{"id":1798,"date":"2022-02-26T15:55:20","date_gmt":"2022-02-26T18:55:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.fenomenum.com.br\/novo\/?p=1798"},"modified":"2025-04-21T12:34:01","modified_gmt":"2025-04-21T15:34:01","slug":"o-misterioso-caso-duas-pontes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.fenomenum.com.br\/novo\/o-misterioso-caso-duas-pontes\/","title":{"rendered":"O Misterioso Caso Duas Pontes"},"content":{"rendered":"<section id=\"inner-headline\">\n<div class=\"container\">\n<div class=\"row\">\n<div id=\"resumo\" class=\"resumo\" style=\"padding-left: 40px;\"><strong>O Caso Duas Pontes, ou Caso Rivalino Mafra, envolveu um garoto, na \u00e9poca com 12 anos, que teria testemunhado o desaparecimento de seu pai em meio \u00e0 uma experi\u00eancia ufol\u00f3gica. Seis meses depois uma ossada \u00e9 encontrada e atribu\u00edda ao desaparecido.<\/strong><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<div>\n<hr \/>\n<\/div>\n<div>O Caso Duas Pontes, ou Rivalino Mafra, \u00e9 um dos mais intrigantes da casu\u00edstica ufol\u00f3gica brasileira. Ocorrido em 19 e 20 de agosto de 1962, constitui-se ainda hoje em um mist\u00e9rio. Tem como protagonista Rivalino Mafra e Raimundo Mafra, pai e filho, que moravam na zona rural de Diamantina. Rivalino desapareceu misteriosamente deixando desamparados seus filhos. Raimundo, o mais velho e que teria testemunhado o desaparecimento, descreve um estranho fen\u00f4meno provocado por dois pequenos objetos voadores. Pouco tempo depois, restos mortais de uma pessoa, que s\u00e3o rapidamente atribu\u00eddos \u00e0 Rivalino Mafra, s\u00e3o encontrados nas proximidades do local do desaparecimento aumentando ainda mais o mist\u00e9rio em rela\u00e7\u00e3o ao caso.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\n<p>Em agosto de 1969, o relato de um menino pobre, analfabeto e t\u00edmido provocou celeuma na cidade de Diamantina, repercutindo em todo o estado de Minas Gerais e al\u00e9m de seus limites.<\/p>\n<p>Raimundo Aleluia Mafra, de 12 anos, \u00f3rf\u00e3o de m\u00e3e, auxiliava seu pai Rivalino Mafra da Silva nas suas atividades de ca\u00e7ada e garimpagem, responsabilizando-se tamb\u00e9m pela assist\u00eancia a dois de seus quatro irm\u00e3os menores.<\/p>\n<p>Situada em Duas Pontes, distrito de Diamantina, estado de minas gerais, a resid\u00eancia da fam\u00edlia Mafra era um casebre completamente isolado. Por dezenas de vezes o menino repetiu seu relato ao tenente Wilson Lisboa, delegado de pol\u00edcia do munic\u00edpio, ao juiz de direito, aos m\u00e9dicos, sacerdotes, jornalistas e a um sem n\u00famero de pessoas que, apesar de refugarem a vers\u00e3o de Raimundo, ficaram impressionados com sua coer\u00eancia e tranq\u00fcila convic\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Alegava que seu pai Rivalino tinha desaparecido ante seus olhos, cercado por um redemoinho de poeira amarela levantada por dois pequenos objetos, postados \u00e0 porta do casebre. E chorava mansamente, convencido de que seu pai jamais voltaria.<\/p>\n<p>Logo ap\u00f3s a desapari\u00e7\u00e3o de seu pai, Raimundo procurou vest\u00edgios seus na vizinhan\u00e7a e foi chamar o Sr. Jo\u00e3o Madalena de Miranda, funcion\u00e1rio de uma f\u00e1brica distante. Chegando este amigo ao local da desapari\u00e7\u00e3o, uma clareira de terra batida, notou que ele parecia ter sido cuidadosamente varrido, numa \u00e1rea cujo o raio media 5 metros.<\/p>\n<p>As buscas, j\u00e1 sob a dire\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia de Diamantina, come\u00e7aram no mesmo dia e continuaram por muito tempo. C\u00e3es amestrados da pol\u00edcia militar chegaram a belo horizonte, mas n\u00e3o encontraram rastros do garimpeiro. Os v\u00f4os de aves de rapina eram acompanhados atentamente como poss\u00edvel ind\u00edcio para localiza\u00e7\u00e3o do corpo de Rivalino.<\/p>\n<p>O c\u00f4nego Jos\u00e9 \u00c1vila Garcia, vig\u00e1rio de Diamantina, apesar de n\u00e3o acreditar na vers\u00e3o do menino, revelou que na semana antecedente ao desaparecimento de Rivalino um funcion\u00e1rio do departamento dos correios e tel\u00e9grafos, Sr. Antonio rocha, avistou duas bolas de fogo voando em c\u00edrculos, a grande velocidade e baixa altitude, exatamente sobre Duas Pontes, onde residia o garimpeiro. O Sr. Antonio rocha confirmou, ao rep\u00f3rter do di\u00e1rio de minas, esta comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s exame cl\u00ednico efetuado em Raimundo, o m\u00e9dico Dr. Jo\u00e3o Antunes de Oliveira revelou nada ter descoberto de anormal, al\u00e9m do estado de desnutri\u00e7\u00e3o. O menino pareceu-lhe em boas condi\u00e7\u00f5es mentais.<\/p>\n<p>Por iniciativa do juizado de menores, Raimundo foi conduzido a belo horizonte, pelo comiss\u00e1rio Ant\u00f4nio da Cruz. Nesta capital ele repetiu a est\u00f3ria com os mesmo detalhes, inclusive para o CICOANI. Antes de intern\u00e1-lo no Jo\u00e3o Pinheiro, instituto para prote\u00e7\u00e3o e instru\u00e7\u00e3o de menores desvalidos, o juizado providenciou exame psiqui\u00e1trico e testes psicol\u00f3gicos, cujos resultados em nada contribu\u00edram para solucionar a quest\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>Depoimento do menor Raimundo Aleluia Mafra ao CICOANI em 30\/08\/1962<\/h3>\n<p>Diz Raimundo que, cerca das 20 horas de 19 de agosto deste ano, encontrava-se com seu pai Rivalino Mafra da Silva num c\u00f4modo de sua resid\u00eancia, onde dormiam dois de seus quatro irm\u00e3os menores. Ele e o pai achavam-se agachados em torno de um pequeno fogo que fizeram no c\u00e3o de terra batida do quarto, pr\u00f3ximos a uma porta que liga o mesmo \u00e0 cozinha. Em certo momento seu pai chamou-se a aten\u00e7\u00e3o para uma sombra escura e indefin\u00edvel, que deslizava silenciosamente pela cozinha, na dire\u00e7\u00e3o de um outro c\u00f4modo. Essa silhueta foi descrita como tendo quatro pernas; mas delas o menino nada p\u00f4de precisar, afirmando apenas que tinha alguma semelhan\u00e7a com homem a engatinhar.<\/p>\n<p>\u00c0 guisa de cabe\u00e7a o menino descreveu na sombra um topete, querendo dizer alguma sali\u00eancia, que teria se virado na dire\u00e7\u00e3o do quarto, ao passar pela porta, dando a Raimundo e seu pai a impress\u00e3o de terem sido observados.<\/p>\n<p>Em seguida o Sr. Rivalino levantou-se, indo at\u00e9 a porta por onde a sombra se mostrara, ou um pouco al\u00e9m, nada conseguindo divisar. O menino admite que o medo poderia ter impedido ao seu pai uma revista do resto do casebre escuro, mas garante que as trancas internas das duas \u00fanicas portas \u2013 uma da cozinha, outra da sala, estavam fechadas.<\/p>\n<p>Voltando para o quarto, o Sr. Rivalino viu-se na impossibilidade de dormir, assim como a seu filho. Em certa altura ouviram ambos vozes humanas, \u201cgrossas e enroladas\u201d, citando o nome do Sr. Rivalino e dizendo que t\u00e3o logo iam mat\u00e1-lo t\u00e3o logo sa\u00edsse de casa. Ouviram tamb\u00e9m um ru\u00eddo semelhante ao de um despertador, proveniente de fora da casa. O garimpeiro e seu filho atravessaram a noite sem dormir.<\/p>\n<p>\u00c0s 6 horas da manh\u00e3 do dia seguinte, 20 de agosto, segunda-feira, Raimundo preparou-se para sair da casa e buscar a montaria de seu pai, no terreiro anexo. Ao abrir a porta da cozinha, que dava para o terreiro, deparou com dois pequenos e estranhos objetos pousados no solo, a poucos metros da porta de dist\u00e2ncia. Diferindo na cor, eram id\u00eanticos quanto \u00e0 forma e tamanho. Ambos tinham forma ovalada e mediam entre 40 e 50 cent\u00edmetros no di\u00e2metro maior. A exist\u00eancia de um pequeno ap\u00eandice numa das extremidades de cada objeto, conjugada \u00e0 forma dos mesmos, fez lembrar a Raimundo as figuras de tatus. Estes ap\u00eandices, do tamanho de um dedo, tinham forma tubular, segundo a descri\u00e7\u00e3o do menino. E, tal qual \u201crabicho\u201d, projetavam-se das partes traseiras dos objetos, as quais estavam um pouco suspensas do solo. No momento em que Raimundo as percebeu, esses ap\u00eandices apontavam para a porta, ou seja, para a sua pessoa. Em seguida, quando o Sr. Rivalino chegou \u00e0 porta, atendendo ao chamado de seu filho, os tubos apontavam para a dire\u00e7\u00e3o oposta, indicando que os objetos teriam virado. Um dos objetos era inteiramente negro, fosco. O outro era rajado de branco e preto, com listas iguais em largura e tra\u00e7adas transversalmente ao di\u00e2metro maior do objeto. Esta descri\u00e7\u00e3o foi feita pacientemente, com o aux\u00edlio de um retrato falado.<\/p>\n<p>O Sr. Rivalino, logo ao perceber os dois objetos, colocados lado a lado, um metro do outro, admirou-se soltando a frase: \u201cque ser\u00e1 isto?\u201d. Recomendou ao filho que n\u00e3o sa\u00edsse ela porta e, tendo ainda na m\u00e3o a faquinha e o fumo com que preparava seu cigarro de palha, o Sr. Rivalino aproximou-se lentamente dos objetos, afirmando seu filho que ele n\u00e3o parecia demonstrar medo. \u00c0 aproxima\u00e7\u00e3o de Rivalino, os dois objetos se uniram lateralmente, com um som surdo e come\u00e7aram a girar em conjunto, velozmente e levantando logo um redemoinho de poeira amarela, a qual envolveu Raimundo, sem atingir seu filho. Este declarou que, al\u00e9m do surdo ru\u00eddo durante o choque dos objetos, o \u00fanico ru\u00eddo que ouviu foi o zumbido do vento que levantava a espiral de poeira, tendo esta impedido que Raimundo enxergasse tanto os objetos, quanto seu pai, que n\u00e3o reapareceu quando cessou o redemoinho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>Coment\u00e1rios do CICOANI<\/h3>\n<p>Ap\u00f3s meses de investiga\u00e7\u00e3o infrut\u00edfera, surgiu a not\u00edcia de que o esqueleto de Rivalino fora encontrado. O jornal \u201cA Estrela Polar\u201d (Diamantina, 10\/03\/1963) afirma que, \u201cno dia 3\u00ba de carnaval (1963), cinco ca\u00e7adores encontraram, bem perto do casebre de Rivalino, em lugar de dif\u00edcil acesso, a sua ossada. Caiu por terra o conto da carochinha. Falta agora esclarecer o resto\u201d \u2013 diz o jornal (os grifos s\u00e3o nossos).<\/p>\n<p>Em verdade, dir\u00edamos n\u00f3s, que o \u201cresto\u201d que falta a esclarecer \u00e9 praticamente tudo. Se n\u00e3o vejamos:<\/p>\n<p>As explica\u00e7\u00f5es convencionais se reduziram a duas: o Rivalino teria fugido ou teria sido v\u00edtima de seq\u00fcestro e\/ou assassinato.<\/p>\n<p>Primeiro caso, a est\u00f3ria apresentada pelo filho seria um \u00e1libi inspirado pelo pr\u00f3prio Rivalino, para cobrir a sua fuga. Segundo: seria um \u00e1libi engendrado pro criminosos. Nos dois casos, portanto, haveria participa\u00e7\u00e3o do filho, para cobertura de um epis\u00f3dio que, estranhamente, contrariava o interesse a seguran\u00e7a do mesmo. Ele demonstrou gostar do pai e acabou ficando sozinho com dois irm\u00e3os menores.<\/p>\n<p>De qualquer forma, estranha-se que sua not\u00f3ria timidez e inexperi\u00eancia n\u00e3o o levassem a vacilar em qualquer ponto dos repetidos depoimentos que teve que prestar \u00e0 pol\u00edcia, ju\u00edzes, sacerdotes, m\u00e9dicos, jornalistas e finalmente ufologistas do CICOANI e da SBEDV (Dr. Walter Buller). Mais estranho ainda \u00e9 que, para encobrir um crime se apresentasse um \u00e1libi de tal forma sofisticado e discrepante do contexto s\u00f3cio cultural, a ponto de chamar a aten\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 da pol\u00edcia de Diamantina, como do estado inteiro. O efeito da est\u00f3ria seria, ent\u00e3o, o oposto de um \u00e1libi.<\/p>\n<p>Se a est\u00f3ria do menino \u00e9 inteiramente fruto de del\u00edrio e alucina\u00e7\u00e3o, como explicar que o exame psiqui\u00e1trico n\u00e3o tenha revelado os sintomas correspondentes? Como explicar que o menino tenha projetado no ambiente conte\u00fados intra-ps\u00edquicos de implica\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas t\u00e3o avan\u00e7adas e relativas \u00e0 um tipo de fen\u00f4meno do qual jamais ouvira falar?<\/p>\n<p>Na literatura espec\u00edfica dos discos voadores h\u00e1 refer\u00eancias a diminutos objetos telecomandos semelhantes ao descrito pelo menino. Pela raridade de suas fontes tais refer\u00eancias mantiveram-se praticamente restritas aos especialistas, sendo, obviamente, inacess\u00edveis a crian\u00e7as analfabetas do meio rural.<\/p>\n<p>Outro ponto a explicar \u00e9 a presen\u00e7a de objetos a\u00e9reos n\u00e3o identificados nas proximidades do casebre de Rivalino, uma semana antes do seu desaparecimento, assim como a extraordin\u00e1ria \u201cvarredura\u201d do terreiro onde ele ocorreu.<\/p>\n<p>Quanto ao esqueleto encontrado (se encontrado), que tipo de exame possibilitou relacion\u00e1-lo \u00e0 Rivalino. Se a ossada foi descoberta perto de sua moradia seis meses depois, como se explica que seu cad\u00e1ver n\u00e3o fosse encontrado, ap\u00f3s dias de buscas minuciosas, enquanto era devorado por urubus e outros animais necr\u00f3fagos? O cad\u00e1ver n\u00e3o seria consumido por animais se estivesse enterrado mas, ent\u00e3o o prazo de seis meses seria insuficiente para que se resgatasse apenas o esqueleto limpo. Caso este seja realmente de Rivalino, resta a hip\u00f3tese de que sua carne tenha sido consumida de forma total e quase instant\u00e2nea por meios n\u00e3o convencionais.<\/p>\n<p>Parece, portanto, que do caso \u201cDuas Pontes\u201d tudo resta a explicar.<\/p>\n<p>10\/09\/1968<\/p>\n<p>Hulvio Brant Aleixo<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>COMENT\u00c1RIOS EQUIPE FENOMENUM<\/h3>\n<p>Segundo o Blog Arraial do Tijuco, da cidade de Diamantina, o esqueleto teria sido encontrado por Paulo Duarte e Chico Prata em uma fenda de pedra e teria sido identificado gra\u00e7as \u00e0 um cinto. O Blog n\u00e3o explica o grau de proximidade entre aqueles que descobriram a ossada e Rivalino Mafra. Tamb\u00e9m devemos levar em conta que numa \u00e9poca conturbada, em que vigorava um regime militar, not\u00edcias que poderiam gerar preocupa\u00e7\u00e3o ou agita\u00e7\u00e3o eram rapidamente combatidas pelas autoridades. Sendo assim, um cen\u00e1rio armado com uma ossada, identificada como do desaparecido e posicionada em um local prop\u00edcio seria bastante \u00fatil numa manobra de silenciamento, se divulgada de forma apropriada. Seja como for, o caso chamou a aten\u00e7\u00e3o da For\u00e7a A\u00e9rea Brasileira que registrou o epis\u00f3dio atrav\u00e9s de um relat\u00f3rio emitido pelo ufologista Hulvio Brand Aleixo que ilustra este artigo. O documento da For\u00e7a A\u00e9rea Brasileira referente ao caso pode ser acessado aqui (arquivo de 6 p\u00e1ginas em formato PDF &#8211; 3,19 MB).<\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>A Pesquisa da SBEDV<\/h3>\n<p>A Sociedade Brasileira de Estudos de Discos Voadores, fundada em 1957, foi uma das primeiras institui\u00e7\u00f5es de pesquisa ufol\u00f3gica brasileira. A entidade investigou os mais importantes casos da Ufologia Brasileira de maneira s\u00e9ria e incisiva. Tendo linha notadamente cient\u00edfica, a SBEDV considerava o fen\u00f4meno OVNI como de car\u00e1ter benigno e de origem extraterrestre. Suas pesquisas de campo eram divulgadas atrav\u00e9s de Boletins especializados, publicados entre 1957 e 1982. O presente artigo foi compilado a partir do Boletim da SBEDV n\u00b0 30, de agosto de 1962 e fevereiro de 1963.<\/p>\n<p>O Di\u00e1rio de Minas, nos dias 26 e 28 de agosto de 1962 e a \u00daltima Hora tamb\u00e9m do dia 28, todos de Belo Horizonte, bem como no dia 29, a Tribuna da Imprensa, Luta Democr\u00e1tica e o Jornal, desta Capital, em reportagem ilustrada com fotografias, noticiaram: em localidade distante cerca de 30 Km de Diamantina, lugar ermo, pr\u00f3ximo (40 minutos a p\u00e9 ainda de Biribiry), um meno de 12 anos (R.M.A.) ao sair de casa, entre 6 e 7 horas da manh\u00e3, deparou com duas bolas, di\u00e2metro aproximado de 40 cm, colocadas no ch\u00e3o, em frente \u00e0 porta de sua casa. Chamou o pai, Rivalino Mafra que, ao se aproximar das tais bolas, segundo informa o garoto, foi envolvido por forte redemoinho de ar que, levantando o p\u00f3, dificultou-lhe a vis\u00e3o. Entrementes seu pai desaparecera, segundo pode verificar, quando serenou o movimento do ar. Dizem, ainda, os jornais que o Delegado de Pol\u00edcia procurou em v\u00e3o descobrir o paradeiro de Rivalino Mafra e providenciou a realiza\u00e7\u00e3o de testes psicol\u00f3gicos para verificar que raz\u00f5es encobririam as afirma\u00e7\u00f5es do menor.<\/p>\n<p>Naturalmente que a SBEDV n\u00e3o conservou indiferente diante destas not\u00edcias: dirigimo-nos a Diamantina em duas ocasi\u00f5es diferentes. A primeira em 3 de setembro, duas semanas ap\u00f3s o desaparecimento de Rivalino e a segunda no per\u00edodo de 6 a 19 de dezembro de 1962.<\/p>\n<p>O drama do menor que j\u00e1 era \u00f3rf\u00e3o de m\u00e3e e, repentinamente, privado do conv\u00edvio paterno por um lado e por outro, inesperadamente, centro de aten\u00e7\u00e3o e controv\u00e9rsia n\u00e3o s\u00f3 do p\u00fablico como da imprensa e de freq\u00fcentes interrogat\u00f3rios da imprensa falada e escrita, passou a preocupar as autoridades. Acreditamos que, movido pelo desejo de proteg\u00ea-lo foi que o Sr. Juiz de Diamantina determinou a interna\u00e7\u00e3o do menor em um instituto do Estado.<\/p>\n<p>Mas, tamb\u00e9m, devemos reconhecer que esta controv\u00e9rsia e curiosidade do p\u00fablico e da imprensa se tornaram fator de ineg\u00e1vel valor na difus\u00e3o do estranho acontecimento.<\/p>\n<p>A prop\u00f3sito do desaparecimento de Rivalino contou-nos o Sr. Francisco Prata, seu amigo, que era seu h\u00e1bito, aos domingos, ca\u00e7ar paca nos c\u00f3rregos vizinhos, entretanto na sua casa foram encontrados chap\u00e9u, rolo de fumo, canivete e carteira o que faz supor uma sa\u00edda imprevista. Tamb\u00e9m a atiradeira do menor permanece na casa abandonada, como a indicar a pressa dos que dela sa\u00edram.<\/p>\n<p>Afirmou-nos ainda, Francisco Prata que Rivalino era pessoa normal, sem v\u00edcios ou inimigos, acrescentando que naquela regi\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 crime organizado, apenas passional.<\/p>\n<p>O motorista Pio Miranda que nos levou a primeira vez a visitar a cabana de Rivalino foi o mesmo que l\u00e1 conduziu o menor, bem como as autoridades e rep\u00f3rteres ocasi\u00e3o em que se p\u00f4de ver ainda uma roda (1,5 metros de di\u00e2metro), num ch\u00e3o limpo como se tivesse sido varrido, cerca de 1,5 m a 2 m da porta da casa. Veja-se a fig. 2b, onde se v\u00eaem ab\u00f3boras que marcam a posi\u00e7\u00e3o das bolas no lugar do famoso redemoinho.<\/p>\n<p>N\u00e3o constituiu tarefa f\u00e1cil para n\u00f3s entrevistar o menor. S\u00f3 em dezembro, quando j\u00e1 retorn\u00e1vamos ao Rio conseguimos faz\u00ea-lo, por defer\u00eancia especial do Dr. Jazon Aller Garcia.<\/p>\n<p>Neuropsiquiatria n\u00e3o \u00e9 nossa especialidade. Entretanto, pudemos observar que o menino se manteve absolutamente coerente com as afirma\u00e7\u00f5es de que j\u00e1 conhec\u00edamos atrav\u00e9s dos jornais.<\/p>\n<p>Deu-nos , ainda pormenores: desenhou as duas bolas achatadas (2e) de di\u00e2metro aproximado de 40 cm, uma preta e outra listrada de branco e preto, ambas com um &#8220;rabinho&#8221;, para baixo, de 2 cm. Estas bolas se chocaram repentina e automaticamente, quando seu pai delas se aproximou. N\u00e3o se ouviu barulho e apenas um chiado e levantamento de p\u00f3 que lhe obscureceu a vis\u00e3o por uns 5 segundos, conforme pudemos calcular pela narrativa do menor. Conta ele, ainda, que estranhas ocorr\u00eancias levaram pai e filho a velar e conversar a noite toda.<\/p>\n<p>Em seguida ao desaparecimento do pai, o menor e seus dois irm\u00e3os pequenos, apavorados, foram morro acima e se refugiaram em casa de uma vizinha, contando-lhe o que havia acontecido.<\/p>\n<p>A princ\u00edpio n\u00e3o deu ela import\u00e2ncia, o que s\u00f3 fez mais tarde \u00e0 vista da insist\u00eancia da afirmativa dos meninos.<\/p>\n<p>Registre-se que, relacionado ao caso de Biribiri, foi verificada a presen\u00e7a de discos voadores nos c\u00e9us de Diamantina, dois dias antes do desaparecimento de Rivalino Mafra.<\/p>\n<div id=\"attachment_2978\" style=\"width: 1034px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-2978\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-2978 size-large\" src=\"https:\/\/www.fenomenum.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/caso-duas-pontes-1024x687.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"687\" \/><p id=\"caption-attachment-2978\" class=\"wp-caption-text\">De p\u00e9, da esquerda para a direita: Paulo \u00c1vila, Jos\u00e9 Domingos, Paulo Duarte, Fabiano Pimenta e Dona Antonieta Motta. Agachados, na mesma ordem, Francisco Machado, Erimar Couto (Bocage), meio escondido, R\u00f4mulo Rocha e Waltinho Silva [Fonte: Blog Arraial do Tijuco].<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_1801\" style=\"width: 223px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-1801\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-1801 size-full\" src=\"https:\/\/www.fenomenum.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/rivalino1.jpg\" alt=\"\" width=\"213\" height=\"298\" srcset=\"https:\/\/www.fenomenum.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/rivalino1.jpg 213w, https:\/\/www.fenomenum.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/rivalino1-150x210.jpg 150w, https:\/\/www.fenomenum.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/rivalino1-50x70.jpg 50w, https:\/\/www.fenomenum.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/rivalino1-100x140.jpg 100w, https:\/\/www.fenomenum.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/rivalino1-200x280.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 213px) 100vw, 213px\" \/><p id=\"caption-attachment-1801\" class=\"wp-caption-text\">Pesquisador da SBEDV, em visita ao local do fato. Duas ab\u00f3boras ao ch\u00e3o indicam a posi\u00e7\u00e3o dos objetos no momento em que foram observados inicialmente.<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_1802\" style=\"width: 278px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-1802\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-1802 size-full\" src=\"https:\/\/www.fenomenum.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/rivalino2.jpg\" alt=\"\" width=\"268\" height=\"110\" srcset=\"https:\/\/www.fenomenum.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/rivalino2.jpg 268w, https:\/\/www.fenomenum.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/rivalino2-250x103.jpg 250w, https:\/\/www.fenomenum.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/rivalino2-150x62.jpg 150w, https:\/\/www.fenomenum.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/rivalino2-50x21.jpg 50w, https:\/\/www.fenomenum.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/rivalino2-100x41.jpg 100w, https:\/\/www.fenomenum.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/rivalino2-200x82.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 268px) 100vw, 268px\" \/><p id=\"caption-attachment-1802\" class=\"wp-caption-text\">Desenho confeccionado pelos pesquisadores da SBEDV a partir do depoimento de Raimundo Mafra<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div><\/div>\n<h2>Refer\u00eancias:<\/h2>\n<div>\n<hr \/>\n<\/div>\n<section id=\"content\">\n<div class=\"container\">\n<div class=\"row\">\n<ol>\n<li class=\"col-lg-8\">BULHER, Walter e PEREIRA, Guilherme. O Livro Branco dos Discos Voadores. Petr\u00f3polis: Ed. Vozes, 1983.<\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/www.fenomenum.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/B30_SBEDV.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Boletim da Sociedade Brasileira de Estudos de Discos Voadores \u2013 Ed. 030<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/www.fenomenum.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/B_SBEDV_158_161.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Boletim da Sociedade Brasileira de Estudos de Discos Voadores \u2013 Ed. 158_161<\/a><\/li>\n<li class=\"col-lg-8\"><a href=\"https:\/\/www.fenomenum.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/1962_2pontes.pdf\">Documento Oficial da For\u00e7a A\u00e9rea Brasileira &#8211; Caso Duas Pontes [Rivalino Mafra]<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/arraialdotijuco.blogspot.com\/2009\/05\/certo-dia-parece-que-na-decada-de-1970.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Blog Arraial do Tijuco<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Caso Duas Pontes, ou Caso Rivalino Mafra, envolveu um garoto, na \u00e9poca com 12 anos, que teria testemunhado o desaparecimento de seu pai em meio \u00e0 uma experi\u00eancia ufol\u00f3gica. Seis meses depois uma ossada \u00e9 encontrada e atribu\u00edda ao desaparecido. 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