Uma Visão Geral da Noite Oficial dos OVNIs

Por: Jackson Camargo Comentários: 0

O Caso da Noite Oficial dos OVNIs é, com certeza o caso ufológico com o maior número de testemunhas da história da Ufologia Mundial. Milhares de pessoas, em diferentes estados brasileiros, com as mais diversas idades, formação, religiões, civis, militares e pilotos, observaram a manifestação de dezenas de objetos inteligentes, cujo número total é ainda incerto. 


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Por Jackson Luiz Camargo – ufojack@yahoo.com

 

Na Ufologia Mundial existem inúmeros casos intrigantes que destacam-se dos demais, seja pelas características espantosas de manifestação do fenômeno, seja pelo número de testemunhas diretas, ou ainda pelo impacto gerado pelo fato ufológico. O Caso da Noite Oficial dos UFOs destaca-se nestes aspectos e segue sendo o fato ufológico com o maior número de testemunhas diretas da história da Ufologia Mundial.

Milhares de pessoas, entre militares, pilotos comerciais, autoridades e a população em geral, observaram um verdadeiro show aéreo de dezenas de objetos voadores, com formatos e tamanhos variados, que realizavam manobras a velocidades ainda hoje impossíveis para a tecnologia terrestre, naquilo que o controlador de voo Sargento Sérgio Mota da Silva (uma das principais testemunhas do caso) definiu como o Festival dos Discos Voadores. Hoje, 35 anos depois, existem muitos detalhes inéditos deste evento e muito mais ainda por descobrir.

O então Sargento Sérgio Mota da Silva, controlador de voo da Torre de Controle do Aeroporto de São José dos Campos (SP), um dos personagens principais deste caso. [Acervo pessoal Sérgio Mota da Silva]

 

Parte do que aconteceu na noite de 19 para 20 de maio de 1986 só foi possível reconstituir graças aos áudios gravados na ocasião e liberados oficialmente pela Força Aérea Brasileira (FAB). São quase oito horas de gravações das comunicações ocorridas na Torre de Controle do Aeroporto de São José dos Campos (SP), na Defesa Aérea e de quatro dos cinco caças enviados para interceptar os misteriosos objetos. Dados adicionais foram obtidos  partir de entrevistas recentes com as testemunhas, civis e militares, que acrescentaram detalhes interessantes e inéditos ao caso.

Tudo começou por volta das 18 horas de 19 de maio de 1986, quando o primeiro objeto luminoso foi observado a partir da Torre de Controle de São José. O UFO encontrava-se a Noroeste da cidade e permaneceu visível por vários minutos, estático no céu. Experiente em sua função, o controlador de voo local, Sargento Sérgio Mota da Silva, estranhou o fato e seguindo os protocolos aeronáuticos entrou em contato com a Torre de Controle do Aeroporto de Guarulhos questionando a presença de aeronaves na referida região. Em resposta, o operador informou que não havia qualquer aeronave na área informada pelo Sargento Mota(1, 86).

Reconstituição da visão da Torre de Controle do Aeroporto de São José dos Campos, por volta das 18 horas, de 19 de maio de 1986. Um objeto luminoso surgiu a Noroeste do aeroporto, permanecendo estático no céu, por longo tempo. [Créditos: Jackson Camargo]

 

Neste mesmo momento, o APP-SP (Controle de Aproximação de São Paulo) já captava outro objeto voando lentamente, 37 km à Leste de São José dos Campos. O UFO avistado pelo sargento Mota não era captado pelos radares da Força Aérea, que captava outro objeto que não era visível naquele momento. Dada a estranheza do fato, iniciou-se ali um intenso diálogo telefônico entre diferentes departamentos e setores aeronáuticos brasileiros. Ao telefone, Mota alternava conversas entre o Centro Brasília, Controle São Paulo e Defesa Aérea, informando o que estava sendo observado ou pedindo confirmação de radar para os objetos avistados(86).

Por volta das 18h30, havia dois objetos próximo à São José dos Campos (SP). O que estava a Noroeste do Aeroporto era visto, mas não era captado nos radares. O objeto à Leste do Aeroporto era captado nos radares, mas não era visível da Torre do aeroporto. Os objetos não identificados estão assinalados na cor laranja.

 

 

Fenômeno Intenso

Por volta das 19 horas, vários controladores de voo, em torres e centros de controle já recebiam, por rádio, relatos de pilotos comerciais em voos em diferentes pontos do Brasil. Naquela época, não havia telefones celulares nem Internet e a comunicação entre esses departamentos ocorria via telefones fixos. As comunicações entre os Centros foram tão intensas a ponto de deixarem os telefones congestionados na Base Aérea de São Paulo. Os controladores repassaram informações à Defesa Aérea que elevou o nível de atenção aos fatos(1).

Além dos controladores de voo, outras unidades militares entraram em alerta. Na Escola de Especialistas da Aeronáutica (EEAR), em Guaratinguetá (SP), aproximadamente 2.000 militares ali presentes testemunharam a passagem de mais de uma dezena de objetos luminosos, no mesmo instante em que ocorria um blackout, que deixou a base e a cidade às escuras, durante alguns minutos(49). Fato semelhante ocorreu em Jundiaí (SP), e diferentes pontos do estado de São Paulo, onde também houve blackout durante a revoada dos UFOs(1).

Na escola de Especialista da Aeronáutica, cerca de 2.000 militares puderam observar a passagem de vários objetos luminosos, entre 19h30 e 20 horas da noite de 19 de maio de 1986.

 

 

O Centro de Controle de Área de Brasília (ACC-BS) recebeu ligações de várias torres de controle dentro de sua área de jurisdição. A Torre de Controle de Pirassununga (SP) questionou ao CINDACTA se os radares captavam alguma movimentação diferente no céu, sobre a cidade, onde está instalada a Academia da Força Aérea (AFA), importante centro de formação de pilotos. A Torre de Controle de Ribeirão Preto (SP), por sua vez, questionou se Brasília estava captando uma espécie de clarão muito grande no céu, na região da cidade. Em ambos os casos, os radares não identificaram nada de anormal(86, 87, 89, 90, 91, 101).

O Exército Brasileiro também entrou em alerta em função das aparições de UFOs sobre o Brasil. Em São José dos Campos (SP), funcionava a ENGESA, uma empresa do setor bélico, petrolífero e automobilístico, ligada ao Exército. Naquela noite, os militares pediram que toda a fábrica fosse desligada, pois não se sabia ainda o que estava sobrevoando o país e havia o temor de ser algum tipo de espionagem por parte de nações estrangeiras(1).

Por volta de 19h45, vários OVNIs estavam sendo captados sobre a região do Vale do Paraíba. Havia também outro objeto sendo avistado a olho nú, sobre a cidade de São Paulo, além de outros objetos avistados sobre o mar, à frente das praias de Ipanema e Copacabana, no Rio de Janeiro (RJ). Quantos outros avistamentos ocorreram, sem registros no radar e sem serem relatados às autoridades, à imprensa ou aos ufólogos? Na cor laranja estão representados os objetos observados ou captados nos radares neste momento.

 

 

Manobras Impressionantes

Foi durante um dos diálogos com a Defesa Aérea que o Sargento Mota ficou impressionado com a passagem de um objeto em voo rasante sobre a refinaria da Petrobrás, distante poucos quilômetros da Torre de Controle. Na gravação, feita na ocasião, é possível ver como essa manobra impressionou o militar:

 

“Porra… Tem um passando baixo, cara! Tá bonito!… E voando em Ala, meu irmão!… Pô rapaz, tô arrepiado meu irmão!… Só dois pontos brancos, afastados, mas voando em ala e baixos!… Estão entrando no alinhamento da pista, além da cidade.”

 

A gravação em áudio não revela maiores detalhes sobre este fato, porém em entrevista à este autor, Mota contou mais detalhes deste avistamento, revelando que possivelmente não eram dois ou três objetos e sim um único objeto triangular, escuro, com luzes em suas extremidades:

 

“O objeto passou na altura dos vidros da torre, só que afastado. Parecia realmente alguma coisa sólida. Ele passou do lado da torre. Três luzes. Quando eu vi, eu pensei que eram três [objetos]. Quando passou do lado tinha impressão que era um. E ele tinha um na frente… Como as luzes de um avião. Eram as luzes dele. E a impressão que tinha é de que era um objeto sólido porque eu não vi direito as luzes da refinaria além dele. Ficou um espaço escuro.”

 

Sargento Sérgio Mota estava na Torre de Controle do Aeroporto de São José dos Campos quando observou um objeto escuro, triangular e com luzes nas extremidades, passar entre a Torre e a Refinaria da Petrobrás, em voo rasante, colocando a Noroeste, no alinhamento da pista de pouso do aeroporto.

 

 

 

Neste momento, por volta das 20h30, havia aproximadamente seis ou sete objetos sobre a região de São José dos Campos. Alguns sendo captados por radar, outros observados visualmente.

Moradores de várias outras cidades de diferentes estados também estavam tendo avistamentos. No Rio de Janeiro, pessoas em diferentes bairros avistaram várias luzes, que voavam em formação e em alta velocidade, sobre o mar. Entre as testemunhas estava o Brigadeiro Sócrates Monteiro, na época comandante do 4º Comando Aéreo Regional, órgão que controlava o espaço aéreo da Região Sudeste(102). Outros avistamentos ocorreram na cidade de Niterói, Cabo Frio e Resende, também no estado do Rio de Janeiro(1).

Por volta de 20h15, várias cidades já registravam avistamentos, sem que soubesse a causa ou intenções desta manifestação. Na cor laranja estão representados os objetos observados ou captados nos radares neste momento.

 

 

Por volta das 21 horas, 120 militares da Marinha, lotados no CADEST, região do Gama (DF), observaram 3 luzes coloridas, que em dado momento fundiram-se, passando a voar em alta velocidade, com movimentos em zig-zag, durante vários minutos. Alguns militares ficaram tão impressionados com a aparição que precisaram ser amparados(1).

No estado de São Paulo, milhares de pessoas observaram objetos luminosos voando sobre diferentes cidades. Segundo os relatos, eles eram multicoloridos, realizando manobras fechadas em altíssima velocidade e em completo silêncio. Caçapava, Santa Isabel, Ubatuba, Santos, Taubaté, Pindamonhangaba, Jacareí, Artur Nogueira, Rio Claro, Campinas, Mogi das Cruzes, Paraibuna, Santa Branca, São José do Rio Preto e a própria capital foram sobrevoadas diversas vezes(1). Outro ponto coincidente nos relatos é a presença de um objeto maior, igualmente luminoso, silencioso e multicolorido, que permaneceu longo tempo sobre a Serra da Mantiqueira chegando, em dado momento, a aproximar-se da cidade de São Paulo. O objeto foi também observado pelo Sargento Mota e captado pelos radares do APP-SP(88, 89):

Controle São José: Eu pensei que fosse uma estrela, mas… Tá paradinho ali.
ACC-BS: Inclusive está evoluindo ali. Peguei um montão de coisa em volta. [Ininteligível] Eu peguei um agora, acabei de ver aqui, oh.
Controle São José: Tem, tem, tem uns pontinhos em volta dele. Agora, no binóculo, eu tô vendo os pontos.
ACC-BS: Dá pra ver a nave mãe com um monte deles.
Controle São José: Isso, pontos em volta. Tá paradinho: um no centro parado e uns pontos em volta.
ACC-BS: Isso é nave-mãe.

 

Encontros Aéreos

Este mesmo objeto foi avistado, embora à distância, pelo Coronel Ozires Silva e o Comandante Alcir Pereira. Ozires voltava de Brasília para São José dos Campos, a bordo de um avião Xingu, prefixo PT-MBZ, quando foi alertado pelo controle de tráfego aéreo da presença de tais objetos sobre a região de São José dos Campos. Eles passaram a observar atentamente o céu, na esperança de observar alguns dos objetos ali presentes. Poucos minutos depois, decidiram sair da rota e dirigir-se à uma área situada a aproximadamente 27 Km a Nordeste do aeroporto de São José, onde o radar captava um UFO. Ao chegar à região, Ozires Silva e o Comandante Alcir não observaram nada de anormal e resolveram retomar o procedimento de pouso.

Este é o avião Xingú, prefixo PT-MBZ, tripulado pelo Coronel Osiris Silva e pelo Comandante Alcir Pereira. É a única foto conhecida desta aeronave, ainda com esta pintura e com este prefixo.

 

 

Ao manobrar a aeronave eles avistaram um UFO luminoso, entre São Paulo e Mogi das Cruzes, que rapidamente desapareceu. Passava das 21 horas e os pilotos do Xingu trocavam informações com a Torre de São José, quando surgiu outro UFO, desta vez à esquerda da aeronave, no eixo da aerovia, entre Rio de Janeiro e São Paulo. O UFO também não foi captado nos radares e logo desapareceu.

Pouco depois, Coronel Osíris chamou novamente a Torre para informar que observou outro UFO luminoso, a uma distância de aproximadamente 9 Km e a 6 mil pés (1.800 metros) de altitude, descrevendo como algo bem visível, grande e bem vermelho. Este objeto apresentou um comportamento que chamou a atenção dos pilotos, pois inicialmente se afastou, esmaecendo e logo desapareceu. Em seguida, reapareceu em outra posição, agora nos limites da cidade de São Paulo. Imediatamente, os pilotos manobraram o avião, tentando aproximar-se do UFO, e enquanto seguia esta luz, surgiu outra à sua direita. Esta era idêntica ou possivelmente a mesma observada nas imediações de Mogi das Cruzes (SP), pouco antes. E assim como naquele caso, este objeto rapidamente desapareceu.

À esquerda, o Coronel Osiris Silva. À direita, o Comandante Alcir Pereira. Ambos tripulavam a aeronave Xingu, prefixo PT-MBZ, na noite de 19 de maio de 1986.

 

O outro UFO, próximo à São Paulo e que os pilotos perseguiam, rapidamente mudou sua posição inicial, cruzando a frente da aeronave e desaparecendo em seguida. Este fato deixou o controlador Sérgio Mota em estado de grande excitação, pois era uma situação que representava riscos à segurança aérea, e seguindo os protocolos, imediatamente avisou o ACC-BS. Pouco depois, enquanto Sergio Mota ainda falava ao telefone com o ACC, Coronel Osíris chamou ao rádio novamente, informando que avistava um novo objeto:

PT-MBZ (Cel. Osíris Silva): São José, Mike Bravo Zulu!
Controle São José: Prossiga Mike Bravo Zulu!
Pt-MBZ (Cel. Osíris Silva): Ah sim… Nós estamos agora, à direita, na direção de São Paulo. Na direção anterior, é uma luz bem forte, São José. Bem maior do que anteriormente foi avistado. Estão aparentemente no início de São Paulo, entre São Paulo e Mogi das Cruzes.
Controle São José: Positivo! Observada luz bem mais forte que a anterior, agora entre Mogi e São Paulo, à sua direita.
PT-MBZ (Cel. Osíris Silva): Exatamente! Continua bem visível e não é estrela!
Controle São José: Ciente. Continua bem visível e não é estrela. Mantenha a escuta.

 

 

Imediatamente, os pilotos manobraram a aeronave para se aproximar da misteriosa luz. Como aquela área estava fora da jurisdição da Torre de Controle de São José dos Campos, Sérgio Mota pediu que sintonizassem a frequência do APP-SP, para que seu voo pudesse ser controlado por lá.

Em seguida, ao retornar o contato com o ACC-BS, o operador informou ao controlador que seria adotada a política de acidente aeronáutico, de modo que os procedimentos deveriam focar no cuidado em relação à segurança de voo frente aos misteriosos fenômenos que estavam ocorrendo. E cumprindo os protocolos de ação destes casos, o próprio Ministro da Aeronáutica na época, Brigadeiro Otávio Júlio Moreira Lima, foi informado dos fatos.

Às 21h15, outro objeto foi observado a partir da Torre do Aeroporto de São José dos Campos. Desta vez, era algo luminoso, de cor amarelada, visto a Sudeste. Quase ao mesmo tempo, os pilotos do PT-MBZ avistaram um UFO luminoso sobre a região Norte de Taubaté (SP), que logo desapareceu. Ao telefone, o ACC-BS informou ao controlador Sérgio que estes dois objetos não apareciam em seus radares. Enquanto o PT-MBZ se preparava novamente para o pouso, Sergio Mota conversava com o ACC-BS, descrevendo a luz observada:

Controle São José: Brasília e Controle.
ACC-BS: Boa noite.
Controle São José: Ok, na radial 120 (direção Sudeste), ele voltou e está com brilho mais forte.
ACC-BS: [Ininteligível]
Controle São José: Pô, eu não posso estar vendo coisas.
ACC-BS: Você não está vendo coisas não, meu filho. É o seguinte: isso é normal, eles vão aparecer.
Controle São José: Ainda bem que tem uma testemunha voando aqui. O cara viu também.
ACC-BS: [Ininteligível]
Controle São José: Controle! Controle Brasília! O que eu tô vendo agora é uma luz alaranjada. Não posso precisar a distância. Tá 3º acima do horizonte, na minha radial 120 (direção sudeste), aproximadamente.
ACC-BS: [Ininteligível]
Controle São José: Não. Não é apenas um ponto luminoso, bordas bem definidas. Mike Bravo Zulu, São José.
PT-MBZ (Cel. Osíris Silva): Na escuta.
Controle São José: Está observando alguma coisa na sua posição 10h aproximadamente, 3º acima sobre o horizonte?
PT-MBZ (Cel. Osíris Silva): Positivo. Estamos observando e atrás da gente também.
Controle São José: Ciente. Está observando também.
PT-MBZ (Cel. Osíris Silva): À direita também nossa observação. Nós estamos inclusive com outro no solo, em deslocamento.
Controle São José: Ciente. Confirmando?
PT-MBZ (Cel. Osíris Silva): Nós temos ponto no solo em deslocamento. É… Ponto luminoso, bem enorme, mas não dá pra identificar. É como se fosse uma estrela. É muito grande.
Controle São José: Ciente. Entendido, em deslocamento. Positivo, Mike Bravo Zulu.
PT-MBZ (Cel. Osíris Silva): Tranquilo, estamos arremetendo. Estamos verificando mais próximo.
Controle São José: Ciente arremeteu prossegue para verificação próxima.
PT-MBZ (Cel. Osíris Silva): Afirmativo. Informação: existe um ponto piscando sobre a Petrobras, a baixa altura, bastante nítido e se deslocando. Aqui do lado esquerdo… É… Ao Sul aproximadamente… Aqui da Vila Industrial… Tem três pontos também.

 

Devido à intensidade e importância dos avistamentos e ao evidente risco ao tráfego aéreo, foi solicitado a gravação da tela do radar de São Roque, que iniciou-se precisamente às 21h21 daquela noite. Pouco depois, o ACC-BS informou que registrou um novo objeto não identificado, desta vez a 24 Km ao Sul e outro à Leste de São José, que logo foram observados pelo controlador. O alvo que se mantinha ao Sul da cidade, repentinamente acelerou, atingindo a velocidade de 2.407 Km/h, indicado no radar. Neste mesmo momento, o COpM acionou o sistema de Defesa Aérea, deixando os oficiais de sobreaviso, para qualquer eventualidade.

Às 21h30, o PT-MBZ finalmente pousou no Aeroporto de São José dos Campos, no mesmo instante em que o ACC-Brasília registrava mais três alvos não identificados passando sobre a região e desaparecendo em seguida. O mesmo Centro registrou a presença de outros dois objetos não identificados à Leste da Base Aérea de Santa Cruz, no Rio de Janeiro.

Outras aeronaves em voo naquela noite depararam-se com objetos não identificados. Um avião Bandeirante, da companhia TAM e que fazia a rota Londrina – São Paulo chamou o Centro Brasília perguntando se havia algum tráfego essencial, ou seja, vindo em direção ao avião e já relativamente próximo. Como não havia qualquer alvo desconhecido no radar, na região indicada, o operador informou que nada havia de estranho. O piloto insistiu que havia um objeto aproximando-se do avião, em aparente rota de colisão, vindo à sua frente, à direita. O operador aumentou a definição do radar, na localização da aeronave e continuou sem obter registros de qualquer sinal não identificado na posição informada. O piloto, já em pânico, informou que o misterioso objeto estava passando rapidamente à sua frente, tendo ao seu redor várias luzes que giravam muito rápido e que logo desapareceu em alta velocidade. Pouco depois, outra aeronave, desta vez da TransBrasil, que fazia a rota Guarulhos-Brasília, informou que estava avistando o mesmo tipo de fenômeno, sobre a região de Araxá (MG). Tais luzes estavam passando à frente do avião e seguindo em direção à Brasília (DF)(101). Outra aeronave, da VASP, com destino à mesma cidade, também foi seguida por objetos luminosos por algumas horas. Sobre o Vale do Paraíba, um piloto particular da Cia Brasileira de Tratores, a bordo de um Learjet, avistou esses objetos brilhantes, que voavam sem propulsão aparente, mudando de trajetória em ângulos retos e em alta velocidade(1).

 

Caças em Ação

Até este momento, a Força Aérea não tinha ideia precisa do que estava ocorrendo. Havia ainda o temor de uma ação de países estrangeiros em nosso espaço aéreo, portanto havia a preocupação com a soberania nacional. Entretanto, já se percebia a estranheza dos casos e se sabia que tal manifestação poderia não ter origem na tecnologia terrestre. Dado o evidente interesse dessas inteligências em nossos polos tecnológicos, sistemas de monitoramento e tráfego aéreo, era necessário obter mais informações sobre tais objetos.

Às 22h10, os radares detectaram alguns alvos não identificados nos arredores da Base Aérea de Anápolis, em Goiás. Até então, os objetos avistados se concentravam em áreas estratégicas nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro e sobrevoos de trechos do estado de Minas Gerais e Paraná. Agora, com o surgimento de alvos também no Estado de Goiás e no Distrito Federal, no entorno de Brasília, o evento se tornava ainda mais preocupante. O operador local, sargento Márcio, continuou acompanhando esses sinais sobre a região e devido à permanência deles no radar telefonou para o capitão Franciscangelis, da Defesa Aérea informando a existência de plotes, a aproximadamente 15 quilômetros de distância, à Oeste da Base e claramente em movimento. Pouco depois, surgiu um segundo sinal, na mesma região, mas em sentido contrário.

Diante da estranheza do fato, o Capitão passou o telefone para o Major Cerqueira, que se atualizou dos fatos e imediatamente determinou o acionamento de caças em alerta nas Bases Aéreas de Anápolis (BAAN) e Santa Cruz (BASC). O áudio gravado desta conversa mostra certa tensão e alguns palavrões proferidos pelo Major diante da situação. Entre várias ordens ele pediu para verificar a situação do armamento dos aviões em alerta. Ao final do diálogo, o controlador de voo alertou que surgiu um novo alvo, voando ao lado do primeiro, com a mesma velocidade e direção, num aparente voo em formação. Major Cerqueira também determinou o acionamento de uma aeronave KC-130, para possível reabastecimento dos aviões em voo noturno. Assim, por volta das 22h15, os caças da Base Aérea de Santa Cruz passaram da situação de “alerta” para “a postos”, indicando que poderiam decolar assim que fosse dada essa ordem.

Dois militares envolvidos com os eventos da Noite Oficial dos OVNIs. À esquerda, Major Cerqueira, então Comandante da Defesa Aérea. À direita, 1º Tenente Francisco Hugo Nunes Freitas, chefe Controlador do COpM.

 

Por volta das 22h30 houve uma aparente intensificação na manifestação do fenômeno. Este fato ficou documentado nos áudios gravados na Torre de São José dos Campos, quando o operador do CINDACTA I informou ao Sargento Mota que estava chovendo plotes nas telas de radares do Centro. Os objetos se concentravam agora sobre a região de São José dos Campos e alguns sobre o estado de Goiás e Brasília (DF). Assim, o primeiro caça decolou da Base Aérea de Santa Cruz, às 22h34 e logo foi direcionado, pelo controlador de voo, Sargento Roarelli, para São José dos Campos e precisou de poucos minutos para chegar em sua área de busca. No momento em que o Jambock 17 (nome código do caça pilotado pelo Tenente Kleber) chegava à região, os radares do ACC-BS indicavam a presença de vários alvos. Um deles, à Sudeste da cidade, voava rumo à Oeste, com a velocidade de 2.742 Km/h. De forma muito rápida, o UFO reduziu para apenas 61 km/h e repentinamente acelerou, chegando a 3.278 Km/h, desaparecendo em direção à Sudoeste, saindo da cobertura do radar. Este fato foi testemunhado pelo controlador de voo, José Manuel Fernandes, que na época trabalhava no APP-SP. Seguindo as orientações do Sargento Roarelli, Tenente Kleber sobrevoou a cidade, realizando voos circulares sobre a área de busca, passando sobre a fábrica da Embraer e fazendo buscas visuais, na tentativa de observar os estranhos objetos.

À direita, o então Tenente Kleber, primeiro piloto a decolar para interceptar OVNIs, na chamada Noite Oficial. À esquerda, o caça F-5EM, prefixo FAB 4848, por ele pilotado, na ocasião.

 

Por volta de 22h43, Tenente Kleber avistou um objeto luminoso, à sua frente, ligeiramente à esquerda. Neste mesmo instante o controlador, informou que os radares indicaram um alvo à frente do avião, 20º à esquerda, na mesma altitude e a 46 Km de distância, o que confirmava o avistamento do piloto. Embora, os equipamentos de solo indicassem outros objetos na área, apenas este foi observado naquele momento. Diante da possibilidade real de aproximar-se destas luzes, o controlador solicitou ao Tenente para checar os armamentos do caça.

Nesse mesmo instante, outros dois caças eram acionados para interceptar os UFOs. Na Base Aérea de Anápolis (BAAN), em Goiás, era acionado o Mirage IIIEBR, prefixo FAB-4913, com o nome código Jaguar-116 (JG-116) e pilotado pelo Capitão Armindo Viriato. Na Base Aérea de Santa Cruz (BASC), foi acionado o F-5, prefixo FAB-4849, nome código Jambock-07 (JB-07), e pilotado pelo capitão Marcio Jordão.

Já em missão e voando sobre São José dos Campos, o tenente Kleber, a bordo do JB-17, avistou outro objeto luminoso e no momento em que iniciou sua perseguição aérea, o controle de voo determinou que o caça mudasse para o modo rojão, ou seja, modo de interceptação, ativando o armamento. O piloto informou ao controle que o UFO estava evoluindo de um lado para o outro e não estava conseguindo se aproximar do alvo, que aumentava sua altitude de forma muito rápida, já passando do nível 210 (6.400 metros de altitude). Segundo dados do radar do ACC-BS, este objeto atingiu facilmente a velocidade de 3.291 Km/h e rapidamente saiu da área de cobertura do radar. Segundos depois, o mesmo objeto ressurgiu, agora com velocidade de apenas 3.7 Km/h. Este tipo incrível de manobra foi muito observado ao longo daquela noite. Os UFOs pairavam estáticos no céu, e instantaneamente aceleravam realizando manobras impossíveis para qualquer aeronave terrestre, tanto daquela época como atualmente.

Enquanto isso, o Jambock 07, do Capitão Jordão, seguia seu voo, em direção ao Norte de São José dos Campos, em modo rojão, com suas luzes de navegação apagadas e armas prontas para uso. Às 22h55, o controlador de voo do caça, sargento Nelson, informou que havia um sinal não identificado, em seu radar, diretamente a frente do avião.

Nesse mesmo instante, o outro F-5, o Jambock-17, também captou, em seu radar de bordo, um alvo não identificado diretamente a frente do caça, que neste momento voava em Mach 0.95 (1.163Km/h). O alvo estava entre 18 km e 22 Km de distância, quando desapareceu do radar. Após perder o sinal do UFO, no radar, Tenente Kleber seguiu rumo ao litoral de São Paulo, ainda observando o objeto luminoso já sobre o mar, sobre a região de Santos e Guarujá. O piloto seguiu mar adentro, no encalço do objeto e quando encontrava-se a aproximadamente 209 Km de distância da Base Aérea de Santa Cruz, alguns instrumentos de navegação aérea e orientação do avião começaram a apresentar falhas ou interferências. O instrumento ADF (Automatic Direction Finder) é um indicador automático de direção, que recebe emissões eletromagnéticas de uma fonte geradora. No caso dos caças F-5, o emissor estava instalado na Base Aérea de Santa Cruz e iria indicar a posição da base, permitindo o retorno seguro do piloto ao aeródromo, no final da missão. Enquanto estava em perseguição ao UFO, sobre o mar, o instrumento indicava que a Base estava 10º a 20º à direita da posição correta. O outro instrumento que apresentou falha foi o DME (Distance Measuring Equipment), que mede a distância em relação à base de partida ou destino da aeronave. Quando o caça estava a 209 Km da base, o DME indicava que a base estava a aproximadamente 64 Km de distância. Sentindo que as medições dos instrumentos não estavam corretas, Tenente Kleber questionou seu controlador de voo que lhe passou os dados corretos, orientando o piloto(33).

Capitão Viriato foi o segundo piloto a voar em missão, para interceptar OVNIs na noite de 19 de maio de 1986. À esquerda, o caça Mirage IIIEBR, prefixo FAB-4913, por ele usado na ocasião.

 

Voo em Formação

Enquanto o JB-17 do Tenente Kleber estava envolvido em perseguições em mar aberto, o JB-07 do Capitão Jordão continuava sua busca sobre a região de São José dos Campos. Às 22h58 ele observou uma luz vermelha, piscante, a uma distância estimada de 46 Km, diretamente à frente do caça, que seguia rumo Oeste. Menos de um minuto depois, o seu controlador de voo, Sargento Nelson, informou que havia numerosos tráfegos às seis horas de sua aeronave. Na linguagem aeronáutica e militar, isso quer dizer que os alvos estavam voando atrás do avião, seguindo-o. Ele imediatamente realizou uma manobra de 180º para tentar visualizar tais objetos, mas nada viu.

As gravações em áudio não fornecem maiores detalhes sobre este fato em específico, mas de acordo com informações posteriores, noticiadas pela imprensa e confirmadas pelos militares, os UFOs realizaram um voo de formação com o F-5. Eram 13 objetos, sendo que seis deles se posicionaram de um lado e sete de outro, voando em formação, com clara demonstração de inteligência. Ao final da manobra de 180º, o controlador informou que numerosos alvos (muito provavelmente os mesmos já detectados), se encontravam agora a 31 Km a frente do caça, que seguia para Leste. E piloto, nada viu…

Capitão Jordão, o terceiro piloto a decolar em missão na noite de 19 de maio de 1986, para interceptar OVNIs. À esquerda, o caça F-5EM, prefixo FAB 4849, por ele utilizado na ocasião.

 

 

Exatamente às 23 horas, o Tenente Kleber continuava em perseguição ao UFO, ainda sobre o mar. O objeto, que estava à sua frente acelerou, curvando à esquerda, subindo rapidamente e novamente os instrumentos de bordo apresentaram falhas, mostrando dados errados de distância e posição da aeronave. O instrumento DME indicava que a Base Aérea de Santa Cruz estava a aproximadamente 35 Km, à esquerda do caça, quando na verdade estava a 257 Km, na direção oposta. Mesmo diante dos dados incorretos de distância e posição, e ciente dos riscos, o piloto manteve sua direção e velocidade, na tentativa de aproximar-se do objeto. Ambos já estavam a 27 mil pés (aproximadamente 8,2 Km) de altitude e ainda subindo. Neste momento, o militar ainda avistava o UFO, que alternava nas cores vermelha, branca e verde, de forma bem definidas, mas não tinha registro dele, no radar de bordo do caça. A perseguição continuou até atingir 32 mil pés (algo em torno de 9,75 Km de altitude).

Enquanto isso, o outro F-5, do Capitão Jordão, manteve-se sobre a região Sul de São José dos Campos. Às 23h02, ele avistou um objeto luminoso e manobrou o avião, para se aproximar desta luz que rapidamente se apagou. Pouco depois, o controlador de voo informou a presença de vários plotes na região Sudoeste de São José dos Campos. Um deles foi detectado à esquerda do caça, a aproximadamente 55 Km de distância, em um aparente voo de engajamento, pois segundos depois, o alvo já estava atrás e ligeiramente à sua esquerda, a apenas 16 Km de distância do JB-07. Nos minutos seguintes, o controlador de voo confirmou novamente ao piloto que vários objetos não identificados estavam nas proximidades, seguindo em diferentes direções e ainda dentro da área de São José dos Campos.

Às 23h08, o Capitão Jordão avistou outra luz avermelhada, à sua esquerda, que rapidamente desapareceu. O controle de voo informou que o objeto aparecia no radar e a 11 Km de distância do caça, que naquele momento já se encontrava a 27 quilômetros da cidade.

 

Velocidades Inalcançáveis

Enquanto os caças F-5 (Jambock-07 e Jambock-17) faziam suas buscas na região de São José dos Campos e litoral paulista, o Mirage IIIEBR, pilotado pelo capitão Viriato caçava UFOs sobre os céus de Goiás. Às 22h56, o radar de bordo do caçador registrou um sinal diretamente à frente do avião. Imediatamente o controlador de voo, sargento Fernando, determinou ao piloto que voasse em direção à esse alvo, em modo rojão, ou seja, com sistema de armas ativo. Entretanto, para a frustração dos militares, a perseguição durou menos de 20 segundos, pois o objeto rapidamente desapareceu.

Às 23h06, o controle de voo o informou que novamente havia um alvo no radar, diretamente a frente do seu caça. Seguindo as instruções, o piloto aproximou-se do UFO e a distância reduziu rapidamente. Mas apesar da noite límpida e clara, ele não viu qualquer coisa estranha. Pelo rádio, o controle o orientou a fazer uma manobra de 360º, ou seja, realizar um círculo no céu, que lhe permitiria verificar a presença do misterioso sinal presente nas telas do radar.

Às 23h09, o militar manobrou o caça, seguindo para Oeste e foi neste momento que surgiu um sinal não identificado no seu radar de bordo. O alvo estava a 22 Km de distância, à Sudeste. Rapidamente ele entrou em perseguição ao UFO e logo obteve um Judite (Judite é declarado pelo piloto de caça quando ele enquadra um alvo e está pronto para disparar contra ele). Capitão Viriato acelerou o avião chegando a Mach 1.3 (1.592 Km/h), diminuindo a distância em relação ao objeto. Às 23h12, essa distância era de apenas 9 Km. Do momento em que ele surgiu na tela de radar, à distância de 22 Km e o ponto de maior aproximação, passaram-se 3 minutos e meio. E foi justamente nesse momento que o objeto acelerou de forma brusca, aumentando muito rapidamente a sua distância. Em apenas 30 segundos, o objeto aumentou de 9 Km para 39 Km de distância, chegando a escapar do alcance do radar do JG-116.

Em 1993, o programa Globo Repórter, da Rede Globo de Televisão, produziu duas reportagens especiais com o tema Ufologia e um dos casos abordados foi justamente a Noite Oficial dos UFOs. Um dos entrevistados foi o Capitão Viriato, que descreveu ao repórter Domingos Meirelles os detalhes dessa perseguição, relatando que o objeto atingiu algo em torno de Mach 15, muito acima da capacidade de qualquer aeronave disponível hoje.

Neste momento, decorridos 38 minutos de interceptações aéreas, a FAB havia conseguido poucas informações. Além dos registros em radar, havia os testemunhos visuais dos pilotos envolvidos, o que naquele momento ainda era pouco. Assim, às 23h10, o quarto caça foi acionado, na Base Aérea de Anápolis.

Enquanto o Jambock-17, do Tenente Kleber Marinho, mantinha o curso para a base e já muito próximo ao litoral de São Paulo, o Jambock-07, do Capitão Jordão realizava buscas na região de São José dos Campos. Neste momento, havia sinais intermitentes nas telas de radares, mas nada visualmente constatado pelo piloto.

Às 23h13, o avião do capitão Jordão localizava-se a 194 km, a oeste da Base Aérea de Santa Cruz, sobre a região de Taubaté (SP). Nesse momento, o piloto foi informado que o APP-SP havia registrado seis alvos não identificados a menos de 16 Km de sua posição, sobrevoando a região Norte e Noroeste de São José dos Campos. Curiosamente, esta área já havia sido sobrevoada pelos dois caças F-5. Isso mostra que havia inteligência por trás das manifestações observadas naquela noite, pois era evidente a interação entre estes objetos e as aeronaves envolvidas nessas perseguições.

Neste mesmo horário, em Goiás, o Capitão Viriato obteve um novo contato no radar de seu caça. O objeto estava a Noroeste da Base Aérea de Anápolis, em uma distância estimada de 31 Km. Novamente ele manobrou o caça e acelerou em direção ao alvo e logo conseguiu um novo Judite. Quando a distância para o alvo caiu para 22 Km, houve novamente uma aceleração brusca. O que impressiona neste caso é que durante esta perseguição o piloto informou que o objeto realizava movimentos em zig-zag, rapidamente se afastando de sua aeronave, e desaparecendo em seguida. Quanto mais rápido uma aeronave se desloca pelo ar, mais espaço será necessário para realizar uma curva. Os UFOs registrados naquela noite faziam curvas fechadas em altíssima velocidade, em uma manobra que despedaçaria qualquer aeronave terrestre.

 

Comportamento Inteligente

Os três caças envolvidos nas perseguições aéreas não conseguiram identificar efetivamente os objetos que estavam sendo captados nos radares. Por outro lado, estas missões demonstraram que tratava-se de uma manifestação inteligente, apoiada em altíssima tecnologia, com características que não correspondiam à incursões de espionagem ou mesmo militares realizadas por alguma outra nação da Terra. O fenômeno vinha se manifestando ativamente desde as 19 horas e não demonstrava arrefecimento. Como o combustível dos primeiros caças já estava esgotando, seria necessário acionar outros aviões para a perseguição. Assim, às 23h17min, o Capitão Rodolfo decolava, às 23h17, para caçar UFOs em uma área a Noroeste de Anápolis (GO).

Às 23h23, o controlador do voo, Sargento Enéas, orientou o militar, informando a posição de um alvo não identificado, aproximadamente 9 Km à frente do caça. O UFO manobrou, curvando à direita, mas em nenhum momento o piloto conseguiu avistar o objeto. Pouco depois, os radares indicaram a presença de outro alvo, na mesma região, a 9 Km de distância. Em função disso, o controlador o orientou a passar para o modo caçador, ou seja, com seu sistema de armas ativo e luzes de navegação apagadas.

Ele acelerou o avião, para interceptar o UFO, chegando a apenas meia milha (aproximadamente 800 metros) do alvo. Mesmo assim tão perto, Capitão Rodolfo não avistou qualquer, aparelho ou luminosidade, que pudesse explicar o sinal registrado nos radares. O controlador então orientou o piloto a fazer uma manobra em 360º, na tentativa de se aproximar e identificar o quer que fosse. Durante esta manobra o Sargento Enéas informou ao piloto que o objeto passou muito próximo ao caça. Novamente se percebia um comportamento inteligente por trás dessas manifestações, pois quando o piloto executava uma manobra para a esquerda ou direita, o objeto se mantinha a frente da aeronave durante toda a manobra, respondendo de forma inteligente às ações do militar. Em alguns momentos, o objeto se aproximava tanto que os radares de solo chegaram a confundir os sinais do avião e do alvo que estava sendo monitorado.

Em dado momento, o UFO aproximou-se novamente do caça, passando por ele e colocando-se diretamente à cauda da aeronave. Tudo isso testemunhado pelo controlador de voo atônito, que descrevia os registros do radar para o piloto. Essa perseguição levou tanto o UFO quanto o JG-98 para mais próximo da Base Aérea de Anápolis, chegando a 18 quilômetros de distância da pista. Neste momento, outro Mirage IIIEBR, o Jaguar 107 (JG-107), da Base Aérea foi acionado e logo decolaria para novas tentativas de interceptação.

Outros dois pilotos de caça envolvidos em missões de interceptação na Noite Oficial. À esquerda, Capitão Rozemberg. À direita, Capitão Rodolfo.

 

 

Já o Capitão Viriato estava tendo dificuldades em aproximar-se do alvo que aparecia em seu radar de bordo. Cada vez que ele tentava uma aproximação, o objeto acelerava bruscamente, realizando um voo em zig-zag e em altíssima velocidade.

Minutos depois, o Capitão Viriato detectou novo plote em seu radar de bordo e rapidamente ele conseguiu um novo judite, com o alvo a 18 Km de distância, acelerando e curvando à direita. O piloto aumentou a potência do motor de seu caça, em perseguição, e assim a distância caiu gradativamente até 5 Km. Então, ele iniciou buscas visuais, na tentativa de identificar seu alvo, porém nada viu, embora o radar continuasse indicando que o misterioso aparelho realizava movimentos em zig-zag à frente do seu avião. A distância entre ambos diminuiu para 1.800 metros e mesmo assim ele continuava sem qualquer tipo de contato visual com o objeto. A 31 Km da Base Aérea de Anápolis, ele perdeu o judite e surpreso comentou com o controlador, Sargento Ivan, que aquilo tudo era uma loucura. O controlador, desconcertado apenas concordou com o piloto e em seguida, o orientou para o retorno à Base Aérea, onde o JG-116 pousou às 23h46.

Com o retorno do Capitão Viriato, decolou o Mirage IIIEBR, prefixo FAB-4917, pilotado pelo Capitão Júlio Cezar Rozemberg. Após a decolagem, o Jaguar-107 foi direcionado para o local de caça pelo controlador de voo Sargento Ivan.

No mesmo horário, já em missão a bordo do Jaguar-98 o Capitão Rodolfo da Silva e Sousa foi novamente direcionado para interceptar um alvo não identificado, captado nos radares de solo. E novamente o misterioso objeto evoluiu muito próximo ao avião, sendo que o piloto nada viu. Após pouco mais de um minuto, o objeto desapareceu das telas de radar, permanecendo apenas o sinal do caça.

Enquanto essas perseguições aconteciam em Goiás, UFOs eram registrados em Taubaté (SP), e também em Angra dos Reis, Restinga da Marambaia e Grumari, no Estado do Rio de Janeiro.

 

Áreas de Interesse

Desde aquela fantástica noite se questiona as causas ou motivos pelos quais inteligências desconhecidas sobrevoaram várias regiões da América do Sul, principalmente o Brasil. Mesmo hoje, 35 anos depois, ainda estamos longe de descobrir esses motivos. Entretanto, algumas características do fenômeno nos fornecem subsídios para algumas conclusões. Toda a manifestação ufológica daquela noite concentrou-se ou em polos de tecnologia e defesa, ou em áreas delimitadas, aparentemente sem atrativos, onde vários destes objetos se concentravam. São José dos Campos (SP) concentrava vários centros tecnológicos, como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Centro Tecnológico da Aeronáutica, e grandes indústrias de natureza estratégica, como Embraer, Engesa, Avibrás e uma importante refinaria da Petrobrás. Outras cidades sobrevoadas são sedes de importantes escolas militares ou instalações estratégicas para a Defesa Nacional. O claro interesse por parte destas inteligências em nossa tecnologia e nosso sistema de tráfego aéreo (inovador para a época) seria algo natural.

O mesmo não podemos dizer em relação às demais áreas de interesse destes objetos, que foram registrados pela Força Aérea Brasileira, tanto visualmente quanto por meio de radares. Nestas áreas, nomeadas pelos militares como áreas de concentração de plotes, reuniam-se vários destes objetos, que permaneciam dentro de uma região definida. Quando algum deles saía dessa área, em função da aproximação de um avião, por exemplo, eles rapidamente retornavam à mesma posição. Havia uma destas áreas na divisa dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, exatamente no ponto de passagem da ponte-aérea Rio-São Paulo. Outra área estava em uma área entre 18 e 36 Km à Oeste de Anápolis (GO). Havia outras duas áreas, uma a Noroeste e outra à Sudoeste de Anápolis, com uma presença de menor de objetos. Não se sabe, ainda, o que despertou o interesse destas inteligências nestas áreas específicas, mas curiosamente, um dos caças, JB-07, do Capitão Jordão, foi enviado para área de concentração, na divisa de São Paulo e Rio de Janeiro. Ao chegar ao local, o radar de bordo do caça apresentou anomalias durante todo o tempo em que ele permaneceu no local, sugerindo forte variação eletromagnética na área.

A missão do Capitão Jordão encerrou-se pouco depois, com o retorno à Base Aérea de Santa Cruz, por falta de combustível. Uma informação não confirmada oficialmente pela Força Aérea Brasileira, mas confirmada extra-oficialmente por alguns militares refere-se justamente ao retorno do piloto, que teria pousado na base, e parado já na pista por falta de combustível. Segundo estas informações, o avião precisou ser rebocado até os hangares, após a missão e pouco depois, um dos militares encarregado da manutenção da aeronave ficou espantado com o fato de ele estar extremamente imantado, a ponto de suas ferramentas de trabalho ficarem grudadas na fuselagem da aeronave, em função do alto magnetismo.

Enquanto os dois pilotos de caças F-5, observaram objetos luminosos na região litorânea do Estado de São Paulo, os pilotos dos Mirage não tiveram qualquer contato visual. Um deles, pilotado pelo Capitão Viriato, conseguiu vários registros em seu radar de bordo, porém tanto o Capitão Rodolfo quanto o Capitão Rosemberg nada avistaram, nem tiveram qualquer registro em seu radar de bordo. Curiosamente, dois dos três caças Mirage envolvidos nas perseguições aos UFOS acidentaram-se. O caça usado pelo Capitão Rodolfo acidentou-se em Anápolis (GO), em 26 de junho de 1986, em um acidente sem vítimas. O caça pilotado pelo Capitão Rozemberg acidentou-se em Campo Grande (MS), em abril de 1989, e não existem informações sobre suas causas ou se houve alguma vítima. O caça pilotado pelo Capitão Viriato está exposto no Museu Aeroespacial, na Base Aérea dos Afonsos, no Rio de Janeiro.

Conclusões e Omissões da FAB

A revoada de UFOs encerrou-se com o amanhecer de 20 de maio. Neste momento, já estava em curso a investigação dos fatos. O controlador de voo de São José dos Campos, Sargento Sérgio Mota da Silva, terminou seu turno às 6 horas e permaneceu no departamento até as 11 horas da manhã redigindo seu relatório pessoal que jamais foi liberado pela Força Aérea Brasileira. Da mesma forma, os fatos foram registrados no Livro de Registro de Ocorrências (LRO), um livro para registro de tudo de anormal que ocorre nas operações da Torre de Controle de um aeroporto. As informações contidas neste livro também nunca foram disponibilizadas pelos militares. Podemos supor que as informações ali presentes sejam sensíveis à Segurança Nacional por serem reveladores demais, ou seja, descrevendo fatos que militares não podem explicar e que por algum motivo revela certa insegurança.

Os relatórios pessoais do Coronel Osíris Silva e do Comandante Alcir Pereira também não foram disponibilizados publicamente, assim como os registros do Controle São Paulo (APP-SP) e Centro Brasília (ACC-BS) e das torres de controle dentro da área de manifestação do fenômeno. E também os registros e possíveis relatórios de outros pilotos civis, igualmente testemunhas destas manifestações são pouco conhecidos até hoje, e nunca foram comentados pelos militares.

Dada a importância e grandiosidade do caso, o tempo transcorrido e a ausência de informações básicas e de importantes documentos sobre o fato, faz-se necessário um esforço da comunidade ufológica no sentido de buscar a liberação destes documentos, assim como a busca de testemunhos fundamentais entre militares e aviadores, que podem contribuir substancialmente com a investigação deste caso fantástico, que está ainda longe de acabar.

 

Referências:


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  82. https://arquivoufo.com.br/2017/06/21/noite-oficial-dos-ovnis-e-o-caso-ufologico-mais-legitimo-do-mundo/
  83. https://portalcontexto.com/anapolis-esteve-na-rota-da-noite-oficial-dos-ovnis-no-brasil-ha-35-anos/
  84. https://livrosderomancebeatrizfield.blogspot.com/2016/10/curiosidades-sobre-noite-oficial-dos.html
  85. SILVA, Ozires. A decolagem de um sonho: História da Criação da Embraer. São Paulo: Lemos Editorial, 1998.
  86. Gravações da Noite Oficial: Fita 1 – Lado A – Audio da Torre de Controle do Aeroporto de São José dos Campos
  87. Gravações da Noite Oficial: Fita 1 – Lado B – Audio da Torre de Controle do Aeroporto de São José dos Campos
  88. Gravações da Noite Oficial: Fita 2 – Lado A – Audio da Torre de Controle do Aeroporto de São José dos Campos
  89. Gravações da Noite Oficial: Fita 2 – Lado B – Audio da Torre de Controle do Aeroporto de São José dos Campos
  90. Gravações da Noite Oficial: Fita 3 – Lado A – Audio da Torre de Controle do Aeroporto de São José dos Campos
  91. Gravações da Noite Oficial: Fita 3 – Lado B – Audio da Torre de Controle do Aeroporto de São José dos Campos
  92. Gravações da Noite Oficial: Fita 4 – Lado A – Gravação das Comunicações entre o caça Jaguar 98 e a Defesa Aérea
  93. Gravações da Noite Oficial: Fita 4 – Lado B – Gravação das Comunicações entre o caça Jaguar 98 e a Defesa Aérea
  94. Gravações da Noite Oficial: Fita 5 – Lado A – Gravação das Comunicações entre o caça Jambock 07 e a Defesa Aérea
  95. Gravações da Noite Oficial: Fita 5 – Lado B – Gravação das Comunicações entre o caça Jambock 07 e a Defesa Aérea
  96. Gravações da Noite Oficial: Fita 6 – Lado A – Gravação das Comunicações entre o caça Jaguar-116 e a Defesa Aérea
  97. Gravações da Noite Oficial: Fita 6 – Lado B – Gravação das Comunicações entre o caça Jaguar-116 e a Defesa Aérea
  98. Gravações da Noite Oficial: Fita 7 – Lado A – Gravações telefônicas diversas
  99. Gravações da Noite Oficial: Fita 8 – Lado A – Gravação das Comunicações entre o caça Jambock- 17 e a Defesa Aérea
  100. Gravações da Noite Oficial: Fita 8 – Lado B – Gravação das Comunicações entre o caça Jambock- 17 e a Defesa Aérea
  101. ROCHA JR, J. S. Invasão de Tráfego Aéreo em 1986. Revista UFO, nº 55, p. 27. Novembro de 1997.
  102. EQUIPE UFO. Entrevista com Brigadeiro Sócrates Monteiro. Revista UFO, 163. Março de 2010

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