Espaço aéreo invadido? OVNIs ou balões?

Por: Fenomenum Comentários: 0

Nas ultimas semanas, a imprensa internacional tem relatado uma série de incidentes envolvendo objetos de origem desconhecida invadindo o espaço aéreo da América do Norte.


Neste artigo:


Por Jackson Luiz Camargo – ufojack@yahoo.com

Introdução

Em 2 de Fevereiro, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos noticiou que um balão espião, que teria origem na China, estava sobrevoando o território dos Estados Unidos, provocando um aumento de tensão entre os dois países.

O brigadeiro-general Patrick Ryder, porta-voz do Pentágono, declarou que o governo dos EUA estava rastreando o balão – que tinha o tamanho de três ônibus – há vários dias enquanto ele se deslocava pelo norte do país, acrescentando que o objeto “viajou em uma altitude bem acima do tráfego aéreo comercial e não representa uma ameaça física ou militar para as pessoas no solo”.

Acreditamos com confiança que este balão de vigilância de alta altitude pertence [à República Popular da China]”, disse outro alto funcionário da defesa. “Instâncias dessa atividade foram observadas nos últimos anos, mesmo antes deste governo.”

Imagens do que seria o balão chinês que sobrevoou os Estados Unidos no começo de Fevereiro. Créditos: CNN

Moradores da cidade de Reed Point, cerca de 100 quilômetros a oeste de Billings, a maior cidade de Montana, disseram ter visto o balão. Além disso, pilotos de alta altitude avistaram o suposto balão espião enquanto ele pairava sobre o centro dos Estados Unidos.

Balão abandonado à deriva”, observou a tripulação de um jato particular Cessna Citation em um boletim meteorológico, que chegou à Administração Federal de Aviação por volta das 11h30, no horário de Miami.

O governo americano foi categórico em suas declarações, afirmando tratar-se de balão espião. O governo chinês, entretanto, embora admita que o balão teve origem chinesa, nega tratar-se de espionagem e sim de um instrumento de estudos meteorológicos.

Este incidente gerou diversas especulações em todo o planeta. A possibilidade de que este balão seja espião ocorre pelo fato de ele ter sobrevoado áreas militares dos Estados Unidos. E dentro desta ótica se questiona por que ele não foi abatido antes de sobrevoar o território americano. Por que permitiram que ele sobrevoasse regiões estratégicas?

Segundo a CNN, autoridades militares de alto escalão aconselharam o presidente dos EUA, Joe Biden, a não derrubá-lo por medo de que os destroços possam representar uma ameaça à segurança das pessoas no solo, disse o oficial de defesa. Levando o histórico do governo americano em não se preocupar com vidas de civis em variadas situações, tal justificativa soa estranha.

Um funcionário da Defesa declarou: “Avaliamos o risco de derrubá-lo, e embora a probabilidade de destroços caírem e ferir alguém ou danificar a propriedade seja baixa em uma região pouco povoada área, não valia a pena”.

Dúvidas

Analisando o contexto disso tudo, surgem constatações e questionamentos interessantes. A China um país com grande avanço tecnológico, com domínio de exploração espacial iria usar grandes balões, brancos e facilmente visíveis no céu, para espionar outros países? Balões que irão voar à mercê dos ventos, não havendo garantias de que irão sobrevoar áreas de interesse estratégico. Ainda mais tendo satélites que poderiam fazer registros a qualquer hora, de forma confidencial?

É possível que o governo dos Estados Unidos esteja alimentando tensões para demonstração de força, diante de todo esse complicado contexto geopolítico atual.

Seja como for, em 4 de Fevereiro, por ordem do presidente Joe Biden, o balão foi abatido por um caça F-22 Raptor da Força Aérea dos Estados Unidos, gerando uma crise diplomática com a China.

F-22 disparando um míssil ar-ar AIM-120 AMRAAM. Foto: USAF.

 

Na terça-feira (7), os EUA divulgaram imagens da retirada dos destroços do balão do mar. “Pudemos estudar e escrutinar o balão e seus equipamentos, o que foi valioso”, chegou a dizer um oficial do Pentágono.

Segundo o Departamento de Estado dos EUA, o balão era “claramente para a vigilância de inteligência e era inconsistente com o equipamento encontrado nos balões meteorológicos. Tinha múltiplas antenas para incluir uma matriz provavelmente capaz de coletar e geolocalizar comunicações“, afirmou o Departamento em nota oficial.

Estava equipado com painéis solares suficientemente grandes para produzir a energia necessária para operar múltiplos sensores ativos de coleta de dados de inteligência“, detalhou um funcionário do governo norte-americano, sob condição de anonimato.

Imagem feita do solo mostra a parte de baixo do balão chinês durante atividade de caça americano para destruir o objeto — Foto: Chad Fish via AP

 

Novas detecções

Com a intensificação do interesse público sobre o caso surgiram relatos de balões semelhantes na Costa Rica e na Colômbia, mas que não foram abatidos pelas Forças Aéreas destes países.

Em 9 de fevereiro outro balão foi detectado sobre território dos Estados Unidos. Desta vez sobre o Alasca. Jatos F-35 foram enviados para investigar depois que o objeto foi detectado pela primeira vez, de acordo com uma autoridade dos EUA. O primeiro sobrevôo de caças americanos aconteceu na noite de quinta-feira (9), e o segundo aconteceu na manhã de sexta (10 de fevereiro).

Ambos trouxeram poucas informações sobre o objeto e posteriormente forneceram relatos diferentes sobre o que observaram, disse uma fonte da inteligência dos Estados Unidos.

Alguns pilotos disseram que o objeto interferiu com seus sensores nos aviões, mas nem todos os pilotos relataram ter experimentado isso. Outros pilotos afirmaram não ter visto nenhuma propulsão identificável no objeto e não conseguiram explicar como ele permaneceu no ar, apesar do objeto cruzar a uma altitude de 40.000 pés, sendo uma ameaça ameaça potencial para aeronaves civis, seguindo para nordeste e sem indicações de que poderia estar sendo controlado. Além disso, segundo o Departamento de Defesa, este objeto possuía o tamanho de um carro pequeno, sendo forma cilíndrica, e não havia indicações de que se tratava de uma ameaça militar.

Os relatos conflitantes de testemunhas oculares são em parte o motivo pelo qual o Pentágono não conseguiu explicar completamente o que é o objeto que foi derrubado por ordem do presidente Joe Biden.

Não temos mais detalhes neste momento sobre o objeto, incluindo suas capacidades, propósitos ou origem”, informou o Comando de Defesa norte-americano.

Agentes militares, da CIA e do FBI, além de autoridades locais estão envolvidas na operação de resgate do objeto. Os esforços de recuperação estão sendo afetados pelas condições climáticas do Ártico, “incluindo vento frio, neve e luz diurna limitada”.

Estamos chamando isso de objeto porque essa é a melhor descrição que temos no momento”, disse Kirby. “Não sabemos quem é o dono – se é estatal, corporativo ou privado, simplesmente não sabemos”.

Porta-voz de Segurança Nacional da Casa Branca, John Kirby, deu a notícia que, sob ordem do presidente Biden, os militares derrubaram um objeto não identificado sobre o Alasca 06/01/2023REUTERS/Kevin Lamarque

 

Com a divulgação da existência deste novo objeto, parte da imprensa o tratou como um balão, enquanto outra parte o rotulou como um objeto voador não identificado. Devido à isso, a comunidade ufológica internacional alvoroçou-se. Enquanto ufólogos tentam obter informações fidedignas sobre o caso, youtubers e tiktokers aproveitaram o fato para ganhar algumas visualizações e seguidores espalhando informações que na maioria das vezes não tinham fundamentação.

No dia seguinte, 11 de fevereiro, outro objeto foi detectado em Yukon, no Noroeste do Canadá. Este objeto também foi derrubado, desta vez por ordem do primeiro ministro canadense Justin Trudeau.

Ordenei a derrubada de um objeto não identificado que violou o espaço aéreo canadense“, anunciou Trudeau. Sem fornecer maiores detalhes sobre o objeto ou sua trajetória.

Registros anteriores

Estes casos recentes, embora sejam inicialmente rotulados como OVNIs (ou UAPs no termo atual) e mais tarde identificados como balões com instrumentos, tem forte impacto na pesquisa dos OVNIs, tanto a nível governamental quanto a nível civil.

Durante o governo de Donal Trump, vários casos similares aconteceram, embora não tivessem chegado ao conhecimento da mídia e da opinião pública.

Segundo o jornal The New York Times, os militares dos EUA descobriram que balões semelhantes invadiram o espaço aéreo dos EUA pelo menos três vezes durante o governo do presidente Donald Trump, de janeiro de 2017 a janeiro de 2021.

De acordo com o relatório do NYT, levou tempo até mesmo para o alto escalão das forças armadas dos EUA aprender sobre esses casos, já que alguns foram inicialmente classificados como OVNIs.

Os balões são a causa de muitos incidentes inexplicáveis ​​que a Marinha e outros serviços militares rastrearam nos últimos anos“, segundo o NYT.

Quando os casos de OVNIs foram vinculados à China, as autoridades mantiveram a informação em segredo para não informar a China que seus esforços de rastreamento foram expostos, acrescentou o jornal, citando suas próprias fontes entre as autoridades americanas.

Disso tudo surge um dado interessante: Se a China realmente usa balões para ações estratégicas e de espionagem, então a explicação de que alguns OVNIs registrados pela Marinha, voando em altíssima velocidade, fazendo manobras impossíveis para aeronaves convencionais e alternando entre os meios aquático, aéreo e espacial, teria origem chinesa não se sustenta de forma alguma.

Detecções também na China

Também em 11 de Fevereiro, as autoridades da província chinesa de Shandong, no leste da China, anunciaram a descoberta de um “objeto voador não identificado” sobre águas do Mar Amarelo, ao largo da cidade de Rizhao, de acordo com as autoridades marítimas provinciais, por meio em um comunicado ao jornal estatal internacional chinês ‘Global Times’.

Segundo a nota, o Exército chinês se prepara para abater o objeto e as autoridades pedem aos pescadores da região que adotem as medidas de proteção necessárias e se possível façam registros visuais do objeto para auxiliar sua identificação.

 

 

Com informações de:


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