uma aparente explicação final que nada explica. É importante saber reconhecer certos fatos, por mais impressionantes, desconcertantes e inexplicáveis que sejam. Como dizia Claude Bernard: A Ciência sempre deve se colocar em guarda contra a superstição e a credulidade, mas não devemos refutar os fatos, somente porque eles nos parecem extraordinários e inexplicáveis.

Os Investigadores do Caso

Walter Webb

Webb era professor-chefe no Hayden Charles Planetarium, em Boston, Massachusetts. Ele graduou-se no Mount Union College, em 1956, como bacharel em Ciências Biológicas antes de prosseguir na carreira astronômica.

No início de sua carreira, ele trabalhou para o Dr. J. Allen Hynek, no Projeto Blue Book, no Observatório Astrofísico Smithsonian em Cambridge, Massachusetts, onde trabalhou no Programa de Rastreio de Satélites como assistente geral. Depois do lançamento do Sputnik II, Webb atuou operador de câmera no topo do Monte Haleakala, em Maui, Hawaii. Embora Webb tenha investigado OVNIs desde 1952, foi através sua associação com Hynek que ele desenvolveu uma intensa curiosidade sobre a análise científica dos dados a que Hynek teve acesso.

Isto levou Webb a filiar-se à NICAP e a desenvolver uma estreita amizade com o Diretor Adjunto Interino Richard Hall. Mais tarde, Webb atuou como diretor assistente do Planetário Hayden Charles, em Boston e como consultor de astronomia para NICAP, APRO, e mais tarde, para a Mutual UFO Network. Em 1994, o Center for UFO Studies o nomeou como seu associado de pesquisa sênior. Ele trabalhou por 32 anos no Hayden Charles Planetarium.

Benjamin Simon

Benjamin Simon era um imigrante russo que veio para os Estados Unidos com seus pais quando ainda era um garoto. Ele completou seu bacharelado na Universidade de Standford, em 1925, recebendo um mestrado em Química na mesma instituição, em 1927. Quatro anos depois, ele recebeu um doutorado em medicina pela Escola de Medicina da Universidade de Washington. Ele desenvolveu um interesse em hipnose em 1922, quando, ainda na graduação, foi hipnotizado em uma experiência do departamento de psicologia da Universidade John Hopkins. Em 1934, durante sua residência de psiquiatria, usou a hipnose pela primeira vez como procedimento terapêutico. Em 1942 ele era consulto de neuropsiquiatria do Dispensário Geral, em Nova York, onde recebeu treinamento no uso médico da hipnose. Ainda durante a Segunda Guerra Mundial, ele serviu como tenente-coronel no Exército Americano e foi condecorado com a Comenda Medalha do Exército, a American Campaign Medal, e mais tarde com a Medalha da Vitória. Dr. Benjamin Simon fundou o Centro Psiquiátrido no Hospital Geral mason, em Long island, Nova York, o centro médico psiquiátrico, do Exército Americano, durante a Segunda Guerra Mundial. No seu auge, o hospital tinha 3 mil leitos psiquiátricos, onde eram atendidos soldados em situação de estresse de combate e pós traumático. Ali, através da hipnose, o Dr. Simon ameninzava os sintomas característicos do estresse pós traumático.

O sucesso neste trabalho foi tão grande que deu origem à um documentário intitulado “Let There Be Light por John Huston”. Dr. Simon foi o conselheiro técnico durante as gravações e demonstrou o uso efetivo da hipnose no tratamento da neurose histérica, incluindo paralisisa, cegueira e amnésia. Ele também demonstrou como se processa a recuperação de memória associada à eventos traumáticos e envolvidos em períodos de amnésia. Após recuperar as lembranças envolvendo a origem de algum trauma ele removia quadros de histeria. Neste processo alguns resultados foram notáveis. Um soldado declaradamente cego, após ser hipnotizado, relatou o impacto de ver seu melhor amigo ser morto em combate. Após a sessão, sua visão estava normal. Em outro caso, um soldado aleijado psicogeneticamente em campo de batalha, voltou a caminhar.

Após deixar o exército, o Dr. Simon abriu um consultório particular em neuropsiquiatria, além de lecionar nas Universidades de Harvard e Yale, além de desenvolver atividades em Hospitais Psiquiátricos em vários estados americanos.

 

Marjorie Fish

Marjorie Fish nasceu em 19 de setembro de 1932, em Cleveland, Ohio. Ela graduou-se em Sociologia pelo Juniata College, em Huntingdon, Pennsylvania, em 1954, formando-se com louvor. De junho de 1962 a agosto de 1964 ela especializou-se em ensino infantil, na Elementary Education, em Bowling Green State University, em Bowling Gren, Ohio. Lecionou durante onze anos em escolas elementares do estado de Ohio. Seus hobbies eram variados: leitura, fotografia, artes, carpetaria, jardinagem, artesanato, musica, antropologia, civilizações antigas, botânica, mitologia, piscologia, zoologia e principalmente astronomia.

Ao tomar conhecimento do caso Hill desenvolveu um estudo sobre o mapa visto por Betty a bordo do aparelho e conseguindo identificar as estrelas envolvidas. O modelo tridimensional por ela desenvolvido para este estudo é ainda hoje utilizado pelo Departamento de Astronomia da Universidade Estadual de Ohio.

 

Kathleen Marden

Kathleen Marden é sobrinha de Betty Hill e testemunha direta de sua vida. Atualmente é quem mantém papéis e correspondências de Betty. Ela tinha 7 anos de idade por ocasião da abdução e esteve na casa dos Hill alguns dias depois do episódio. Foi testemunha dos testes com bússola nos pontos lustrosos encontrados no veículo. Também pôde verificar os estados em que ficaram os relógios de pulso, o vestido de Betty e os sapados de Barney. Também foi testemunha de alguns fatos estranhos ocorridos na casa de Betty nos anos que se seguiram à abdução. Em várias ocasiões ela registrou os depoimentos de Betty, comparando-o com relatos e depoimentos anteriores, sendo ela, atualmente, quem mais se aprofundou no estudo do caso. Ela foi Diretora de Pesquisas da Mutual UFO Network (MUFON).

 

Stanton Friedman

Stanton Friedman nasceu em 29 de julho de 1934. Formou-se em Física, pela Universidade de Chicago, em 1955, fazendo seu mestrado em 1956, em Física Nuclear. Durante 14 anos, trabalhou como físico nuclear em projetos científicos de várias companhias, como General Electric, General Motors, Westinghouse, TRW Systems, Aerojet General Nucleonics e McDonnel Douglas. Desde 1970, ele concentra seus esforços na pesquisa ufológica, tendo feito palestras em centenas de países, além de ser presença constante em programas de televisão e rádio na América do Norte. É autor de importantes livros sobre Ufologia.

 

John Fuller

Nascido em 1913, o americano John Fuller é autor de vários livros sobre Ufologia e fenômenos paranormais. Ele manteve durante algum tempo uma coluna regular no saturday Review Magazine, chamada Trade Winds. Entre os seus livros mais famosos estão: A Viagem Interrompida, sobre o Caso Hill; Incidente em Exeter e The Ghost of Flight 401, sobre um acidente de avião associado à fenômenos paranormais. Fuller morreu em 1990, vitima de cancer.

 

Referências:


  1. FRIEDMAN, Stanton e MARDEN, Katheleen. CAPTURED: The Betty and Barney Hill UFO Experience. New Jersei: New Page Books, 2007.
  2. DURRANT, Henry. Primeiras investigações sobre os humanóides extraterrestres. Tradução de Luzia D. Mendonça. São Paulo: Ed. Hemus,1980.
  3. MISTÉRIOS DO DESCONHECIDO. Contactos Alienígenas. Rio de janeiro: Time-Life Livros,1993.
  4. MISTÉRIOS DO DESCONHECIDO. O Fenômeno OVNI. Rio de janeiro: Time-Life Livros,1993.
  5. NOBILE, Peter. UFO, Triângulo das Bermudas e Atlântida – O que há de verdade. Tradução de Gilson Cesar Cardoso de Souza. Melhoramentos: 1979.
  6. HYNEK, J. A. Ufologia, Uma Pesquisa Científica. Uma apreciação crítica do problema dos UFOs/OVNIs pela mais alta autoridade no assunto.Tradução de Wilma Freitas Ronald de Carvalho. Rio de Janeiro: Editora Nórdica, 1972.
  7. Boletim da Sociedade Brasileira de Estudos de Discos Voadores – Edição 26-27
  8. Boletim da Sociedade Brasileira de Estudos de Discos Voadores – Edição 90-93
  9. Boletim da Sociedade Brasileira de Estudos de Discos Voadores – Edição 1975
  10. PEREIRA, Jader. Tipologia dos humanóides extraterrestres. Coleção Biblioteca UFO, nº 1, Março 1991.
  11. SBEDV. Contatos com extraterrestres no Brasil. Revista UFO, Campo Grande, nº 6, p.20-2, nov/dez 1988.
  12. LAUDA, Jaime. O Caso Villas-Boas revisado. Ufologia Nacional e Internacional, Campo Grande, nº 3, p. 13-15, julho/agosto 1985.
  13. http://www.infa.com.br/barney_e_betty_hill.html
  14. http://www.geubs.com.br/paginas/pagina_03_02_01_06.htm
  15. http://www.gnosisonline.org/Ufognose/caso-barney-e-betty-hill.php
  16. http://www.cubbrasil.net/index.php?option=com_content&task=view&id=84&Itemid=86
  17. http://oarquivo.com.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=136:o-caso-barney-e-betty-hill&catid=79:ufologia&Itemid=380
  18. http://en.wikipedia.org/wiki/Betty_and_Barney_Hill_abduction
  19. http://www.ufos-aliens.co.uk/cosmichills.html
  20. http://www.ufoforhumanrights.com/zeta-reticuli.php
  21. http://www.kathleen-marden.com/
  22. http://www.astrosurf.com/lunascan/hillzeta.htm
  23. http://www.astrosurf.com/lunascan/hillzeta2.htm
  24. http://www.nicap.org/hilldir.htm
  25. http://www.archive.org/stream/AlienAbduction_74/alienabduct_djvu.txt

Comment (1)

  • Marcos Alexandre Reply

    Prezado Jackson, tenho uma dúvida: Seriam os seres avistados pelo casal Hill parecidos com os seres descritos pelo caso Thiago Machado?
    Pude notar uma semelhança, em especial nos olhos que são assimétricos em relação ao posicionamento no crânio da criatura.
    Parabéns pelo site.

    3 de março de 2022 at 11:10

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